Projeto Pedagógico

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(De acordo com a Deliberação CEE nº 99, de 24/05/2010)

Quinquênio: 2012 – 2016
 

1. Objetivos (Geral e Específico)

Informações gerais sobre a carreira

A graduação em Filosofia visa a uma formação técnica e crítica do estudante, por meio do estudo aprofundado da História da Filosofia e dos temas que são os eixos da reflexão filosófica, tanto os legados pela tradição, quanto os vinculados às questões contemporâneas. O curso planeja oferecer a visão mais completa possível das questões do pensamento filosófico e do seu movimento histórico.

Privilegia-se o estudo analítico de temas e autores, evitando-se a abordagem panorâmica que, dada a variedade da história do pensamento, seria superficial. Visa-se a formar o pesquisador e professor, tanto do Ensino Superior como do Ensino Médio, sempre pela compreensão da unidade indissolúvel das duas atividades, ou seja, da visão de que a atividade docente decorre da pesquisa e de que o exercício da capacidade crítica, essencial ao filósofo, só se adquire no trato com as formas históricas do pensamento, consideradas na originalidade que as relaciona e diferencia.

O objetivo é dar ao futuro professor e pesquisador a formação compatível com a tarefa pedagógica, inclusive no que diz respeito às típicas dificuldades relativas ao ensino da disciplina no Ensino Médio, tarefa essa sempre entendida como trabalho de emancipação das consciências e da capacitação para uma cidadania efetiva. Isto permite ainda ao Bacharel ou Licenciado em Filosofia exercer outras atividades, todas ligadas ao campo cultural.
 

a. A missão do Departamento de Filosofia

a.1. Qualificação da demanda social

Esta exposição da missão do Departamento de Filosofia depende do esclarecimento prévio do que se entende por "demandas (expectativas e solicitações) da sociedade" que devem ser atendidas por unidades de ensino e pesquisa das universidades. O ponto em questão remete evidentemente à ordenação da sociedade contemporânea, que se caracteriza significativamente pelo conjunto das instituições que a compõem, as quais, por sua vez, estão reguladas por uma ordem jurídica. Em um tal contexto, a demanda social – seja aquela caracterizada por anseios individuais de ordem psicológica, tal como as expectativas, seja aquela outra expressa na solicitação social coletiva reconhecida e até mesmo moldada pelas instituições sociais – sofre uma série de restrições de ordem institucional, sendo modulada por valores que se manifestam e são incentivados no interior dessas instituições.

Evidentemente, um departamento de uma universidade é uma parte ou órgão de uma instituição ou de uma hierarquia de instituições. No caso em pauta, o Departamento de Filosofia está no interior de uma instituição mais ampla, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, e de uma Instituição máxima em seus contornos internos, a Universidade de São Paulo, que divide o mesmo campo de atuação com outras instituições no âmbito da cultura, da ciência e da tecnologia, a saber, as agências de fomento: Fapesp, Capes, Finep, CNPq, etc. Em suma, perguntar pelas demandas da sociedade é fundamentalmente perguntar o que essas diversas instituições esperam que o Departamento forneça em termos de contribuição da filosofia para a cultura, a ciência e a civilização na sociedade brasileira.

Aquilo que se entende por demanda social tem então duas determinações: por um lado, as instituições qualificam a demanda social, impondo restrições àquilo que é desejável e pode ser incentivado. Essas qualificações e suas consequentes restrições dependem da manutenção de valores que são incorporados pelos professores dos departamentos e sustentados, mantidos e incentivados pelos órgãos colegiados e diretivos da Universidade. A resposta institucional à demanda social tende assim a qualificá-la, maximizando certos valores que foram constitutivos das restrições. Ora, os valores que presidem a formação são diferentes dos valores que presidem a profissionalização e a especialização. No primeiro caso, o objetivo é formar o professor competente e o pesquisador autônomo, o que não significa apenas o domínio técnico de uma área do conhecimento, mas também a capacidade de estabelecer relações entre a área e a totalidade da cultura. Nesse sentido, formação significa antes de tudo a assimilação crítica da informação, e o desenvolvimento dessa capacidade é essencial para que o futuro docente/pesquisador possa refletir de maneira aprofundada tanto sobre a particularidade do seu trabalho quanto sobre a totalidade na qual este se insere. Essa totalidade há de ser vista como múltipla e plural, razão pela qual a formação da capacidade reflexiva é também uma preparação para a convivência intelectual com a diferença e a diversidade.

No caso da especialização, o que se espera é um domínio vertical de disciplinas ou áreas de estudos, tanto em termos de informação quanto no sentido dos procedimentos metodológicos. A diversificação do saber em todas as áreas incentiva a especialização como a melhor opção de acompanhamento do ritmo do progresso do conhecimento. A complexidade das pesquisas setoriais e o crescimento rápido da bibliografia específica praticamente impõem como inevitável a especialização, mesmo que em algumas áreas do conhecimento (como é o caso da filosofia) ela represente por vezes - e se levada à exacerbação - uma restrição indesejável.

A profissionalização deverá ser vista, no seu melhor perfil, como um vínculo entre a instituição e a sociedade, se entendermos que a preparação profissional necessita ser governada por parâmetros predominantemente sociais, a fim de que o profissional possa integrar-se produtivamente na comunidade. No caso da universidade pública, essa vinculação entre profissionalismo e cidadania deve ser o requisito básico de preparação para o mundo do trabalho, até porque sabemos que nas empresas de ensino de terceiro grau adotam-se critérios que estão bem longe dessa perspectiva.

Assim, a demanda social é sentida como pressão ou conflito quando existe um descompasso - uma lacuna que deve ser preenchida - entre o ideal de formação ou profissionalização proposto pela instituição e as possibilidades reais de realização desse ideal nas condições presentes, concretas e socialmente dadas.

Existem demandas sociais, portanto, que são sentidas pelo Departamento como pressões sociais. Elas são basicamente de duas ordens:

(a) pressões sobre a graduação. São decorrentes da falência do ensino médio tanto público como privado e do consequente não cumprimento dos objetivos que deveriam ser realizados pelo ensino-médio, que não propicia mais a formação de um cidadão capaz de decidir autonomamente com base num conjunto de conhecimentos considerados básicos, sem os quais o indivíduo não tem acesso à cultura, à ciência etc. nem, de modo mais prosaico, à informação relevante para moldar sua ação.

O resultado desse quadro é o total despreparo dos estudantes que ingressam na universidade: expressão oral desordenada; dificuldade de interpretação e de redação de textos; ausência do hábito da leitura (trata-se de uma habilidade que é ensinada pela repetição); desconhecimento espantoso da geografia, da história e da literatura (empobrecimento da memória); conhecimentos científicos imprecisos e fragmentados, gerando incompreensão das relações entre esses conhecimentos e impossibilitando perspectivas multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares; no caso de um bom número de estudantes que se dirigem para as ciências humanas, insuficiência nas operações lógico-conceituais, em alguns casos, até mesmo dificuldades nas operações concretas, ligadas à aritmética, geometria e álgebra; conhecimentos limitados de línguas estrangeiras. De um ponto de vista estritamente acadêmico, esses aspectos podem ser tomados como causas parciais da evasão que ocorre no curso de filosofia, embora se possa acrescentar que a mesma vem diminuindo nos últimos anos.

Este é o ponto para tratar de uma importante questão ligada ao documento da Pró-Reitoria de Graduação, intitulado "Avaliação da Graduação da USP" - Of. CA/02/2003. Segundo esse documento elaborado pela Câmara de Avaliação da Graduação, "a relação candidato/vaga no vestibular é um indicador quantitativo, que realça a sintonia do curso com as expectativas da sociedade" (p. 6). Mais adiante, ao tratar do problema da evasão, o referido documento afirma:

"No tocante à evasão, levantou-se a hipótese de que, a despeito da escolha dos cursos, muitos alunos não os concluem devido a baixa motivação que, antes do ingresso, era elevada (basta verificar o indicador candidato/vaga no vestibular) e, ao longo da vida acadêmica, se dilui, ocasionando um alto índice de reprovações em disciplinas e um posterior abandono" (p. 8).

A evasão não pode ser explicada exclusivamente por motivos psicológicos, mas deve ser relacionada às carências de formação do ensino médio, principalmente no que diz respeito às ciências humanas e em especial à filosofia, disciplina praticamente ausente do currículo escolar do segundo grau.

(b) pressões sobre a pós-graduação e a pesquisa. Essas pressões são externas à Instituição mater, mas repercutem internamente nas partes e órgãos da instituição. (1) As agências de financiamento à pesquisa: FAPESP, CAPES, CNPq, FINEP etc. que pressionam de modo variado, que não cabe detalhar aqui, na direção de uma maior velocidade de titulação em detrimento da qualidade dessa formação; (2) pró-reitorias de pós-graduação e de pesquisa com suas políticas de formação de quadros profissionais e de pesquisa científica e tecnológica ou com suas políticas orçamentárias.

Cabe lembrar, a título de conclusão, que o Departamento procura preservar sua autonomia sem isentar-se do atendimento das demandas institucionais e sociais de forma mais ampla.

 

a.2. A missão formadora do Departamento de Filosofia

Desde o início, a preocupação fundamental do Departamento de Filosofia foi com o rigor dos estudos filosóficos, contrapondo-se ao ambiente intelectual do país que, principalmente na primeira metade do século XX, caracterizava-se por certa fluidez e abuso da retórica, bem como pela importação não crítica de novidades européias. Os primeiros professores franceses, construtores iniciais de nossa tradição, pautavam o trabalho pela análise das idéias a partir de leitura rigorosa dos textos, mormente clássicos. Tal viés de formação marca até hoje o estilo de trabalho de Departamento de Filosofia e tornou-se paradigma para vários núcleos universitários de filosofia que se constituíram posteriormente.

Essa busca de excelência aflora também numa preocupação conexa: a formação de uma terminologia filosófica em português, que viesse a contribuir para o aprimoramento dos textos e do intercâmbio de idéias. Nesse sentido foram sumamente preciosos os aportes terminológicos oriundos de traduções realizadas por docentes desse Departamento, trabalho intensificado nos anos 70 e 80, e que continua até hoje, sempre perseguindo a mesma finalidade, qual seja, a de constituir em português um vocabulário filosófico fundado no conhecimento rigoroso das línguas de origem e numa reflexão filológica competente, capaz de atingir a pertinência das equivalências vocabulares e a fidelidade ao sentido original.

O que se conseguiu assim estabelecer nesses últimos cinco ou seis decênios foi um estilo de reflexão filosófica efetivamente formadora de um pensamento rigoroso, constituindo assim uma tradição acadêmica na área cujo mérito é amplamente reconhecido nacional e internacionalmente. Isso está refletido na produção do Departamento. As exigências de rigor expressaram-se desde logo em monografias e estudos que, deixando de lado o amadorismo ensaístico de um intelectualismo superficial, vigente em épocas passadas, trilharam o caminho da precisão analítica, do estudo criterioso das fontes e da originalidade da reflexão, constituindo-se alguns como marcos referenciais da maior importância.

E sem dúvida o motivo maior dessa confluência de resultado está na ênfase dada ao rigor da pesquisa, não apenas no sentido do trabalho de investigação teórica desenvolvido pelos docentes, mas também no que toca às exigências feitas aos estudantes, desde a graduação, no sentido de transmitir-lhes esse requisito básico da formação. Por isso podemos dizer que o Departamento de Filosofia logrou obter um equilíbrio bastante estável entre a pesquisa e o ensino, associando-os concretamente na definição de um trabalho filosófico de alto nível e compatível com as mais elevadas exigências universitárias.

Acreditamos que esse perfil formador, constituído pelas mais estritas relações entre ensino e pesquisa, é a grande contribuição desse Departamento, e o propósito de poder mantê-lo e aprimorá-lo institucionalmente é o que anima todos os nossos esforços para que o Departamento atue de forma cada vez mais fiel a esses parâmetros.

De modo geral, pode-se dizer que as demandas sociais a que está constrangido o Departamento de Filosofia se organizam em torno de dois eixos: (1) o eixo da formação - que inclui (a) a formação básica da graduação e (b) a formação de pesquisadores e professores de nível superior; e secundariamente (2) o eixo da cultura e extensão - formação de produtores, divulgadores e críticos culturais que possam atuar nos setores de informação, de eventos culturais e de conselhos ético-profissionais, bem como formação cultural mais ampla de profissionais de outras áreas a qual se expande para o público interessado na cultura.

No primeiro eixo, o Departamento de Filosofia tem como desideratum geral dedicar-se à formação de cidadãos competentes em suas avaliações morais e socialmente responsáveis e capazes de agir autonomamente, vale dizer, de maneira crítica, respeitando a diversidade e visando a uma sociedade mais justa e democrática. A efetivação desse desideratum tem em vista a constituição de dois contingentes: em primeiro lugar, aqueles que seguirão na filosofia como profissionais, o que quer dizer, farão um curso de pós-graduação, dedicar-se-ão à pesquisa e ao ensino superior nas universidades públicas e privadas do país; em segundo lugar, aqueles que recebem uma complementação cultural e humanística a sua formação profissional ou especializada anterior ou atuam como produtores em outras esferas da cultura.

Cabe comentar a ausência no eixo de formação do Departamento de Filosofia da formação de professores para o ensino médio, de modo que também este contingente pudesse ser profissionalizado. A razão é fundamentalmente histórica e está ligada à reforma do ensino empreendida pela ditadura militar nos anos 60 e 70 e que, no bojo de um ataque geral às ciências humanas e deliberadamente à memória cultural e histórica da nação, baniu do ensino médio, daquilo que deveria proporcionar a formação geral e de base do cidadão brasileiro, as ciências humanas - história, geografia, sociologia e filosofia, substituídas por um amálgama confuso denominado "educação moral e cívica", ao mesmo tempo em que promoveu uma expansão do ensino médio público e privado na direção da profissionalização técnica. Mesmo depois das sucessivas reformas empreendidas nas décadas posteriores, a filosofia continuaria excluída da grade obrigatória das disciplinas do ensino médio. Isso gerou, em virtude das considerações iniciais, uma ausência, modulada pela regulamentação e organização institucional do ensino, de demanda social por professores de filosofia para o ensino médio. Como se poderá comprovar mais adiante, parte das metas e das ações previstas no presente projeto pedagógico visam induzir uma demanda social por professores de filosofia e criar um terceiro contingente de formação, a saber, daqueles formados em filosofia que se dedicarão ao ensino médio (meta de longo prazo - 10 anos; ações continuadas e sistemáticas a serem implantadas a curto prazo - 2 anos).

Evidentemente o núcleo da missão formativa do Departamento de Filosofia está na formação de pesquisadores e professores de nível superior. Com um corpo docente altamente qualificado, o Departamento de Filosofia mantém um programa de pós-graduação nos níveis de mestrado, doutorado e pós-doutorado, por meio do qual é responsável pela formação acadêmica de um número significativo de professores de filosofia das universidades públicas e privadas do país.

O incentivo à pesquisa na graduação se dá através do Programa de Iniciação Científica do Departamento de Filosofia e do PET de Filosofia. A iniciação científica tem como principais características o trabalho orientado por um professor, tendo em vista especificamente a elaboração de uma monografia, e a dedicação exclusiva ao estudo. O PET, por sua vez, é um Programa de Tutoria: envolve o acompanhamento global e personalizado das atividades escolares e da formação intelectual, em sentido amplo, dos bolsistas. Ambos devem refletir-se num melhor aproveitamento das disciplinas em geral, auxiliando inclusive na elevação do nível de trabalho discente em sala de aula. Além da elaboração de uma monografia e/ou de um projeto de mestrado, durante pelo menos quatro semestres de sua participação, os estudantes integram seminários organizados pelo PIC ou pelo PET e/ou, a critério do tutor ou do orientador, devem participar dos seminários especializados mantidos pelo Departamento e das atividades extraordinárias pertinentes, como assistir conferências, participar de colóquios etc. Todos os professores do Departamento orientam graduandos. Ambos os Programas organizam o processo de seleção, público e coletivo, segundo um calendário fixo, para bolsistas de diversas modalidades (PIBIC, PET, da Faculdade) e o Programa de Iniciação Científica pode incluir também bolsistas de outras agências (em especial da Fapesp) e orientandos não-bolsistas. Nos últimos dez anos, há, em média, 50 orientandos por ano. Os estudantes participam de dois colóquios anuais: o Seminário Internacional de Iniciação Científica da USP e o Encontro de Pesquisa em Filosofia na Graduação, já na sua sétima edição e que conta com a participação de um grande número de graduandos em Filosofia de todo o Brasil. Os trabalhos apresentados são publicados nos cadernos Primeiros Escritos.

A pesquisa tem-se desenvolvido em torno das quatro áreas do Departamento. Do ponto de vista organizacional, podemos destacar nos últimos anos a formação de grupos de pesquisa e a implementação de projetos temáticos. Fiel ao princípio da indissociabilidade entre ensino e pesquisa, o Departamento procura, desde a graduação, proporcionar aos alunos condições de elaboração e de desenvolvimento de projetos, tal como ocorre no Programa de Iniciação Científica. Vale acrescentar que estes grupos constituídos mantêm intercâmbio com vários núcleos de pesquisa filosófica no país, principalmente aqueles que são reconhecidos como centros de excelência. Além disso, o Departamento busca contatos regulares com universidades e centros de pesquisa estrangeiros, o que tem resultado em inúmeros convênios e outras formas de intercâmbio. A presença rotineira de professores visitantes nas diversas áreas do Departamento tem contribuído para a diversificação e o aprimoramento da pesquisa, principalmente na pós-graduação. Por outro lado, cabe mencionar também que professores e alunos do Departamento têm realizado estágios no exterior, aí compreendidas atividades de pesquisa e de docência. Toda esta atividade redunda em um número significativo e crescente de publicações no Brasil e no exterior.

O principal gargalo nas atividades de pesquisa do Departamento de Filosofia é a insuficiência da Biblioteca da Faculdade. É verdade que nos últimos dez anos, em especial, houve uma notável melhora de suas condições de funcionamento e um significativo crescimento do acervo, devidos, em boa medida, aos recursos aportados pela FAPESP e, em grau bem menor, pelas agências de fomento federais. Ainda assim, continuamos muito longe do mínimo necessário para garantir o desenvolvimento da pesquisa. Como o acesso bibliográfico é condição sine qua non de nosso trabalho e a Biblioteca equivale ao "laboratório" básico de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, é imperioso que receba a atenção e os investimentos necessários.

A Biblioteca não atende à demanda dos professores, cuja pesquisa tem se desenvolvido graças a acervos pessoais e viagens ao exterior. Só pode atender muito parcialmente às necessidades dos estudantes de graduação, o que exigiria um número inviável de duplicatas, uma vez que as classes de Graduação estão superlotadas por mais de uma centena de estudantes. Algumas das dificuldades anteriormente encontradas foram em grande parte superadas. Por exemplo, o acesso ao material bibliográfico e a comunicação nacional e internacional foram altamente facilitados pela instalação da rede eletrônica. As novas instalações da biblioteca também representam uma importante realização que atende diariamente a numerosos estudantes, pesquisadores e professores.

O Departamento de Filosofia mantém-se permanentemente atento para a renovação e atualização do acervo da Biblioteca. Destacamos o último Relatório da Comissão de Avaliação Externa da FFLCH, composta por professores brasileiros e estrangeiros, que ressaltou a “alta qualidade do acervo e da oferta de serviços” da Biblioteca da Faculdade de Filosofia, segundo padrões de nível internacional. A verba orçamentária para aquisições da Biblioteca é de aproximadamente R$ 600 mil reais, majoritariamente destinada à compra de periódicos. Recentemente, recebeu-se uma verba extraordinária de R$ 250 mil reais para restauro e higienização do acervo. No momento, a USP destina R$ 41 milhões de reais seu orçamento anual às bibliotecas. Note-se o quanto ainda é modesta a parcela da Biblioteca da Faculdade de Filosofia, quadro que estamos empenhados em reverter.

O eixo da cultura e extensão está evidentemente entrelaçado com o eixo da formação. Com efeito, não só o segundo contingente é atingido pelo ensino da filosofia desenvolvido no Departamento, mas também o primeiro contingente, pois os estudantes ao tornarem-se pesquisadores e professores guardam o sentido e orientação da escola, tornando-se também produtores culturais, contribuindo significativamente para a criação e manutenção de um público filosófico.

O Departamento de Filosofia sempre teve um forte vínculo com a cultura e a política da cidade de São Paulo, que pode ser atestado por vários exemplos significativos. Além de alguns docentes assinarem textos para catálogos de exposições em artes plásticas, cabe lembrar ainda a constante presença de vários outros nos mais importantes órgãos da imprensa local, escrevendo sobre as mais diferentes questões, o que tem contribuído para o aperfeiçoamento do debate intelectual nas mais distintas áreas da cultura.

No plano das relações dos estudos filosóficos com a sociologia e a política, o direito e a economia, é importante mencionar as atividades desenvolvidas pelo CEBRAP, centro de pesquisa fundado por um grupo de professores da USP, entre os quais o Prof. Dr. José Arthur Giannotti, que ocupou a presidência do centro e vem liderando os trabalhos de pesquisa que ali se realizam, com a colaboração de docentes do Departamento.

Em meados dos anos 70, o Prof. Dr. Oswaldo Porchat, liderando um grupo de professores cuja maioria era do Departamento, fundou na UNICAMP o Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE), que logo se notabilizou como centro de excelência internacional nas áreas de lógica, espistemologia e de estudos interdisciplinares.

No campo especificamente político, não se pode deixar de referir que, de 1989 a 1992, a Profa. Dra. Doutora Marilena Chaui exerceu as funções de Secretária Municipal de Cultura e, entre outras coisas, promoveu, por ocasião das comemorações do bicentenário da Revolução Francesa, o grande evento “Cidade, Cidadão, Cidadania”, aliás coordenado por outro professor do Departamento de Filosofia, o Prof. Dr. Sérgio Cardoso.

Nos anos 1960, especialmente os trabalhos do Prof. Dr. Bento Prado Jr. sobre Rousseau criaram uma tradição de reflexão filosófica sobre a literatura, o que contribuiu não apenas para aproximar o Departamento das escolas de Letras da USP e de outras universidades, mas igualmente para aprofundar sua relação com a realidade brasileira, pois ninguém ignora que a literatura sempre exerceu um papel central em nossa cultura.

Em 1993, os docentes do Departamento fundaram a Discurso Editorial, sociedade civil sem fins lucrativos que visa ao desenvolvimento de atividades de apoio à docência e à pesquisa em filosofia, artes, letras e ciências humanas em diversas modalidades: tradução de livros de autores clássicos e de comentadores, produção de textos, desenvolvimento de projetos culturais nas áreas de mídia escrita e televisionada, cinema (curtas e longas metragens) CDs e vídeos, promoção de cursos, conferências, seminários, colóquios, congressos e outros.

Dentre as principais realizações da Discurso Editorial, cabe destacar:

1. Produção e administração do Jornal de Resenhas, publicado mensalmente na Folha S.Paulo desde 03/04/95, em convênio com a Universidade de São Paulo, Universidade Estadual Paulista, Universidade Estadual de Campinas, Universidade Federal de Minas Gerais, Folha de S. Paulo. Por intermédio de textos produzidos pelos maiores especialistas acadêmicos brasileiros, o Jornal de Resenhas vem cobrindo uma parte significativa do que se publica no Brasil em filosofia, ciências e artes.

 

2. Projeto: Clássicos e Comentadores, tradução brasileira de obras clássicas, comentadas por ensaístas e especialistas ligados ao departamento de filosofia da USP. Os principais títulos desta coleção:

Paradoxo do espetáculo, de Luiz Roberto Salinas Fortes com apoio Fapesp.

O Tirano e a Cidade, de Newton Bignotto;

Sociologia Comteana: Gênese e Devir, de Lelita Benoït, com apoio Fapesp;

Gênese e estrutura da fenomenologia do espírito de Hegel, de Jean Hyppolite, traduzido por Silvio Rosa e uma equipe de pesquisadores de história da filosofia contemporânea do Departamento de Filosofia da USP;

Desafios da escrita política, de Claude Lefort, traduzido por Eliana de Melo Souza;

Dizer o mundo, de Francis Wolff, traduzido por Alberto Alonzo Muñoz;

Aristóteles e a política, de Francis Wolff, traduzido por Lygia Araújo Watanabe e Thereza Christina Ferreira Stummer;

Hegel e a sociedade, de Pierre Macherey e H. Lefebvre, traduzido por Lygia Araújo Watanabe e Thereza Christina Ferreira Stummer;

Esses livros que se lêem com uma só mão. Leitura e leitores de livros pornográficos no século XVIII, de Jean-Marie Goulemot, traduzido por Maria Aparecida Corrêa;

Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo ptolomaico e copernicano, de Galileu Galilei, com tradução, introdução e notas de Pablo Rubén Mariconda.

 

3. Coleção Sendas & Veredas, Com o intuito de abrir novas frentes para os estudos sobre a filosofia de Nietzsche, o Grupo de Estudos Nietzsche (GEN) e a Discurso Editorial traz ao público brasileiro a Coleção “Sendas & veredas” todos em co-edição com a Editora UNIJUÍ.

Em parceria com o Departamento de Filosofia, a Discurso Editorial vem publicando:

Revista Discurso - revista do Departamento de Filosofia da USP (32 números).

Cadernos Nietzsche - publicação do Departamento de Filosofia da USP (14 números).

Cadernos de Tradução - publicação do Departamento de Filosofia da USP. (8 números).

Cadernos de Filosofia Alemã - publicação do Departamento de Filosofia da USP (8 números).

Cadernos Espinosanos - publicação do Departamento de Filosofia da USP. (9 números).

Cadernos de Ética e Filosofia Política - publicação do Departamento de Filosofia da USP (5 números).

Cadernos Wittgenstein - publicação do Departamento de Filosofia da USP. (2 números).

Rapsódia – Almanaque de Filosofia e Arte – publicação do Departamento de Filosofia da USP (2 números).

Ciência & Filosofia – publicação do Departamento de Filosofia da USP (6 números).

Épistémologiques - publicação do Departamento de Filosofia da USP em convênio com a Universidade de Paris VII – França. Saíram três números.

Scientiae Studia – Estudos de Filosofia e História da Ciência – publicação do Departamento de Filosofia da USP (3 números).

 

Por fim, ao lado das dificuldades apontadas, lembre-se, como exemplo de iniciativa recente bem sucedida, a do Centro Cultural Maria Antônia, que vem de organizar a nova “Biblioteca Gilda de Mello e Souza”, tendo como núcleo inicial a doação do acervo de Dona Gilda, primeira professora de Estética Departamento de Filosofia. Trata-se de uma biblioteca temática, focada em artes plásticas e que, nos próximos anos, pretende reunir entre 15 a 20 mil títulos (a continuidade da composição do acervo será feita através de projeto específico a ser enviado à FAPESP).

A concepção, direção e planejamento da nova biblioteca está a cargo de professores do Departamento de Filosofia.

 

2. As áreas da pesquisa filosófica

2.1. Apresentação do estado atual da pesquisa nas áreas

A estrutura curricular do Departamento de Filosofia está assentada, desde seus primórdios, sobre duas grandes áreas principais: (I) a área histórica , que compreende o conjunto de matérias de História da Filosofia; (II) a área temática, que compreende o conjunto das disciplinas temáticas (outrora chamadas de “normativas”), como Lógica e Filosofia da Linguagem, Ética e Filosofia Política, Teoria das Ciências Humanas, Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência, Estética e Filosofia da Arte. A despeito das subdivisões que foram sendo criadas e a despeito da crescente especialização, o Departamento tem procurado guardar fidelidade ao princípio de integração e equilíbrio entre as diversas disciplinas, mantendo ao longo do tempo inalterado o desenho de sua edificação original. Segue-se uma descrição detalhada da forma de atuar de cada disciplina.

(I) Área histórica

(a) História da Filosofia Antiga

A área de História da Filosofia Antiga apresenta características muito especiais. De um lado, ela está no início da filosofia, isto é, no início de uma atitude intelectual que se desenvolveu no Ocidente e que até hoje constitui sua marca fundamental, agora sob a forma privilegiada de ciência. Como a disciplina filosófica recorrentemente volta ao seu passado para aí buscar sua justificação, a filosofia antiga, em especial a filosofia grega clássica (na qual as figuras de Platão e Aristóteles preponderam) funciona como uma espécie de fonte à qual recorrem insistentemente as tendências mais modernas e não raramente antagônicas da filosofia. Por outro lado, os estudos de história da filosofia antiga naturalmente levam ao contato com outras áreas, como a filologia, a lingüística, a história, a sociologia e a história das ciências e das técnicas, a fim de constituírem todas o domínio comum dos estudos clássicos.

Deve-se salientar que a filosofia renovou-se, no século passado, mais uma vez, mediante uma intensa discussão com a filosofia antiga; sinal disso é o espetacular avanço dos estudos clássicos em língua inglesa, justamente lá onde ocorreu boa parte das inovações na área da filosofia contemporânea. Atualmente, os estudos em filosofia antiga tendem a se repartir nos seguintes ramos: (a) filosofia pré-socrática; (b) filosofia platônica; (c) filosofia aristotélica; (d) helenismo; (e) filosofia em língua latina. Na USP, as áreas mais representadas são (b) filosofia platônica, (c) filosofia aristotélica e (d) helenismo, em especial na versão do ceticismo. Estas três áreas correspondem aos interesses centrais dos três professores que trabalham na área, profs. Mário Miranda Filho, Roberto Bolzani Filho e Marco Zingano, bem como respondem a uma certa tradição de estudos na área, da qual o maior representante é seguramente prof. Porchat, professor emérito deste departamento. Convém, no entanto, enfatizar que os temas postos em relevo por estes pesquisadores são metafísica, ética e epistemologia, abordados em particular mediante autores dos três períodos mencionados, mas obviamente sem descurar os outros períodos em função do tema analisado. Com efeito, nestes três temas há atualmente uma renovação importante nos estudos filosóficos em geral, e esta renovação se faz, como era de se esperar, se não por uma reapropriação dos Antigos, pelo menos com uma menção privilegiada a eles.

Nos últimos anos, consolidou-se entre nós o intercâmbio com importantes centros de pesquisa. Professores de universidades européias e americanas têm freqüentemente visitado a USP para discussão de temas em filosofia antiga. Deve-se assinalar, a este respeito, que provêm de centros de diferentes inspirações e métodos, como a ENS-rue d’Ulm, Oriel College ou Louvain-la-Neuve, de modo que o departamento de filosofia funciona como um lugar privilegiado no qual distintas tendências logram dialogar a respeito de temas de filosofia antiga.

É decisão da área manter um forte intercâmbio com centros nacionais e estrangeiros de pesquisa em filosofia antiga, pois estamos convictos que a filosofia depende em bom grau da discussão que tais intercâmbios fomentam. Neste sentido, desde 2001 encontra-se constituído um grupo temático com apoio da FAPESP, intitulado Ética e Metafísica em Aristóteles, mas com a ambição de, a partir da filosofia aristotélica, abranger o inteiro campo da filosofia antiga. Este grupo temático organiza anualmente colóquios internacionais, além de promover a discussão regular sobre temas de filosofia antiga. Em especial, deve-se salientar que ele fortalece o contato que sempre existiu entre a USP e a UNICAMP, tornando-o agora sistemático, e, deste modo, criando o mais importante pólo nacional de estudos em filosofia antiga.

b) História da Filosofia Patrística e Medieval

A área de estudos de História da Filosofia Patrística e Medieval é a mais recente do Departamento, tendo sido implementada a partir da década de noventa. Sem detrimento do empenho de diversos outros professores do Departamento para sua consolidação, ela conta, no momento, com três especialistas: Prof. Dr. José Carlos Estêvão, Prof. Dr. Moacyr Novaes e Prof. Dr. Lorenzo Mammì (este último recém-contratado). Os principais temas de estudo são a obra de Agostinho e a tradição nominalista medieval.

O foco de atuação tem sido a formação de estudantes. Em primeiro lugar, pelo desenvolvimento de uma programação de cursos de Graduação capaz de lhes permitir um contato efetivo com este período da História da Filosofia. Em segundo lugar, pela orientação de pós-graduandos. Desde meados da década de noventa, foram defendidas seis teses (incluindo as dos professores da casa) e doze dissertações (sete das quais orientadas pelos professores da área). Houve ainda onze iniciações científicas, oito delas sob orientação daqueles mesmos professores. Estão em andamento seis doutorados (um dos quais em regime de co-tutela: Paris IV, Sorbonne), três mestrados e três iniciações científicas. Tal processo de formação, visando, em especial, criar a necessária massa crítica, apresentou resultados positivos, embora de qualidade desigual. Mesmo assim, pode-se dizer que o padrão de nossos melhores trabalhos não é apenas correto, mas bastante original em relação à produção internacional.

Dadas as condições particularmente lentas de maturação do pesquisador na área, ainda não foi possível iniciar uma política consistente de publicações. Quanto ao caráter ainda incipiente de implantação da disciplina, cumpre lembrar, para ficar num exemplo próximo, que a organização da Sección de Estudios de Filosofia Medieval da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires remonta aos anos sessenta e conta com mais de dez especialistas.

Embora não se esteja vivendo, no plano internacional, um período particularmente fecundo para a História da Filosofia Patrística e Medieval (diferentemente do que ocorreu, por exemplo, em meados do século XX), ainda assim os contatos internacionais têm sido freqüentes, de bom nível e fortemente seletivos, ou seja, cada vez mais direcionados a pesquisadores estrangeiros com os quais seja possível estabelecer relações de trabalho de mão dupla.

Em termos nacionais, o Departamento de Filosofia da USP aparece como uma exceção, quer pelo padrão acadêmico, quer pelo número de professores e de estudantes. A introdução da disciplina de Medieval nos currículos de graduação (aliás, uma particularidade brasileira) tem propiciado intensa demanda de professores especialistas, mas a grande maioria dos departamentos de Filosofia, mesmo nas boas universidades, restringiu-se à contração de um único docente capacitado, número por certo insuficiente para proporcionar condições mínimas à implantação de estudos na área, em especial na pós-graduação, sem falar dos custos dos investimentos em infra-estrutura de pesquisa.

Os professores de História da Filosofia Patrística e Medieval da USP têm participado ativamente da estruturação da disciplina tanto no âmbito estadual, com a organização do Centro de Estudos de Filosofia Patrística e Medieval de São Paulo (CEPAME) — que congrega grande parte dos especialistas das universidades paulistas e que mantém suas atividades, sem interrupção, desde o início dos anos noventa —, quanto no âmbito nacional, com a organização do Grupo de Trabalho de Filosofia Medieval da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF), cujo núcleo é composto por professores de universidades paulistas, da UFRGS, da UFMG e da UNB, entre outras.

O amadurecimento da área de estudos em Filosofia Patrística e Medieval depende em boa medida da continuidade dos esforços realizados pelo Departamento de Filosofia da USP, o que implica, além de uma política de publicação, prever também a contratação de pelo menos dois professores nos próximos cinco anos. Isso se faz necessário porque, embora estejam relativamente supridas as demandas específicas do curso de graduação, ainda será preciso cobrir as principais correntes do pensamento medieval. É forçoso lembrar que, em História da Filosofia Medieval, a diversidade das heranças platônica e aristotélica, bem como a fértil contribuição dos pensadores árabes, exige uma ampliação do conjunto das disciplinas, a fim de que se possa dar minimamente conta do amplo e variado leque de temas e autores de um período que se estende por mais de mil anos.

Tal amplitude demanda também um suporte bibliográfico extraordinariamente vasto. Apesar do enorme avanço dos últimos dez anos, a Biblioteca da FFLCH permanece particularmente pobre nesse item. Viagens internacionais de professores e estudantes têm servido para suprir apenas as carências imediatas, mas a deficiência ainda é notória.

Dificuldades locais e restrições materiais impedem ainda a implantação de um programa de pós-doutoramento que agregue, em curto prazo, um conjunto mais expressivo de pesquisadores, em especial estrangeiros.

c) História da Filosofia Moderna

c.1) História da Filosofia Moderna I

Na grade curricular de nossa graduação, a disciplina de História da Filosofia Moderna I sempre ocupou uma posição privilegiada no diálogo não apenas com as disciplinas temáticas como também com as outras áreas da História da Filosofia. Daí sua presença constante no início do curso. Devido a esta importância histórica e didática, praticamente todos os professores do Departamento foram levados a discutir e dominar as questões colocadas pela modernidade, tanto na sua vertente racionalista, centrada no pensamento cartesiano, quanto no chamado “empirismo inglês”, particularmente em Berkeley e Hume. Isto fez que por muito tempo esta área, central na História da Filosofia e na tradição do Departamento, permanecesse com apenas um representante no corpo docente, a Profa. Dra. Marilena Chaui, e por isso manteve-se com a colaboração sistemática de professores de outras áreas. O que porém não impediu que a USP se mantivesse como centro de referência para os estudos de filosofia moderna no Brasil, tendo sido responsável pela formação de muitos dos especialistas da área que hoje atuam em outras universidades.

Nos últimos dez anos, todavia, os estudos de filosofia moderna ganharam novo perfil e nova orientação, sobretudo em decorrência da constituição do Grupo de Estudos do Século XVII e dos trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado de seus membros. Cabe destacar que o Grupo está vinculado à Associação Nacional de Estudos Filosóficos do Século XVII, que congrega especialistas de várias universidades brasileiras e realiza colóquios internacionais bienais. O próprio grupo já organizou dois destes encontros internacionais:III Colóquio Internacional de Estudos Filosóficos do Século XVII: Cartas filosóficas, científicas e literárias: o papel da correspondência (1999), V Colóquio Internacional de Estudos do Século XVII: Experiência e Razão no Século XVII (2003), além de diversos Encontros e Jornadas regionais e nacionais. As atividades do Grupo também contaram com cursos e conferências de vários professores estrangeiros como Bernard Pautrat (École Normale Supérieure), Michel Malherbe (Université de Nantes), Jean Marie Beyssade (Université de Paris IV), Paolo Cristofolini (Scuola Normale Superiore di Pisa), entre outros. Note-se ainda que os Cadernos Espinosanos, publicação iniciada pelo grupo em 1997 para divulgar estudos sobre o pensamento seiscentista, já estão em seu décimo número. No fim de 2002, as atividades do grupo assumiram a forma de um projeto temático da FAPESP.

No trabalho desenvolvido a partir da criação do Grupo, o estudo do latim, língua da maior parte das grandes obras filosóficas do século XVII, tornou-se uma preocupação central, como aliás manda a tradição do Departamento de leitura dos filósofos no original. A isto associou-se a tematização da retórica moderna, da concepção seiscentista de “letras”, do conceito moderno de história e de ciência, dos debates jurídico-teológicos Reformados e Contra-reformados, assim como de suas conseqüências éticas e políticas. Este novo instrumental trouxe grande rigor filológico, histórico e crítico para os novos trabalhos, dando à área de Moderna um perfil bastante definido. Os dois claros conquistados no ano passado para a área visam trazer aos cursos de graduação e pós-graduação do Departamento profissionais com o referido perfil, independentemente de terem realizado suas formações na USP ou fora dela. Um destes claros foi recentemente preenchido pelo Professor Dr. Luís César Oliva. Mesmo com o segundo concurso, porém, a área pode ter novas carências, dado que a Profa. Dra. Marilena Chaui já completou seu tempo de aposentadoria. Sendo assim, uma nova vaga nos próximos cinco anos é fundamental para não comprometer o estabelecimento deste novo perfil da área.

c.2) História da Filosofia Moderna II

Como uma das partes constituintes da área de História da Filosofia Moderna, esta disciplina contempla o estudo da filosofia de Kant aos pós-kantianos, entre os quais se incluem nomes como Reinhold, Jacobi, Schulze, Maimon, Fichte, Schelling, Hegel, Schopenhauer e, também, em certo sentido, Kierkegaard.

Até meados da década de noventa, a disciplina contava entre seus mestres formadores figuras de muita importância para a interpretação do pensamento do período, como Gerard Lebrun, Rubens Rodrigues Torres Filho e Paulo Eduardo Arantes. Hoje, ela não tem nenhum docente dedicado exclusivamente à área, e os cursos são ministrados por professores de outras áreas (geralmente formados por aqueles primeiros), como, por exemplo, Filosofia Contemporânea, Teoria das Ciências Humanas e Estética. Por força dessas circunstâncias, também as teses de mestrado e doutorado sobre questões ligadas ao período (ainda em número expressivo, contrariando as expectativas), são orientadas por esses mesmos professores. Apesar de todo o esforço para suprir essa deficiência, é notório que tal se faz em prejuízo das próprias atribuições dos docentes e do desenvolvimento consistente da área.

d) História da Filosofia Contemporânea

A área de História da Filosofia Contemporânea desperta um interesse natural em estudantes e pesquisadores, visto que nela devem ser analisados e discutidos os problemas da atualidade. Tradicionalmente, no Depto. de Filosofia da USP, essa área deveria abrigar os grandes autores e temas do período compreendido entre Hegel e nossos dias. Mas é evidente e crescente a defasagem entre aquilo que a área deveria proporcionar e o trabalho efetivamente realizado, seja em oferta de cursos, seja no desenvolvimento de pesquisas. O trabalho de fato desenvolvido tem se centrado na obra de Bergson, na filosofia de Nietzsche, e na fenomenologia husserliana, com seus desdobramentos francêses, como Sartre e Merleau-Ponty, mas não com seus desdobramentos alemães como, por exemplo, Heidegger. As aposentadorias do Prof. Paulo Eduardo Arantes e do Prof. Ruy Fausto fizeram com que, desde então, a área não pudesse mais oferecer cursos sobre temas que vão de Hegel a Marx e adjacências. E a área nunca contou com especialistas na filosofia contemporânea de linhagem anglo-saxã, o que deixa os estudantes à margem de um bom número de debates da atualidade. Assim, seria essencial para a área de História da Filosofia Contemporânea recuperar as especialidades que perdeu em virtude de aposentadorias, bem como expandir seu campo de trabalho para domínios que, em virtude da formação de seus docentes, ela efetivamente nunca pôde tratar.

Fundado em 1996, o Grupo de Estudos Nietzsche reúne estudiosos brasileiros do pensamento do filósofo alemão. As atividades do Grupo estão voltadas principalmente para a publicação da Coleção “Sendas e Veredas” e dos Cadernos Nietzsche e para a promoção dos Encontros Nietzsche. A coleção propõe-se a apresentar títulos expressivos da produção brasileira sobre a filosofia nietzschiana, traduções comentadas de escritos do filósofo ainda inexistentes em português e editar textos de pensadores contemporâneos seus. Os Cadernos Nietzsche foram concebidos como um fórum de debates das múltiplas questões levantadas pela reflexão nietzschiana. Os Cadernos Nietzsche já se encontram no número 15. Em parceria com outros departamentos de filosofia brasileiros, os Encontros Nietzsche ocorrem nos meses de maio e setembro e já contaram com a participação de pesquisadores de Portugal, da Argentina, do Chile e da Colômbia. O Grupo mantém parcerias internacionais com a Nietzsche Society, com a American Nietzsche Society, com a British Nietzsche Society, com a Stiftung Nietzsche-Haus in Sils Maria, com a Stiftung Weimarer Klassik.

II) Área Temática

a) Lógica e Filosofia da Linguagem

A importância e a complexidade das disciplinas de Lógica e de Filosofia da Linguagem no pensamento contemporâneo tornam hoje indispensável uma formação mais aprofundada, já no nível da graduação.

No que diz respeito à Lógica, a área deveria oferecer regularmente em sua grade curricular de graduação duas disciplinas de lógica elementar (uma obrigatória e outra optativa), uma disciplina optativa de metateoremas básicos, uma disciplina de história da lógica e uma de filosofia da lógica. Em nível de pós-graduação, seria importante poder oferecer disciplinas como introdução à teoria dos modelos, introdução à teoria de conjuntos, introdução à teoria da prova, lógicas não-clássicas, história da lógica e filosofia da lógica.

Com a saída do Prof. Newton da Costa e com a aposentadoria do Prof. Armando Mora de Oliveira, a oferta regular dos cursos de Lógica atualmente constantes do currículo, já então difícil, ficou altamente prejudicada.

Na Filosofia da Linguagem, a situação também se agravou. Embora na graduação seja oferecido apenas um curso (optativo) de Filosofia da Linguagem, mandam a tradição e o entendimento do Departamento que os cursos de História da Filosofia Contemporânea, de Filosofia Geral e de Introdução à Filosofia sejam também franqueados ao estudo dos principais autores nessa matéria, como Austin, Searle, Frege, Russell, Wittgenstein, Carnap e Quine.

A área corre ainda sério risco de ficar restrita a apenas dois docentes, o Prof. Dr. João Vergílio Cutter e a Profa. Dra. Andréa Loparic, caso o Prof. Dr. Luis Henrique Lopes dos Santos tome a decisão de requerer aposentadoria.

b) Ética e Filosofia Política

Se observarmos que o lema, talvez mais fundamental, que presidiu as orientações pedagógicas e da pesquisa na formação do Departamento de Filosofia foi, certamente, o de que “o ensino da filosofia deverá ser primeiramente histórico” para ser, em seguida, “mais contemporâneo”, e o de que tal ensino se faz pela leitura rigorosa, frequentação e meditação dos textos dos grandes filósofos, compreenderemos que o ensino que oferecemos tenha se organizado segundo o eixo da “História da Filosofia” e se pautado por cursos “monográficos” de interpretação dos clássicos em suas grandes obras. Podemos verificar ainda que a implantação deste eixo central, através de cursos regulares e o estabelecimento de referências mais constantes, começou pelas áreas de Filosofia Antiga (Grécia clássica) e Moderna (questões metafísicas e epistemológicas de Descartes a Kant e aos pós-kantianos), prolongou-se nos cursos de Filosofia Contemporânea (Hegel, pós-hegelianos e fenomenologia ) e , mais recentemente, de Filosofia Medieval , restando, portanto, ainda, o estabelecimento de um ensino mais substantivo e regular no domínio da filosofia helenística e romana bem como de sua retomada renascentista, o caldo de cultura filosófica que , ao lado da neo-escolástica, abre para as questões dos modernos.

Ao lado deste grande eixo vemos o desenvolvimento de disciplinas voltadas para domínios especiais de investigação e pautadas por interesses mais temáticos, como a Teoria do Conhecimento e Filosofia das Ciências, Lógica e Filosofia da Arte. Os estudos de Ética e Filosofia Política apresentaram, no entanto, um percurso peculiar. Razões culturais e históricas bem determinadas – além da eminência da chamada Filosofia Prática na História da Filosofia – deram a este domínio uma relevância de primeira ordem na formação oferecida pelo Departamento na própria rotina dos cursos de História da Filosofia, dedicados freqüentemente a filósofos ou obras clássicas da disciplina, seja em função do interesse de seus temas, seja por motivos éticos ou políticos. Os exemplos são muitos. Vão dos cursos sobre a República de Platão ou sobre as Éticas de Aristóteles, na área de Antiga, àqueles sobre a moral cartesiana, os Tratados de Espinosa ou a reflexão ética e política de Kant, sem contar os casos ainda mais freqüentes da abordagem destas questões nos cursos de Filosofia Contemporânea, de Hegel a Marx, a Sartre ou Merleau-Ponty. Tudo isto permitiu a muitos estudantes uma formação bastante razoável neste domínio, como ocorreu com os próprios docentes atuais da disciplina.

Ora, em função desse respaldo – relativamente fortuito, mas constante – dado pelas disciplinas de História da Filosofia, a área de Ética e Política pode , em grande medida, desvencilhar-se do compromisso com muitas de suas referências e interesses - autores e temas – clássicos (a questão dos regimes de governo ou das constituições políticas, a natureza do discurso político, a tradição jurídica, os grandes temas da ética antiga ), para se limitar a um horizonte que poderíamos, em certo sentido, denominar temático, aquele das doutrinas contratualistas dos séculos XVII e XVIII e seus ambientes intelectuais específicos -- o jusnaturalismo moderno e a Ilustração francesa --, num esforço, amplamente justificado, de reconstituição dos fundamentos das teorias políticas modernas e dos embates entre o Liberalismo e o Marxismo.

Seguramente se admitirá que este recorte, que tem desenhado o eixo mais constante das ementas das disciplinas oferecidas pela área, permanece, hoje, incontornável e necessário; porém insuficiente, diante dos desafios que atualmente se apresentam para a reflexão ética e política. Assim, de um lado, impõe-se aprofundar e ampliar o próprio arco das questões da tradição contratualista que têm sido trabalhadas, seja no sentido de ampliar sua compreensão histórica e a abordagem de seus diversos campos temáticos (buscar uma visão mais abrangente de certas continuidades e rupturas que o jusnaturalismo moderno assinala em relação à tradição clássica ao tentar introduzir uma nova maneira de pensar a política e o direito, bem como seus vínculos com a história e com as reflexões sobre a história do Renascimento à Ilustração, entre outras questões), seja no sentido de examinar suas implicações nas discussões contemporâneas da Política e do Direito (direção em que autores como Hannah Arendt, Raymond Aron, Leo Strauss, Michel Villey, Claude Lefort, Giorgio Agamben mostram-se indispensáveis para a compreensão das novas formas de inserção no espaço do direito e da conquista da cidadania, devendo, pois, estar necessariamente presentes nas ementas de nossas optativas). De outro lado, é preciso considerar que os desafios do debate contemporâneo só poderão ser enfrentados de maneira adequada mediante uma drástica ampliação da formação que temos oferecido na direção de problemas clássicos da Filosofia Prática propostos na tradição da Filosofia Antiga. E não se trata apenas de preparar os estudantes para a apreciação crítica das recentes retomadas e aggiornamentos de perspectivas clássicas em empresas como as dos chamados Comunitaristas ou aquelas da reinterpretação do Ceticismo no plano ético e político, mas trata-se, sobretudo, de reatar,de maneira adequada e rigorosa, o vínculo indissociável da disciplina com autores e problemas que constituem o fio mais fundamental das idéias e práticas que a tradição ocidental denomina éticas e políticas. O intento aqui não é, evidentemente, a erudição ou a simples recapitulação das doutrinas, mas a certeza sobre sua aptidão para alimentar e iluminar a reflexão, num momento em que parece esgotar-se o processo das rupturas modernas.

Considerando ainda que nossas disciplinas de História da Filosofia – por motivos diversos e justificados – têm tendido a se concentrar nas questões metafísicas e epistemológicas da Filosofia, a área de Ética e Política entende chamar a si a tarefa de fornecer de maneira apropriada e regular a formação histórica indispensável nos domínios de sua tradição específica. Enfim, a área de Ética e Política, sem negligenciar o trabalho que tem desenvolvido, pretende agora caminhar progressivamente na direção de um ensino mais articulado com a reflexão contemporânea e naquela de uma retomada mais abrangente e consistente de seus clássicos, dos Antigos ao Renascimento. Contamos, assim, poder oferecer regularmente ao menos uma disciplina de formação mínima voltada para autores e questões “pré-modernos” e outra dedicada aos “modernos”, além de um leque de optativas capaz de permitir aos estudantes interessados uma real abertura para a reflexão contemporânea, alicerçada, porém, no discernimento crítico de suas bases conceituais e históricas.

c) Teoria das Ciências Humanas

O sentido da estrutura curricular do curso de filosofia da USP parece-nos estar posto em um balanço entre os estudos de história da filosofia em suas épocas canônicas e as disciplinas temáticas tradicionais da filosofia: filosofia teórica, filosofia prática e estética.

Consoante o desenvolvimento do Departamento, essa estrutura básica nos parece permanecer inalterada, ao mesmo tempo em que especificações e subdivisões disciplinares se fizeram necessárias. Nesse sentido entendemos, por exemplo, a divisão de Filosofia Moderna em duas disciplinas, mas também a criação da disciplina de Teoria das Ciências Humanas, que tinha o sentido de fazer face à crescente ramificação de tarefas no âmbito da filosofia teórica, que já contava, então, com a Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência e com a disciplina de Lógica.

Nesse contexto, a Teoria das Ciências Humanas tinha a incumbência de cobrir o amplo espectro de problemas vinculados ao que se convencionou chamar genericamente de filosofia social, especificada, entretanto, segundo a perspectiva de uma reflexão sobre os fundamentos e os resultados das diversas disciplinas das Ciências Humanas.

Na qualidade de subdivisão do domínio da filosofia teórica, a disciplina de Teoria das Ciências Humanas propõe-se a apresentar em profundidade a reflexão filosófica sobre as disciplinas clássicas, notadamente as disciplinas das Ciências Sociais, da Economia, do Direito, da História, da Psicologia e da Psicanálise. Nesse sentido, responde ao processo de diferenciação que a filosofia enfrentou nos dois últimos séculos e que levou ao surgimento de uma gama de subdivisões disciplinares e de domínios especiais de reflexão.

O ponto de referência desse processo de diferenciação parece-nos estar posto mais amplamente na reflexão sobre a passagem das sociedades tradicionais para as sociedades modernas e na reflexão sobre o processo de modernização social daí resultante. Nesse sentido, entendemos que a variedade da reflexão nessa área tem como horizonte mais geral a referência a uma teoria da modernidade e a uma teoria da modernização capitalista. Por essa razão, os autores que se põem como referências clássicas para a disciplina são Marx, Weber e Durkheim, cujas obras tornam possível entender os desdobramentos, prolongamentos, críticas e reformulações presentes na teoria social contemporânea.

É de se notar que um tal ponto de referência aponta para uma preeminência da Sociologia, da Teoria Política e da Economia na estrutura da disciplina, o que está certamente ligado à própria história da implantação da universidade no Brasil e, em particular, da criação da FFLCH da USP. Mas esse ponto de referência não deve de modo algum obscurecer, entretanto, a importância das perspectivas da Psicologia, da Psicanálise, da História e do Direito no tratamento dos problemas. Observe-se, aliás, que não se trata apenas de perspectivas importantes, mas de perspectivas teóricas sem a quais a reflexão em torno da Teoria das Ciências Humanas tende hoje a tornar-se parcial ou mesmo irrelevante em alguns casos. Lembremos ainda como uma reflexão filosófica sobre a Teoria das Ciências Humanas deve ser sensível à problematização contemporânea do conceito de sujeito, assim como à discussão epistemológica sobre o regime de objetividade próprio à análise de funções intencionais ligadas à subjetividade. O destino da categoria de sujeito e a especificidade de seus regimes de objetividade é uma discussão maior no campo das ciências humanas. Daí porque a área atualmente se abre também para discussões vinculas à epistemologia da psicanálise e da psicologia. Nesse sentido, a ampliação temática e disciplinar no âmbito da Psicologia, da Psicanálise, da História e do Direito, impõe-se no momento atual, segundo nosso diagnóstico, como premente.

Tal preocupação com a ampliação temática e disciplinar deve continuar a ser fomentada nos próximos anos, com novas contratações, inclusive, de modo a poder ampliar os horizontes para problemas de fundamentação da soberania na contemporaneidade (em especial de novas abordagens italianas e francesas freqüentemente negligenciadas), para elementos de uma nova teoria do poder em suas conseqüências sociais e culturais, bem como para investigações sobre temáticas da psicologia e da psicanálise em seus diversos níveis de abordagem teórica.

A história da disciplina de Teoria das Ciências Humanas no Departamento, bem como o desejo de ampliação do seu alcance e de suas temáticas parece-nos igualmente mostrar desde já que a perspectiva crítica em relação ao conhecimento produzido no âmbito das ciências humanas se desdobra nos aspectos da crítica da cultura, da crítica da sociedade e da crítica da ciência. Momento em que surgem importantes afinidades da disciplina de Teoria das Ciências Humanas com disciplinas da filosofia prática, notadamente com a Ética e Filosofia Política, das quais se distingue, todavia, tanto em virtude de seu domínio teórico como de sua perspectiva analítica.

Com a aposentadoria da Profa. Dra. Olgaria Matos, a área conta com três professores: Prof. Dr. Rolf Kuntz, Prof. Dr. Ricardo Ribeiro Terra e Prof. Dr. Wladimir Safatle.

Por fim, em vista do exposto, acreditamos justificada a solicitação da disciplina para que lhe sejam concedidos três novos claros, a fim de estar em condições de realizar o projeto de expansão temática que será essencial para estar à altura dos desafios teóricos contemporâneos na área de Teoria das Ciências Humanas.

d) Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência

Na área de Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência, os estudos são conduzidos de modo multidisciplinar, buscando integrar a pesquisa filosófica sobre os fundamentos da ciência e a análise histórica e social do empreendimento científico. Assim, as questões clássicas da epistemologia são examinadas segundo diferentes perspectivas, que envolvem tanto a argumentação filosófica como as realizações científicas mais relevantes da época.

Procura-se salientar, de forma crítica e pluralista, a análise de problemas filosóficos centrais acerca do conhecimento e da ciência. Temas relativos à racionalidade científica, ao debate realismo/anti-realismo, aos modelos de mudança científica, à explicação, à confirmação etc. são considerados à luz da tradição filosófica e exemplificados mediante o estudo de casos históricos. As teorias da decisão racional e da solução de problemas são examinadas segundo diversos modelos e aplicadas em diferentes contextos.Tem-se em vista também a interpretação de conceitos básicos como espaço, tempo, matéria, espécie, composto químico etc. na evolução histórica e cultural do pensamento científico.

Além disso, tornam-se cada vez mais urgentes as questões éticas e políticas implicadas pelo avanço científico e tecnológico: a preservação do meio ambiente, o uso de transgênicos na agricultura, a clonagem etc.

Os estudos dos problemas filosóficos da física contemporânea têm-se dado em quatro frentes: física clássica, mecânica quântica, relatividade & cosmologia e física estatística. Uma primeira questão de relevância para a pesquisa filosófica é a das interpretações das teorias físicas, que têm gerado bastante atividade e perspectivas de pesquisa para os estudantes iniciantes e para os pesquisadores avançados. A discussão sobre as diferentes teorias da ciência tem envolvido uma investigação aprofundada do modelo reticulado de racionalidade científica de Laudan e sua aplicação a diferentes episódios da física do século XX. Além disso, tem-se desenvolvido uma nova abordagem à teoria da ciência baseada em modelos causais entre unidades de conhecimento. Esse modelo está sendo aplicado para a história da física da eletricidade e magnetismo, o que é relevante também para a vertente de pesquisa em história filosófica da ciência.

A área conta atualmente com quatro professores: Prof. Dr. Pablo Rubén Mariconda, Prof. Dr. José Raimundo Novaes Chiappin, Prof. Dr. Caetano Ernesto Plastino e Prof. Dr. Osvaldo Frota Pessoa Jr. e possui uma tradição de trabalho em equipe que remonta a meados dos anos 80. Atualmente conta com dois programas institucionais: o Programa PET dirigido pelo Prof. Dr. Caetano Ernesto Plastino e o Projeto Temático Fapesp – Estudos de história e filosofia da ciência – dedicado principalmente ao estudos das revoluções científicas e dirigido pelo Prof. Dr. Pablo Rubén Mariconda.

A área publica também três periódicos científicos: Ciência e Filosofia, em conjunto com outros departamentos da FFLCH; o periódico nacional Scientiae Studia – Estudos de Filosofia e História da Ciência, com periodicidade trimestral e três números publicados até o momento; e o periódico internacional Epistémologiques – Philosophie, Sciences et Histoire, publicado conjuntamente pelo Departamento de Filosofia e pela Université de Paris 7 – Denis Diderot, com periodicidade semestral e três números publicados até o momento.

e) Estética e Filosofia da Arte

A Estética consta da grade curricular do curso de Filosofia desde a fundação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, em 1934. A partir dos anos sessenta e setenta, constitui-se duas linhas principais de atuação: uma mais voltada para a análise do objeto artístico (pintura, escultura, arquitetura, música, obra literária etc.) e outra direcionada para o estudo da reflexão filosófica sobre a arte. Hoje, as atividades de docência e pesquisa se dividem em duas: uma, voltada para o estudo da importância dos tratados de retórica antiga para a compreensão dos objetos das artes plásticas e outra voltada para a investigação das diferentes maneiras pelas quais a apreciação estética, a atividade criadora e a obra artística são tematizadas ao longo da história da filosofia.

Esse é o traço peculiar da disciplina Estética e Filosofia da Arte do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, que a diferencia de congêneres no país e no exterior. Em universidades importantes do exterior e do Brasil (como a UNB, a UFSC, a UNICAMP e a UFRJ), o curso nem sempre existe ou é concebido como disciplina pertinente aos cursos de Artes, Arquitetura etc. Algo mais próximo ao que é feito aqui começa a se delinear no Departamento de Filosofia da UERJ. A área de Estética do Departamento de Filosofia da UFMG direciona seus trabalhos principalmente para a abordagem de temas da estética contemporânea. É imprescindível lembrar que, no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, a disciplina de estética já contou, num mesmo período (a partir de 1990), com número bem maior de professores efetivos (seis), mais um professor-pesquisador habilitado a orientar mestres e doutores. Hoje a área está reduzida a quatro professores.

O projeto idealizado para a disciplina tem-se revelado fértil de um duplo ponto de vista: o da rigorosa formação acadêmica e o de uma formação mais ampla, que se poderia chamar de “reflexão crítica”. A aposta intelectual que norteia o projeto se revelou acertada: é somente pelo saudável recuo aos autores clássicos, de Platão e Aristóteles a Kant e Hegel, passando por pensadores não menos vigorosos como Voltaire, Diderot e Rousseau, que se poderá melhor compreender a arte contemporânea. Como nas demais áreas do Departamento, frutos não menos substanciosos dessa semeadura crítica têm sido as traduções de textos de autores relevantes da reflexão estética, como o Discurso sobre a Poesia Dramática, de Denis Diderot, a Filosofia da Arte, de Schelling, e o curso completo da Estética de Hegel (estes dois últimos pela Edusp).

Com o intuito de consolidar esse núcleo de investigação, é conveniente completar as lacunas de três períodos da história da reflexão filosófica sobre a arte. É indispensável, em primeiro lugar, a contratação de um professor pesquisador cuja especialidade seja a estética do empirismo inglês, que se ocupe de autores como Shaftesbury, Hutcheson, Addison, Burke, Henri Home (Lord Kames), Alexander Gérard e David Hume. Desnecessário lembrar que esses autores influenciaram toda a estética do século XVIII e XIX, não só na Grã-Bretanha, mas também na França e na Alemanha. Uma outra carência na área é a de um professor que se dedique à estética contemporânea (de Nietzsche aos nossos dias). Em terceiro lugar, um especialista em poética e retórica na Antiguidade.

 

2.2. Apresentação das linhas de desenvolvimento e expansão das áreas

Em todas as áreas do Departamento é necessário pensar as condições de continuidade e de desenvolvimento do ensino e da pesquisa, respeitando-se as peculiaridades de cada setor.

1) De modo geral observam-se lacunas decorrentes de um desenvolvimento de estudos que tornou mais complexas todas as disciplinas. Nesse sentido, a diversidade e complexidade presentes em todas as disciplinas exigem uma ampliação das possibilidades de tratamento dos temas, do ponto de vista das especialidades, embora considerando sempre a necessidade de articulação interna às disciplinas e entre elas.

2) Nas disciplinas de História da Filosofia notam-se carências em termos de autores e períodos históricos.

Com a aposentadoria da Profa. Dra. Lígia Watanabe, que se dedicou sobretudo ao estudo da filosofia pré-socrática, a História da Filosofia Antiga conta atualmente com três professores: Mário Miranda Filho, Roberto Bolzani Filho e Marco Zingano. O primeiro privilegia a filosofia platônica; o segundo, a filosofia platônica e o ceticismo; o terceiro, a filosofia aristotélica. Os temas que abordam vão da ética à metafísica, passando pela lógica e epistemologia. Os estudos atuais em filosofia antiga evidenciam duas novas áreas de forte interesse, para as quais seria mais do que desejável a contratação de um pesquisador qualificado. A primeira é a filosofia helenística; a segunda, uma área bem abrangente, por vezes de contornos não definidos, que se estende da filosofia em língua latina à patrística, passando pelas escolas neoplatônicas, pelo comentário bizantino dos grandes filósofos e por sua difusão no mundo árabe. Faz-se necessária a contratação de um estudioso destas áreas, em particular do estoicismo. Naturalmente essa direção de pesquisa será desenvolvida em consonância com as disciplinas de História da Filosofia Medieval. Por peculiaridades da transmissão dessas escolas, é requerido do candidato um notável conhecimento da filosofia grega clássica, bem como o manuseio maduro das lições em filologia. Por fim, deve-se salientar a necessidade de o departamento fortalecer os estudos em filosofia grega clássica, em especial sobre o aristotelismo. A razão disso é que em boa parte a filosofia contemporânea se faz mediante uma discussão intensa com a filosofia de Aristóteles. Se olharmos para a prática de centros reputados em filosofia a fim de pautarmos nossas aspirações, é mais do que evidente o esforço que estes centros fazem para recrutar estudiosos competentes na discussão em particular da filosofia de Aristóteles. O que vale para os grandes centros vale também para USP, pelo menos enquanto desejar ser uma grande universidade: a contratação de pelo menos mais um especialista na área da filosofia grega clássica impõe-se como óbvia meta para quem quer estar no centro dos debates acadêmicos em filosofia.

Em História da Filosofia Medieval, a diversidade das heranças platônica e aristotélica, bem como a contribuição árabe, exigem uma ampliação do conjunto de disciplinas que possa recobrir satisfatoriamente o elenco de temas e autores considerados essenciais no período.

Em História da Filosofia Moderna I, nota-se a necessidade de uma visão histórica articulada dos autores que, principalmente no século XVII, caracterizam-se pelo tratamento sistemático de questões metafísicas, científicas, éticas e políticas. Entende-se também como necessária uma ampliação da docência e da pesquisa mais diretamente vinculadas ao período renascentista, de modo a proporcionar uma visão mais adequada do nascimento dos temas e da articulação histórica presente nas divisões convencionais da periodização. Na História da Filosofia Moderna II, que trata do período compreendido entre a filosofia crítica kantiana e o chamado Idealismo Alemão (filosofia pós-kantiana que podemos convencionalmente estender até Schelling), a pluralidade dos temas e a importância da configuração cultural que então se desenha, justifica a ampliação da disciplina para que possa haver uma compreensão mais aproximada do valor estratégico do romantismo alemão na formação do pensamento moderno.

Em História da Filosofia Contemporânea as ausências mais significativas estão no início do que convencionalmente denominamos período contemporâneo, ou seja, a filosofia de Hegel e de Marx e adjacências; e no âmbito do pensamento mais atual, representado por autores como Foucault e Deleuze. Além dessas prioridades, consideramos também necessário reforçar o tratamento dos temas ligados à Fenomenologia e Filosofia da Existência: a importância dos assuntos afetos a essa temática justifica que se ampliem as possibilidades do alcance da disciplina nessa direção. O mesmo se aplica à vertente crítico-genealógica representada por Nietzsche e Freud e prolongamentos atuais, bem como as decorrências históricas do positivismo e seu entorno crítico no século XIX e início do século XX, sobretudo na França.

O sentido da estrutura curricular do curso de filosofia da Universidade de São Paulo parece-nos estar posto em um balanço entre os estudos de história da filosofia em suas épocas canônicas e as disciplinas temáticas tradicionais da filosofia: filosofia teórica, filosofia prática e estética.

Consoante o desenvolvimento do Departamento, essa estrutura básica nos parece permanecer inalterada, ao mesmo tempo em que especificações e subdivisões disciplinares se fizeram necessárias.

Tais especificações e divisões decorrem, à semelhança do ocorrido nas disciplinas de História da Filosofia, do desenvolvimento de estudos em várias direções, do que resultou uma diversidade complexa que deve ser contemplada pelas disciplinas temáticas.

No sentido de poder vir a ter um trabalho de pesquisa na área de Lógica, faz-se necessário prover uma formação básica continuada por meio de uma oferta de disciplinas específicas tanto em graduação como em pós-graduação. São as seguintes as disciplinas de graduação: duas de formação em lógica elementar, uma de metateoremas básicos, uma de história da lógica e uma de filosofia da lógica. Na pós-graduação, seria importante oferecer as disciplinas de: introdução à teoria de modelos, introdução à teoria de conjuntos, introdução à teoria da prova, lógicas não clássicas, história da lógica e filosofia da lógica. A Filosofia da Linguagem tem ocupado um lugar de destaque na filosofia contemporânea. Por motivos históricos, entretanto, essa disciplina encontrou limitações no Departamento. Há apenas uma disciplina optativa cujo professor está em vias de aposentar-se.

A área de Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência necessita ampliar seu leque de possibilidades, que até aqui tem privilegiado as ciências físicas, na direção de um tratamento mais aprofundado de questões ligadas à filosofia das ciências da vida (biologia, medicina), das ciências da Terra (geologia, ecologia, etc.), à filosofia da técnica e da tecnologia. Com isso a área amplia seu caráter interdisciplinar, podendo oferecer disciplinas mais voltadas para as diferentes áreas científicas. Considera-se também a necessidade de estabelecer de forma mais firme um certo teor de discussão vinculado à Epistemologia Geral, contemplando questões contemporâneas mais propriamente ligadas à Teoria do Conhecimento.

Na qualidade de subdivisão do domínio da filosofia teórica, a disciplina Teoria das Ciências Humanas propõem-se a apresentar em profundidade a reflexão filosófica sobre as disciplinas clássicas, notadamente as disciplinas das Ciências Sociais, da Economia, do Direito, da História e da Psicologia. Nesse sentido, responde ao processo de diferenciação que a filosofia enfrentou nos dois últimos séculos e que levou ao surgimento de uma gama de subdivisões disciplinares e de domínios especiais de reflexão. Nas condições contemporâneas, em que as questões de sociabilidade, soberania, justiça, direito e poder requerem alargamento, redefinição e criação de conceitos, é necessário à Teoria da Ciências Humanas ampliar seus parâmetros de pensamento, de maneira a efetuar a crítica presente.

Em Ética e Filosofia Política, o recorte que tem desenhado o eixo constante das ementas das disciplinas oferecidas pela área permanece incontornável e necessário, mas insuficiente, diante dos desafios que se apresentam atualmente para a reflexão ética e política. Com efeito, mudou o panorama do mundo, bem como o da filosofia política. Os referenciais aos quais remete a filosofia política clássica, entendida como a modernidade e chegando até Marx, foram sendo postos em xeque nos últimos anos. Não é mais possível pensar a política em torno da idéia de Estado Nacional. Os temas da cidadania, da democracia e da república precisam ser repensados. Não podemos deixar que essas questões sejam contempladas apenas na ciência política. Assim, de um lado, impõe-se ampliar o próprio arco das questões da tradição contratualista, seja no sentido de aprofundar sua compreensão histórica e a abordagem de seus diversos campos temáticos, seja no sentido de examinar suas implicações nas discussões contemporâneas da política e do direito. De outro lado, é preciso considerar que os desafios do debate contemporâneo só poderão ser enfrentados de maneira adequada mediante uma ampliação do que temos oferecido na direção dos problemas clássicos da Filosofia Prática propostos pela Filosofia Antiga.

No caso de Estética, para reforçar a atual concentração de estudos e com o intuito de consolidar um núcleo de investigação sólido e coeso, seria conveniente, em primeiro lugar, a contratação de um professor pesquisador cuja a especialidade fosse a estética do empirismo inglês, que se ocupasse com autores como Shaftesbury, Hutcheson, Burke e Hume. Essa contratação suprimiria tanto uma carência da área bem como complementaria as investigações dos demais professores, de tal modo que se possa dizer que a estética do século XVIII e início do XIX estará contemplada em suas principais vertentes: a inglesa, a francesa e a alemã. Uma outra carência da área é a de um professor que se dedique à estética contemporânea, ou seja, que investigue a estética filosófica do século XX. A contratação de um professor com esse perfil irá suprimir uma lacuna na área, sentida principalmente pelos alunos que reclamam cursos que discutam a situação da arte atual reatando com uma tradição de estudos da área. Em terceiro lugar, seria um enriquecimento para os estudos da área de estética a presença de um professor que tratasse da poética e da retórica na Antiguidade.

3. Egressos e Ingressantes

3.a. Egressos

O curso de Filosofia da USP considera importante obter informações sobre a trajetória profissional do egresso e a confrontação com a formação recebida. Isso pode promover a relação ensino/aprendizado na inserção do formando no mercado de trabalho, bem como orientar as diretrizes pedagógicas. A relação com os ex-alunos ocorre principalmente por meio de palestras que são oferecidas regularmente no âmbito do Departamento. É importante ressaltar a abertura que o Departamento possui em relação aos seus ex-alunos. Talvez faltasse ainda uma política mais direcionada no que se refere a um cadastro de ex-alunos, a fim de que se possa saber mais precisamente a situação atual dos mesmos. É de interesse que os próprios egressos estreitem o convívio iniciado na universidade, permeando experiências e construções de parcerias.

Principais áreas de atuação dos ex-alunos:

- Cerca de 15% a 20% dos alunos seguem carreira acadêmica, isto é, fazem a pós-graduação (mestrado e doutorado), a fim de atuarem em instituições públicas e particulares de ensino superior;

- Aproximadamente 10% atuem no ensino médio. Esse número ainda é muito baixo, tendo em vista o empenho do curso em relação à licenciatura. No entanto, a questão salarial ainda é um impedimento.

- Uma grande parcela dos ex-alunos seguem diferentes carências profissionais, principalmente quando formados no período noturno. Isso porque o curso de filosofia muitas vezes é o segundo curso superior que esse aluno realiza;

- Por fim, cabe ressaltar que muito dos ex-alunos atuam em áreas adjacentes à filosofia, no campo das humanidades, como no jornalismo, na área cultural, museus, etc.

3.b. Ingressantes

O Departamento oferece anualmente 170 vagas para os ingressantes, através do vestibular da FUVEST. São 80 vagas para o período vespertino e 90 vagas para o período noturno. Outra forma de ingressar no departamento é através de transferências internas (alunos que estão matriculados em outros cursos da USP) e externas (alunos que estão matriculados em Filosofia, em outras instituições de ensino superior).

A intensificação do processo e massificação do ensino fundamental e médio no Brasil criou uma expressiva demanda voltada ao prosseguimento dos estudos em nível superior, que resultou num forte crescimento do contingente de alunos que têm acesso às universidades, em busca de um lugar num mercado de trabalho cada vez mais carente de profissionais qualificados. Por outro lado, a crise da escola, no ensino fundamental e médio, é claramente notada pelos professores do ensino superior, pois a preparação dos egressos não atende às necessidades da aprendizagem na universidade. A baixa qualidade do ensino da educação básica exige dos professores do curso de graduação em Filosofia da USP um grande esforço no sentido de reparar algumas deficiências de formação, especialmente no que diz respeito ao domínio da linguagem na interpretação e análise de textos. Além disso, os alunos que ingressam no curso de Filosofia da USP muitas vezes nunca assistiram a aulas de Filosofia.

Assiste-se também a uma mudança da demanda dos alunos do curso de graduação em Filosofia. Além de preparar futuros pesquisadores de pós-graduação (mestrado e doutorado) que almejam seguir a carreira acadêmica, o curso de graduação em Filosofia atende aos interesses de muitos alunos (especialmente do período noturno) que buscam uma cultura de caráter geral voltada à compreensão do mundo atual e aos problemas da sociedade moderna. Nota-se também um crescente interesse pela Licenciatura em Filosofia, pois diversas escolas públicas e privadas estão incluindo uma disciplina filosófica na sua grade curricular. Desse modo, a atual estrutura curricular da graduação em filosofia (com um amplo elenco de disciplinas optativas) não está orientada exclusivamente para a formação de especialistas que optaram pela carreira acadêmica, mas também tem em vista o desenvolvimento geral da capacidade crítica e intelectual, que possibilite uma formação ética e humanística para a vida prática.

4. Matriz Curricular do Curso, contendo distribuição de disciplinas por período (semestre ou ano).

Estrutura

Grade Curricular (Bacharelado)

Para conclusão do curso de bacharelado, o aluno deverá cumprir 150 créditos, que perfazem 3.000 horas entre disciplinas obrigatórias (96 créditos) e optativas (54 créditos), com a exigência de 36 créditos em optativas filosóficas, os demais créditos podem ser cumpridos em outros cursos da USP.

É importante salientar, que na maioria das optativas oferecidas por outros cursos não possuem o crédito-trabalho, pois é sobre elas que recaem a carga horária exigida, sendo necessário cursar o dobro de créditos-aula.

O aluno, com exceção do calouro, tem a liberdade de escolher as disciplinas que irá cursar em cada semestre, estipulando um número mínimo de 12 e máximo de 18 créditos por semestre, que impõe ao aluno um tempo mínimo de 4 e um máximo de 8 anos para conclusão do curso.

Disciplinas Optativas

Deverá cumprir 36 créditos entre as disciplinas oferecidas pelo Departamento de Filosofia. Os outros 18 créditos podem ser cumpridos em outros cursos da USP.

Carga Horária Semestral

Em cada período letivo, o aluno deverá se matricular em disciplinas que totalizem, no mínimo de 12 créditos/aula e no máximo de 18 créditos/aula, entre disciplinas do bacharelado e licenciatura. O aluno é dispensado dessa exigência somente nos casos em que não têm disciplinas suficientes para cursar, por estar em fase de conclusão de curso (último ano) ou por impedimento decorrente de reprovações em “disciplinas-requisitos”.

Obs.: não é necessário fazer estágio ou trabalho de conclusão de curso.

 

Estrutura Curricular

Curso de Bacharelado em FILOSOFIA

código

Disciplinas Obrigatórias

Semestre ideal

Pré-Requisitos

Créditos

Carga Horária

FLF0113

FLF0115

Introdução à Filosofia

Introdução à Filosofia I

---

---

12

06

240

120

FLF0114

FLF0116

Filosofia Geral

Filosofia Geral I

---

---

12

06

240

120

FLF0258

FLF0218

FLF0228

FLF0268

FLF0238

FLF0239

FLF0388

FLF0248

FLF0368

FLF0278

Lógica I

Estética I

História da Filosofia Antiga I

História da Filosofia Medieval I

História da Filosofia Moderna I

História da Filosofia Moderna II

Ética e Filosofia Política I

História da Filosofia Contemporânea I

Teoria do Conhec. e Fil. da Ciência I

Teoria das Ciências Humanas I

3º ou 5º

4º ou 6º

4º ou 6º

5º ou 7º

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0238

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

       

96

1920 horas

OPTATIVAS FILOSÓFICAS

   

FLF0259

FLF0219

FLF0229

FLF0269

FLF0389

Lógica II

Estética II

História da Filosofia Antiga II

História da Filosofia Medieval II

Ética e Filosofia Política II

 

FLF0258

FLF0218

FLF0228

FLF0268

FLF0388

06

06

06

06

06

120

120

120

120

120

FLF0249

FLF0369

FLF0279

História da Filos. Contemporânea II

Teoria do Conhec. e Fil.da Ciência II

Teoria das Ciências Humanas II

 

FLF0248

FLF0368

FLF0278

06

06

06

120

120

120

FLF0358

FLF0415

FLF0441

FLF0470

FLF0471

FLF0442

FLF0443

FLF0444

FLF0445

FLF0448

FLF0449

FLF0461

FLF0462

FLF0463

FLF0464

FLF0465

FLF0468

FLF0470

FLF0471

FLF0478

FLF0479

FLF0481

Filosofia da Lógica

História da Filosofia Antiga III

Filosofia Geral III

Seminário de Pesquisa em Filosofia I

Seminário de Pesquisa em Filosofia II

História da Filosofia Moderna III

História da Fil. Contemporânea III

Lógica III

Teoria do Conhec. e Fil.da Ciência III

Filosofia e História da Ciência Antiga

Filosofia e Hist.da Ciência Moderna

Filosofia da Linguagem

Teoria das Ciências Humanas III

Ética e Filosofia Política III

Filosofia da Arte

Estética III

História da Filosofia Medieval III

Seminários de Pesquisa em Filosofia I

Seminários de Pesq. em Filosofia II

Questões de Ensino de Filosofia

Filosofia Geral II

História da Filosofia Moderna IV

 

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

Pré-requisitos*

FLF0113/FLF0114

FLF0113/FLF0114

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

06

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

120

 

créditos-aula

créditos-trabalho

carga horária

14 Disciplinas obrigatórias

64

32

960 aula + 960 trabalho: 1920 horas

09 Disciplinas optativas filosóficas

36

18

540 aula + 540 trabalho: 1080 horas

Total

100

50

1500 aula + 1500 trabalho: 3000 horas

                 

Carga horária: 01 crédito/aula: 15 horas - 01 crédito/trabalho: 30 horas

*Pré-requisitos: 

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0218 Estética I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0228 História da Filosofia Antiga I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0238 História da Filosofia Moderna I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0248 História da Filosofia Contemporânea I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0278 Teoria das Ciências Humanas I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0368 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência I

Ou

FLF0113 Introdução à Filosofia/FLF0114 Filosofia Geral/FLF0388 Ética e Filosofia Política I

 

 

Estrutura Curricular
Licenciatura em Filosofia

Grade Curricular

Disciplinas Obrigatória

 

créd. aula

créd. trab.

CH

CE

CP

AACA

1º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

0801001

Atividades Acadêmico-Científico-Culturais I (AACC I)

0

0

0

 

 

 

Subtotal

0

0

0

 

 

 

2º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

0801002

Atividades Acadêmico-Científico-Culturais II (AACC II)

0

0

0

 

 

 

EDA0463

Política e Organização da Educação Básico no Brasil

4

1

90

 

20

20

Subtotal

4

1

90

 

20

20

3º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

0801003

Atividades Acadêmico-Científico-Culturais III (AACCIII)

0

0

0

 

 

 

EDM0402

Didática

4

1

90

 

20

20

EDM0423

Metodologia do Ensino de Filosofia I

4

2

120

 

120

 

Subtotal

8

3

210

 

140

20

4º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

0801004

Atividades Acadêmico-Científico-Culturais IV (AACCIV)

0

0

0

 

 

 

EDM0424

Metodologia do Ensino de Filosofia II

EDM0423 (Requisito)

4

2

120

 

120

 

FLF0485

Estágio Supervisionado de Licenciatura

3

2

105

 

100

 

Subtotal

7

4

225

 

220

 

Disciplinas Optativas Eletivas

 

 

 

 

 

 

1º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

EDF0285

Introdução aos Estudos de Educação: Enfoque Filosófico

4

0

60

 

20

 

EDF0287

Introdução aos Estudos de Educação: Enfoque Histórico

4

0

60

 

20

 

EDF0289

Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Sociológico

4

0

60

 

20

 

2º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

EDF0290

Práticas Escolares, Contemporaneidade e Processos de Subjetivação

4

1

90

 

20

20

EDF0292

A Psicologia Histórico-Cultural e a Compreensão do Fenômeno Educativo

4

1

90

 

20

20

EDF0294

A Psicanálise, Educação e Cultura

4

1

90

 

20

20

EDF0296

Psicologia da Educação: Uma Abordagem Psicossocial do Cotidiano Escolar

4

1

90

 

20

20

EDF0298

Práticas Escolares, Diversidade e Subjetividade

4

1

90

 

20

20

Disciplinas Optativas Livres

 

 

 

 

 

 

4º Período Ideal

 

 

 

 

 

 

0801005

Atividades Práticas em Filosofia

0

0

0

 

0

0

Legenda:
CH= Carga horária total
CE= Carga horária de estágio
CP= Carga horária de Práticas como Componentes Curriculares
AACA= Carga horária em Atividades Acadêmicos-Científico-Culturais

 

 

 

 

 

 

 

 

OBSERVAÇÔES:

Informações Básicas do Currículo:

O Bacharelado é requisito para a conclusão da Licenciatura.

Duração: Ideal:       8 semestres

               Mínima:   8 semestres

               Máxima   16 semestres                                                                                                   

Carga horária:

Aula

Trabalho

Total

Obrigatória

285

240

525

Optativa Livre

0

0

0

Optativa Eletiva

120

0

120

Total

405

240

645(Estágio: 400)

 

Informações Específicas:

Do elenco de disciplinas eletivas abaixo, o aluno deverá cursar uma das disciplinas eletivas oferecidas pela Faculdade de Educação:

 

Introdução aos Estudos da Educação:

EDF0285 - Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Filosófico

EDF0287- Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Histórico

EDF0289 – Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Sociológico

 

Psicologia da Educação:

Pelo conjunto das disciplinas eletivas oferecidas pela FE, o aluno deverá escolher uma das seguintes:

EDF0290 – Psicologia da Educação: Subjetividade, Pós-Modernidade e Cotidiano Escolar.

EDF0292 – A Psicologia Histórico Cultural e a Compreensão do Fenômeno Educativo.

EDF0294 - A Psicanálise, Educação e Cultura

EDF0296 – Psicologia da Educação: Uma Abordagem Psicossocial do Cotidiano Escolar

EDF0298 – Práticas Escolares, Diversidade, Subjetividade.

 

Disciplinas Obrigatórias:

2 semestres de Metodologia do Ensino:

Metodologia do Ensino I: 4+2= 6 (60h/a – 60h/trab) = 120h

Metodologia do Ensino II: 4+2= 6 (60h/a – 60h/trab) = 120h

1 semestre de Didática:

EDM0402 Didática: 4+1= 5 (60h/a – 30h/trab) = 90h

1 semestre de POEB:

EDM0463 Política e Organização da Educação Básica no Brasil: 4+1= 5 (60h/a – 30h/trab) = 90h

 

Atividades de Estágio:

O aluno deverá cumprir 400 horas de estágio (300 horas na Faculdade de Educação + 100 horas na disciplina FLF0485 Estágio Supervisionado de Licenciatura).

Atividades Acadêmico-Científico-Culturais (AACC):

O aluno deverá cumprir 200 horas em “atividades acadêmico-científico-culturais” inscrevendo-se nas seguintes disciplinas:

0801001 – Atividades Acadêmico-Científico-Culturais I,

0801002 – Atividades Acadêmico-Científico-Culturais II

0801003 – Atividades Acadêmico-Científico-Culturais III,

0801004 – Atividades Acadêmico-Científico-Culturais IV.

 

Práticas como Componentes Curriculares (PCoc):

Será computada a carga horária de 400 horas aos alunos que cumprirem os créditos em disciplinas do Bacharelado destinadas para esse fim.

 

 

DISCIPLINAS DA ESTRUTURA CURRICULAR DE FILOSOFIA

(EMENTAS E BIBLIOGRAFIA)

DISCIPLINAS:

- FLF0113 Introdução à Filosofia

Disciplina Obrigatória: destinada aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: sem

Carga horária: 240h

Créditos: 12

 

Objetivos :

Abordagem introdutória de temas e autores estratégicos para a compreensão do que sejam questões filosóficas. Platão: nascimento de um novo saber; dialética e teoria do conhecimento; Idéia e verdade. Aristóteles: a estrutura intelegível e objetividade; o saber como sistema. Visão preliminar de intersecções temáticas, por via de autores escolhidos: relação entre saber e poder; verdade e moralidade; razão e história.

 

Conteúdo:

1 - Curso Expositivo: "Metafísica e Método em Descartes"

a) A dúvida hiperbólica e a moral provisória;

b) O cogito: o primado do pensamento

c) A veracidade de Deus e a origem do erro;

d) A distinção entre a alma e o corpo.

e) A união da alma e do corpo e as paixões.

2 - Curso expositivo: "Metafísica e Crítica em Kant".

a) O ceticismo de Hume.

b) Juízos sintéticos e juízos analíticos.

c) Fenômeno e coisa em si.

d) Idéias da razão.

3. Seminários:Descartes, R., Regras para a direção do espírito. Edições 70, 1985.

a) O método cartesiano: resolução e composição.

b) A autonomia da razão.

c) Intuição e dedução.

d) Experiência versus razão.

e) O uso de modelos e hipóteses.

Hume, David., Investigação acerca do entendimento humano, São Paulo, Abril Cultural, Col. "Os Pensadores"

a) A doutrina das idéias em Hume

b) O conceito de causalidade

c) O problema da indução.

d) O papel da experiência.

 

Bibliografia

- Descartes, R. Obra Escolhida, São Paulo, Difel, 1962.

- ____, volume Descartes da Coleção ‘Os Pensadores’.

- ____, Regras para a direção do espírito, Edições 70, 1985.

- ____, Discurso do Método, Edições 70, 1987.

- ____, Princípios de Filosofia, Edições 70, 1971.

- ____, Tratado del hombre, Madrid, Ed. Nacional, 1980.

- Hume, David. Investigação acerca do entendimento humano. São Paulo, Abril Cultural, Coleção “Os Pensadores”, ou Cia. Editora Nacional 1972. (tradução e notas de Anuar Aiex.

- ____, Tratado de la naturaliza humana, Buenos Aires, Paidos, 1974.

- ____, Sumário do Tratado da Natureza Humana. Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1975 (tradução e notas de Anuar Aiex).

- Kant, Immanuel, Prolegômenos, Progressos da Metafísica, Edições 70.

- ____, Crítica da Razão Pura, Abril Cultural.

Bibliografia Complementar:

- Alquié, Ferdinand e outros, Galileu,Descartes e o mecanismo. Lisboa, Gradiva, 1987.

- Cassirer, E. El problema del Conocimiento, 4 vols.

- Clarke, D.M., La filosofia de la ciência de Descartes, Alianza Universidad, 1982.

- Cottingham, J, El racionalismo, Ed. Ariel, 1987.

- ____, A Filosofia de Descartes, Edições 70, 1990.

- Guéroult Martial, Descartes selon l’ordre des raison, 2 vols. Paris, Aubier.

- Koyré A., Considerações sobre Descartes, Lisboa, Editora Presença, 1986.

- Lebrun, G. Sobre Kant, Ed. Iluminuras.

- Marion, J.L, Sur l’ontologie grise de Descartes, Paris, Vrin, 1975.

- Monteiro, João Paulo, Hume e a epistemologia, Lisboa, Imprensa Nacional, Cada da Moeda, 1984.

- Teixeira, Lívio, Ensaio sobre a moral de Descartes, São Paulo, Faculdade de Filosofia, 1955.

 

FLF0115 Introdução à Filosofia I

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: sem

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: Crítica e reflexão: uma introdução à Crítica da razão pura de Immanuel Kant

Objetivo:

Trata-se de uma introdução ao pensamento de Kant por meio da leitura e análise de alguns textos da Crítica da razão pura

Conteúdo:

1. A época da crítica

2. Crítica e metafísica

3. A revolução copernicana

4. As fontes do conhecimento

5. Reflexão e crítica

6. As antinomias da razão

7. Liberdade e Natureza

8. A unidade sistemática da natureza

9. Crítica e método

Bibliografia

a) Obras de I. Kant

KANT, I. Kants gesammelte Schriften. Heraugegeben von der Königlich Pressischen Akademie der Wissenschaft, 23v.

______. Crítica da razão pura. Trad. Pinto & Morujão. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1987. (A tradução brasileira de Valério Rohden, publicada a partir de 1978 pela Coleção Os pensadores, também poderá ser utilizada).

______. Critica de la razón pura. Trad. De Mario Caimi. Fondo de Cultura Economica, 2010.

______. Prolegômenos a toda metafísica futura. Trad. de Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 1987.

______. Lógica. Trad. de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1992.

______. “Que significa orientar-se no pensamento”. In: A paz perpétua e outros opúsculos. Trad. de Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 2008.

b) Comentadores

ALLISON, H. Kant’s Transcendental Idealism, revised e expanded version. New Haven: Yale University Press, 2004.

CAIMI, M. “Pensamentos sem conteúdos são vazios”. In: Analytica. Rio de Janeiro, vol. 06, nº 01, 2001/2002.

COHEN, H. Kants Theorie der Erfahrung. Berlin: B. Cassirer, 1918.

DELEUZE, G. A filosofia crítica de Kant. Trad. de Germiniano Franco. Lisboa: Edições 70, 2000.

GRANDJEAN, A. Critique et reflexionEssay sur le discours kantiene. Paris : Vrin, 2009.

HEIDEGGER, M. Que é uma coisa. Trad. de Carlos Morujão. Lisboa: Edições 70, 1992.

______. Intérpretation phénomenologique de la Critique de la Raison Pure de Kant. Trad. de Emmanuel Martineau. Paris : Gallimard, 1982.

LEBRUN, G. Kant e o fim da metafísica. Trad. de Carlos Alberto R. de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

______. Sobre Kant. Trad. de Rubens R. Torres Filho et alli. São Paulo: Iluminuras, 1995.

LONGUENESSE, B. Kant et le pouvoir de juger. Paris : PUF, 1993.

______. Kant on the Human Standpoint. Cambridge University Press, 2005.

MARTIN, G. Immanuel Kant: Ontologie und Wissenschaftstheorie. Berlin: Walter de Gruyter, 1969.

O’NEILL, O. Constructions of Reason. Cambridge University Press, 2000.

ROUSSET, B. La doctrine kantienne de l’objectivité. Paris : Vrin, 1967.

TORRES FILHO, R.R. Ensaios de filosofia ilustrada. São Paulo: Iluminuras, 2004.

VUILLEMIN, J. Physique et Metaphysique kantiennes. Paris : PUF, 1955.

- FLF0114 Filosofia Geral

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: sem

Carga horária: 240h

Créditos: 06

Objetivos:

Discutir com os estudantes como e por que uma filosofia racionalista não exclui os afetos e como e por que uma filosofia da necessidade absoluta não exclui, mas afirma a liberdade humana.

Conteúdo:

01. As idéias de paixão e ação na filosofia antiga e renascentista;
02. As idéias de paixão e ação na filosofia moderna (Descartes e Hobbes);
03. As idéias de paixão e ação na filosofia da necessidade imanente (a Parte III da Ética à luz das partes I e II)

04. Análise do Prefácio da Parte III da Ética;

05. A relação corpo-mente e o conatus como essência atual de uma coisa singular;

06. Imaginação e paixão: a causa adequada;

07. Razão, intelecto e ação: a causa adequada;

08. Os afetos originários: alegria, tristeza e desejo;

09. Definições reais e definições nominais dos afetos;

10. A força dos afetos e a liberdade humana.

Bibliografia

- Alain, Spinoza, Paris, Gallimard, 1972, 1986

- Chauí, Marilena, Spinoza. Uma filosofia da liberdade. São Paulo, Moderna. 1994

- Delbos, V., Le spinozisme, Paris, Vrin, 1964 (há nova edição).
- Giancotti, Emília, Baruch Spinoza, 1632-1677, Roma, Riunti, 1985.
- Hampshire, S., Spinoza, Harmondsworth, Penguin Books, 1951; 1976 (trad. espanhola Madri, Alianza Editorial, 1982)

- Hubbeling, H. G. Spinoza, Baarn, 1966; Freiburg, Karl Alber, 1978 (trad. espanhola, Barcelona, Editorial Herder, 1981)

- Lloyd, Genevieve Spinoza and the Ethics, Londres, Routledge, 1966

- Mignini, F., Spinoza, Bari, Laterza, 1983

- Moreau, P.-F., Spinoza, Paris, Seuil, 1975.

- Moreau, J., Spinoza et le spinozisme, Paris, PUF, 1971, trad. portuguesa, Lisboa, Edições 70).

- Scala, A., Spinoza, Paris, Les Belles, Letrres, 1998.- Scruton, R., Spinoza, New York, Oxford University Press, 1966.
- Alquié, F., Le rationalisme de Spinoza, Paris, PUF, 1981

- Bove, L., La stratégie du conatus. Affirmation et résistance chez Spinoza, Paris, Vrin, 1966.

- Brunschvicg, L., Spinoza et ses contemporains, Paris, PUF, 1951.
- Curley, E., Spinoza's metaphysics. An essay in interpretation, Cambridge (Mass.), Harvard University Press, 1969

- Deleuze, G., Le problème de l'expression chez Spinoza, Paris, Minuit, 1968.

- Guéroult, M., Spinoza, I Dieu, Paris, Aubier-Montaigne, 1968

- Guéroult, M., Spinoza, Il L'âme, Paris, Aubier-Montaigne, 1974

- Mathéron, A., Individu et communauté chez Spinoza, Paris, Minuit, 1969.
- Moreau, P.-F., Spinoza. Expérience et éternité, Paris, PUF, 1994.

- Rousset, B., La perspective finale de l'Ethique et le problème de la cohérence du spinozisme. L'autonomie comme salut, Paris, Vrin, 1968.

- Wolfson, H. A., Spinoza. His life and philosophy, Cambridge (Mass,), Harvard University Press.

Textos de aprofundamento, em língua portuguêsa

- Abreu, L. M., Spinoza. A utopia da razão, Lisboa, Veja Universidade, 1993

- Aurélio, D. P., Introdução ao Tratado Teológico-Político, Lisboa, Imprensa Nacional, 1988.

- Chauí, Marilena. A Nervura do Real. Imanência e Liberdade em Espinosa, vol. 1, São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

- Deleuze, G., Spinoza. Filosofia Prática, Lisboa, Edições 70, 1985 (original em francês)

- Deleuze, Espinoza e os signos, Porto, Rès, s\d. (Original em francês).

Ferreira, Maria Luiza, A dinâmica da razão na filosofia de Espinosa, Lisboa, Calouste Guilbenkian, 1997.

- Gleizer, A.M., Verdade e certeza em Espinosa, Porto Alegre, L&PM, 1999.

- Jordão, F. V., Espinosa, História, salvação e comunidade. Lisboa, Fundação Calouste Guilbenkian, 1990.

- Levy, Lia, O autômato espiritual. A subjetividade moderna segundo a Ética de Espinosa, Porto Alegre, L&PM, 1999.

- Negri, A., A anomalia selvagem, Rio de Janeiro, Editora 34, 1993 (original em italiano).

- Nogueira, A., O método racionalista-histórico em Spinoza, São Paulo, Mestre Jou, 1976.

- Teixeira, L., A doutrina dos modos de percepção e o problema da abstração em Espinosa, São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Boletim 54, 1954.

- Yovel, Y., Espinosa e outros hereges, Lisboa, Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1993 (original em inglês).

 

- FLF0218 Estética I

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Título: Estética e arte contemporânea.

Objetivos:

O curso examinará a transição do imaginário moderno (ou das vanguardas artísticas) ao imaginário contemporâneo (a arte depois das vanguardas). Caracterizará o período pós-vanguardista (dos anos 1970 aos anos 2000) a partir da perda dos poderes de negação da obra de arte autêntica (no sentido da modernidade do início do século) e da crise de sua função prospectiva ou dimensão aurática. Apontará, ainda, como traços distintivos da produção cultural a partir dos anos 1970, entre outros, o abandono de uma concepção unitária da história, substituída pela idéia de histórias possíveis, e a “deslegitimação” das construções teóricas, sistemáticas ou universais. Por fim examinará a relação entre a estetização da memória e a administração da cultura na sociedade dita “pós-industrial” do presente.

Conteúdo:

I. A crítica da cultura e a “Escola de Frankfurt”: a modernidade como um projeto inacabado na perspectiva de Jürgen Habermas: e questão da arquitetura pós-moderna.

II. Peter Bürger e a produção pós-vanguardista: a questão da emancipação: arte e negatividade.

III. A crítica da cultura estruturalista e pós-estruturalista:

1. a "cultura do simulacro" de Jean Baudrillard: a "dissuasão do sentido e a hiper-realidade".

2. a "cultura pós-moderna" de Jean-François Lyotard: a crise das meta-narrativas nas sociedades contemporâneas.

IV - A polêmica entre Jürgen Habermas e Jean-François Lyotard: a relação entre literatura e filosofia.

V. Fredric Jameson: A crítica da cultura na época do capitalismo tardio.

VI: Andréas Huyssen: pós-modernidade e pós-estruturalismo nos anos 1970 e 1980.

VII. A sociedade do espetáculo e a “distração esclarecida”: a disseminação do “cultural” e os “novos museus”.

VIII: Arte e política nos anos 1990: a arte relacional em Jacques Rancière, Nicolas Bourriaud e Jean Galard.

IX: Depois do fim da arte: entre a estetização da vida e a generalização do estético.

X. A estética pós-vanguardista: a) arte e crise das utopias; b) arte e espetáculo: a teoria da simulação; c) a política cultural e os novos museus nas sociedades pós-industriais; d) o pensamento francês: a vazão ininterrupta de signos; e) a “pós-modernidade” segundo Fredric Jameson: o “pastiche” e a “esquizofrenia”; f) algumas correspondências: Jean François Lyotard e os jogos de linguagem; Jean Baudrillard e os simulacros; g) Jürgen Habermas e a Teoria Crítica: a utopia negativa e a revitalização do projeto moderno.

XI: Produção artística:

1. A caracterização da modernidade tardia (dos anos 40 aos anos 70). Alguns exemplos: a) o expressionismo abstrato norte-americano (Jackson Pollock; Willem De Kooning; Arshile Gorky; b) a cena européia: a Paris do Pós-Guerra (Jean Dubuffet; Jean Fautrier; Alberto Giacometti etc; c) o “nouveau réalisme” francês (Yves Klein; César, Arman, Jean Tinguely, etc); d) a “abstração pós-pictórica” (Barnett Newman; Morris Louis; Keneth Noland etc); e) a “pop art” (Andy Warhol, Roy Lichtenstein, James Rosenquist etc); f) “op art” e arte cinética (Victor Vasarely; Bridget Riley; Yaacov Agam, Jesús Soto, Carlo Cruz-Diez etc); g) “Enviromments”, Happenings e Performances; h) a “arte minimal” (Donald Judd; Carl André, Dan Flavin, Sol LeWitt etc); i) body-art; j) “land art” e “earth art”; j) video-Art (Nan June Paik); k) arte conceitual (Joseph Kosuth, Mel Ramsden; Art-Language etc); l) hiper-realismo (Richard Estes, Chuck Close, Duane Hanson etc); etc.

2. A presença de signos da tradição moderna na arte dos anos 1980 a) o signo de origem: Sandro Chia, Francesco Clemente, Mimmo Paladino, Salvatore Mangione e Enzo Cuchi; b) o signo pop-gestual: David Salle, Keith Haring, e Jean-Michel Basquiat; c) o signo expressionista: Georg Baselitz, Rainer Fetting, Markus Lupertz, Jörg Immendorff, Walter Dahn, e Helmut Middendorf; d) o signo geométrico: Peter Halley e Richard Serra; e) o signo ornamental: Howard Hodgkin, Jeff Koons e Kenny Scharf; f) o signo regional: Roy de Forest e Roger Brown; g) o signo matérico: Anselm Kiefer, Julian Schnabel e Nuno Ramos; h) o signo paródico: Carlo Maria Mariani, Tibor Czernus, Edward Schmidt e William Wilkins; i) o signo conceitual: Robert Gober, Hans Haacke, Bárbara Kruger e Regina Silveira; j) o signo de luz: Gary Hill, Gudrun von Maltzan, Lia Lublin; k) o signo corporal: Damien Hirst, Marc Quinn, Orlan, Jake e Dinos Chapman e Cindy Sherman; l) 0 signo da “obra de arte total”: a instalação.

3.. A arte nos anos 1990: a) a “memória”; a “narrativa”; a “paródia”; b) a figuração do corpo e da violência; c) a intersemiose: a arte tecnológica; d) a “obra de arte total”: a questão da instalação e) as diferentes modalidades de instalações: A arte nos anos 2000: os ditos coletivos e a noção de arte relacional de Nicolas Bourriaud.

Bibliografia:

ADORNO, Theodor W. ´Prismas: crítica cultural e sociedade´, São Paulo, Ática, 1998.

ARANTES, Otília Beatriz Fiori, "O Lugar da Arquitetura depois dos Modernos", São Paulo, Nobel/ Edusp, 1993.

________, “& Paulo Eduardo Arantes, “Um Ponto Cego no Projeto Moderno de Jürgen Habermas: Arquitetura e Dimensão Estética depois das vanguardas”, São Paulo, Brasiliense, 1992.

________, “Urbanismo em fim de linha”. São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1998.

________, “Uma Estratégia Fatal: A cultura nas novas gestões urbanas”. In Otília Arantes & Carlos Vainer & Ermínia Maricato, “A Cidade do Pensamento Único: desmanchando consensos”, Petrópolis, Vozes, 2000.

BARTHES, Roland, “O Prazer do Texto”. São Paulo, Perspectiva, 1977.

BAUDRILLARD, Jean, "As Estratégias Fatais", Lisboa, Editorial Estampa, 1990.

________ , "A Transparência do Mal", Campinas, Papirus, 1990.

________ , "Da Sedução", Campinas, Papirus, 1991.

________, “Simulacros e Simulação”, Lisboa, Relógio d’Água, 1991.

BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política (obras escolhidas). Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo, Brasiliense, 2ª ed., 1986.

BOURRIAUD, Nicolas. “Estética relacional”, São Paulo, Martins Fontes, 2009.

__________, “Pós-produção: como a arte reprograma o mundo contemporâneo”. São Paulo, Martins Fontes, 2009.

BÜRGER, Peter. “Teoria da Vanguarda”, São Paulo, 2008.

CLAIR, Jean, “Malaise dans les musées”. Paris, Flammarion, 2007.

DANTO, Arthur, “Après la fin de l’art”, Paris, Seuil, 1996.

DERRIDA, Jacques, “A Escritura e a Diferença”. São Paulo, Perspectiva, 1971.

FINEBERG, Jonathan, “Art since 1940: strategies of being", New York, Laurence King, 1995.

FOSTER, Hal, "Recodificação: Arte, Espetáculo, Política Cultural", São Paulo, Casa Editorial Paulista, 1996.

_______, “El Retorno de lo Real: la vanguardia a finales de siglo”. Madrid, Akal, 2001.

GALARD, Jean, “La Beauté a outrance: réflexions sur l’abus esthétique”. Paris, Actes Sud, 2004.

GARDNER, James, "Cultura ou Lixo ?", Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1996.

GENETTE, Gérard, " L´Oeuvre de l´art: Immanence e Transcendence", São Paulo, S Seuil, 1994.

HABERMAS, Jürgen, "O Discurso Filosófico da Modernidade", São Paulo, Martins Fontes, 2000.

__________, “Modernidade – um projeto inacabado” & “Arquitetura Moderna Pós-Moderna”. In ARANTES, Otília Beatriz Fiori & Paulo Eduardo, “Um Ponto Cego no Projeto Estético de Jürgen Habermas: Arquitetura e Dimensão Estética depois das vanguardas”, São Paulo, Brasiliense, 1992.

HEARTNEY, Eleanor, “Pós-Modernismo” (série Movimentos da arte moderna: Tate Gallery Publishing), São Paulo, Cosac & Naify, 2002.

HONNEF, Klaus, "Arte Contemporânea", Colônia, Benedikt Taschen, 1992.

HUGHES, Robert, "Cultura da Reclamação: o desgaste americano", São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

HUYSSEN, Andreas, "Memórias do Modernismo", Rio de Janeiro, UFRJ, 1997.

JAMESON, Fredric., “Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio”, São Paulo, Ática, 1996.

_________, “A cultura do dinheiro: ensaio sobre a globalização”, Petrópolis, Vozes, 2001.

_________, “Pós-Modernidade e Sociedade de Consumo”. In São Paulo, “Novos Estudos CEBRAP” no. 12, junho de 1985.

LÉVY, Pierre, “O que é o Virtual”, São Paulo, editora 34, 1998.

LIPOVETSKY, Gilles, “O Império do Efêmero”, São Paulo, Companhia das Letras, 1989.

___________, “A Era do Vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo”. Lisboa, Relógio d´Água, s/d.

___________, “Os tempos hiper-modernos”, São Paulo, Barcarolla, 2004.

LYOTARD, Jean-François Lyotard, "O Pós-Moderno", Rio de Janeiro, José Olympio, 1986.

_________, "O Pós-Moderno explicado às crianças", Lisboa, Dom Quixote, 2a edição, 1993.

_________, "L´Inuhmain", Paris, Galilée, 1988.

OLIVA, Achille Bonito, "La Trans-vanguardia", Buenos Aires, Rosemberg-Rita editores, 1982.

_________, Achille Bonito Oliva, "The International Trans-avantgarde", Milano, 1982.

RANCIÈRE, Jacques, “Malaise dans l’ esthétique”. Paris, Galilée, 2004.

_________, “Sobre políticas estéticas”, Barcelona, Museu d’Art Contemporani de Barcelona, 2005.

VIRILIO, Paul., A Máquina da Visão, Rio de Janeiro, José Olympio, 1994.

______, O Espaço Crítico, São Paulo, editora 34, 1993.

 

- FLF0219 Estética II

Disciplina Optativa

Destinada: aos alunos de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0218

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Título: As filosofias da arte de Schlegel, Schelling e Hegel

I - OBJETIVOS

Pretende-se nesse curso examinar, em linhas gerais, as obras que constituíram o que se costuma denominar de “filosofia da arte”, um gênero filosófico específico que floresceu na Alemanha no início do século XIX. São elas a Doutrina da arte (1801-1804) de August Schlegel, a Filosofia da arte (1803) de Friedrich Schelling e os Cursos de estética (1820-1829) de Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

Além de situá-las segundo o romantismo e o idealismo alemão, procurar-se-à examinar o que pretendem essas obras, tanto no campo da filosofia quanto no das artes, e quais os mecanismos que mobilizam para caracterizar o pensamento estético e o fenômeno artístico como um todo. Da mesma forma, trata-se de confrontá-las com uma certa vertente crítica inaugurada em meados do século XVIII e que culmina com a filosofia de Kant, bem como com a longa vigência das poéticas, preceptivas e retóricas, oriundas da Antigüidade.

 

Conteúdo:

1. Arte e filosofia no primeiro romantismo;

2. Conversa sobre a poesia e discurso sobre a mitologia;

3. A doutrina da arte de August Schlegel;

4. As belas artes, a poesia e a linguagem em August Schlegel;

5. Arte e natureza em Schelling;

6. A articulação da Filosofia da arte de Schelling;

7. A legitimação da estética em Hegel;

8. As formas de arte simbólica, clássica e romântica;

9. As artes particulares: arquitetura, escultura, pintura, música e poesia;

10. A questão do fim da arte em Hegel.

 

Bibliografia:

Básica

HEGEL, G. W. F. Vorlesungen über die Ästhetik I, II und III (Band 13, 14 und 15) In: Werke [in 20 Bänden], Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1986 (Cursos de Estética, trad. de Marco Aurélio Werle e Oliver Tolle, Vol. 1-4, Edusp, São Paulo, 1999-2004)

SCHELLING, F. W. J. Philosophie der Kunst, In: Ausgewählte Schriften, Band 2, 1801-1803, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1995, 2 ed. (Filosofia da arte, trad., introd. e notas de Márcio Suzuki, São Paulo, Edusp, 2001).

SCHLEGEL, A. Die Kunstlehre, Stuttgart, Kohlhammer, 1963 (La doctrine de l’art, traduit par Marc Géraud e Marc Jimenez, Paris, Klincksieck, 2009; trad. em andamento para o português por Marco Aurélio Werle)

WERLE, M. A. Hegel e o fim da arte, São Paulo, Hedra, 2011 (no prelo)

Complementar

BAUMGARTEN, A. Theoretische Ästhetik, lateinisch-deutsch, trad. de Hans Rudolf Schweizer, Hamburg, Meiner, 1988

BAYER, Raimond“La estetica alemana en el siglo XIX” In: Historia de la estética, México, FCE, 2001, nona reimpressão

BORNHEIM, Gerd. “Vigência de Hegel: os impasses da categoria da totalidade” In: O idiota e o espírito objetivo. Rio de janeiro, UAPÊ, 1998

CASSIRER, Ernst. “Os problemas fundamentais da estética”, In: A filosofia do iluminismo, trad. de Álvaro Cabral, Campinas, Editora da Unicamp, 1992

D’ANGELO, Paolo. A estética do romantismo, Lisboa, Editorial Estampa, 1998

GALÉ, P. F. /WERLE, M. A. (orgs.). Arte e filosofia no idealismo alemão, São Paulo, Barcarolla, 2009

GOETHE, J. W. Escritos sobre arte, introdução, tradução e notas de Marco Aurélio Werle, São Paulo, Humanitas/Imprensa Oficial, 2008

HEGEL, G. W. F. “Solgers nachgelassene Schriften und Briefwechsel” In: Berliner Schriften. 1818-1831 , Werke 11, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1986

KANT, I. Kritik der Urteilskraft, Band 5, In: Werke, hrsg. von Wilhelm Weischedel, Darmstadt, WBG, 1983 (Crítica da faculdade do juízo, trad. de Valério Rohden e António Marques. São Paulo, Forense Universitária, 1993)

MACHADO, R. O nascimento do trágico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006

NOVALIS. PólenFragmentos, Diálogos, Monólogo, trad., apres. e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho, São Paulo, Iluminuras, 1988

NUNES, Benedito. “III. Hegel” In: Ensaios filosóficos, São Paulo, Martins Fontes, 2010

PAETZOLD, H. Ästhetik des deutschen Idealismus. Zur Idee ästhetischer Rationalität bei Baumgarten, Kant, Schelling Hegel und Schopenhauer, Wiesbaden, Steiner, 1983

RICHTER, J-P. Vorschule der Ästhetik, Hamburg, Meiner, 1990

SCHELLING, F. W. J. “A divinacomédia e a filosofia”. In: Os Pensadores, trad. e notas de Rubens Rodrigues TorresFilho. São Paulo, Abril Cultural, 1980

SCHLEGEL, F. Conversa sobre a poesia e outros fragmentos, trad., pref. e notas de Victor-Pierre Stirnimann, São Paulo, Iluminuras,1994

______. O dialeto dos fragmentos, trad. de Márcio Suzuki, São Paulo, Iluminuras, 1997

SZONDI, P. Poetik und Geschichtsphilosophie I. Studienausgabe der Vorlesungen - Band 2, hrsg. von Senta Metz und Hans-Hagen Hildebrandt, Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1974

______. Ensaio sobre o trágico, trad. de Pedro Süssekind, revisão técnica de Roberto Machado , Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2004

______. Poetik und Geschichtsphilosophie II. Hrsg. von Wolfgang Fietkau. Frankfurt am Main, Suhrkamp, 1974

SUZUKI, Márcio. O gênio romântico. Crítica e História da Filosofia em Friedrich Schlegel, São Paulo, Iluminuras, 1998

WERLE, Marco Aurélio. “O lugar de Kant na fundamentação da estética como disciplina filosófica” In: Dois Pontos, São Carlos/Curitiba, 2005.

 

- FLF0228 História da Filosofia Antiga I

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Título: Caráter e Determinismo na Ética Aristotélica

Objetivos:

Examinar a ética aristotélica à luz das discussões recentes sobre um eventual determinismo a ela apegado.

Conteúdo:

- Teoria aristotélica da ação

- O que está em nosso poder e o poder de agir diferentemente

- Caráter e ação

- Determinismo e contingência

 

Bibliografia:

A bibliografia é vasta. A seguir, menciono alguns livros que podem servir de balizas para o estudo:

Traduções da Ética Nicomaquéia recomendadas:

Natali, C. Aristotele – Etica Nicomachea. Laterza 1999

Irwin, T. Aristotle – Nicomachean Ethics. Hackett 1985; 2ª. ed. 1999

Broadie, S. & Rowe, C. Aristotle – Nicomachean Ethics. OUP 2002

Ensaios:

Bobzien, S. Determinism and Freedom in Stoic Philosophy. OUP 1998

Broadie, S. Ethics with Aristotle. OUP 1991

Donini, PL. Ethos: Aristotele e il Determinismo. Ed. Dell’Orso 1989

Gaskin, R. The Sea-Battle and the Master Argument. De Gruyter 1995

Hardie, W. F. R. Aristotle’s Ethical Theory. 2ª. edição. OUP 1980

Kraut, R. (ed.) The Blackwell Guide to Aristotle’s Nicomachean Ethics. Blackwell 2006 (tradução brasileira: Artmed 2009)

Loening, R. Die Zurechnungslehre des Aristoteles. Jena 1903

Pakaluk, M. & Pearson, G. Moral Psychology and Human Action in Aristotle. OUP 2011

Taylor, C. C. W. Aristotle – Nicomachean Ethics Books II-IV. OUP 2006

Waterlow (Broadie), S. Passage and Possibility. OUP 1982

Zingano, M. (ed.) Sobre a Ética Nicomaqueia de Aristóteles. Odysseus 2010

Zingano, M. Aristóteles – Ethica Nicomachea I 13 – III 8. Odysseus 2008

 

- FLF0229 História da Filosofia Antiga II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0228

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: Introdução à Filosofia Política Clássica: os conceitos de Regime e de Virtude em Platão e em Aristóteles.

Objetivos:

Os Gregos inventaram a Democracia, antes mesmo de inventarem uma reflexão propriamente filosófica sobre ela. Os grandes ‘sistemas’ clássicos de Platão e de Aristóteles, que criaram a Filosofia Política, tomaram a democracia como objeto de crítica, tanto no sentido de exame quanto no sentido de buscar reforma-la. De seu exame crítico nasceu uma sólida tradição de reflexão política centrada na questão do Regime – do bom regime – e da Virtude. Um dos resultados mais auspiciosos desta elaboração foi a invenção do conceito de República.

Conteúdo:

1. O nascimento da Filosofia Política Clássica

2. Filosofia Política Antiga e Moderna: continuidades e diferenças: alguns exemplos, Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu

3. O nascimento da Ética: porquê Virtude?

4. A importância da noção de Regime em Platão: a RepúblicaO Político e As Leis.

5. O estatuto da Política de acordo com a classificação das ciências segundo Aristóteles.

6. A questão da escravidão

7. O tema do Regime e sua classificação na Política de Aristóteles

8. Democracia segundo Aristóteles: definição e crítica.
 

Bibligrafia:

CLÁSSICOS:

Hesíodo: Os Trabalhos e os Dias; Teogonia

Os Filósofos Pré-Socráticos, G.Bornheim, Ed. Cultrix.

Heródoto, História

Aristófanes: As Nuvens.

Tucídides: História da Guerra do Peloponeso

Platão: Górgias, Apologia de Sócrates, Eutifron, Critão, Menão, O Político, A República, As Leis

Aristóteles: A Ética à Nicômaco, A Política, A Metafísica.

Comentadores e Historiadores:

Fustel de Coulanges A Cidade Antiga (2 vols. Lisboa, 1919)

J.P.Vernant: As Origens do Pensamento Grego (Difel)

P.Vidal Naquet e P.Lévêque : Clisthéne L’Athénien (Lês Belles Lettres, Paris)

M.Detienne: Lês Maîtres de Vérité dans la Gréce Archaïque

V.Goldschmidt: Écrits I (Vrin ,Paris)

B.Snell: The Discovery of Mind

W.Jaeger: Á la Naissance de la Théologie (ed. Du Cerf, Paris 1966)

J.Moreau: Aristóteles y su Escuela (Ed.Universitaria B.Aires)

Gierke, Otto: Natural Law and the Theory of Society (Cambridge, 1950)

Jaffa, H.: Thomism and Aristotelianism (Chicago, 1952)

McIlwain,C.H.: Constitutionalism Ancient and Modern (N.York, 1940)

Ostwald, M.: From Popular Sovereignity to the Sovereignity of Law (California, 1986)

Pangle,T.: The Spirit of Modern Republicanism (Chicago, 1988)

Rahe, P.: Republics Ancient and Modern (3 vols. N.Caroline, 1994

Strauss, L.: Natural Right and History, (Chicago, 1953)

“Jerusalem e Atenas”

On Tyranny: an interpretation of Xenophontes Hiero.

Persecution and the art of writing (1952)

Thoughts on Machiavelli (1958)

What is political philosophy? (1959)

The city and Man (1964)

Socrates and Aristophanes (1966)

Liberalism ancient and modern (1968)

The argument and action in Platos Laws

On Plato´Symposium

Nihilisme et Politique

Rahe, P.: Republics Ancient and Modern (3 vols. N.Caroline, 1994

Lerner,R. e Mahdi, M.(ed.): Medieval Political Philosophy (N.York, 1963)

Jacob Klein: Greek Mathematical thought and the origin of algebra(Dover publ. N.Y. 1968)

A commentary on Platos Meno . (Un.Chicago P.1989)

Allan Bloom: The Republic of Plato (basic books 1968)

O declínio da cultura Ocidental .

Ernst Troeltsch: The social teachings of the christian church.

A. Hirschmann: As paixões e os interesses (Ed. Paz e terra 1979)

Pangle,T.: The Spirit of Modern Republicanism (Chicago, 1988)


Disciplina Obrigatória
- FLF0238 História da Filosofia Moderna I

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivos:

Apresentar os principais temas da metafísica de Leibniz.

Conteúdo:

1. Leibniz: um cartesiano.

2. A criação em Leibniz: a perfeição divina.

3. A criação: o melhor dos mundos possíveis.

4. A substância individual:

a) aspectos lógicos: a substância como uma noção completa.

b) aspectos físicos: a substância e a força.

c) aspectos teológicos: a substância como alma

d) a substância individual do Discurso de metafísica e a mônada da Monadologia.

5. A questão da liberdade.

6. Os corpos:

a) as leis da física; causalidade eficiente e causalidade final;

b) os corpos são meros fenômenos? O diálogo de Leibniz com Arnauld.

7. A teoria do conhecimento em Leibniz:

a) o inatismo das idéias;

b) os graus de conhecimento das idéias.

8. O reino moral da graça.

Bibliografia:

1. Bibliografia primária:

Leibniz – Discurso de metafísica e outros textos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

______ - Discurso de metafísica; Monadologia; O que é idéia; Da origem primeira das coisas; Novos ensaios sobre o entendimento humano (trechos). Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril, 1973 (há edições posteriores).

_______ - Escritos filosóficos. Edição de Ezequiel de Olaso. Buenos Aires: Editorial Charcas, 1982.

_______ - Discours de métaphysique et correspondance avec Arnauld. Edição de G. Le Roy. Paris: Vrin, 1966.

2. Bibliografia secundária

Belaval – Leibniz, initiation à sa philosophie. Paris: Vrin, 1962.

______ - Leibniz critique de Descartes. Paris: Gallimard, 1960.

Burgelin, P. - Commentaire du Discours de metaphysique de Leibniz. Paris: Presses Universitaires de France, 1959.

Cardoso, A. – Leibniz segundo a expressão. Lisboa: Edições Colibri, 1992.

Couturat, L. - La logique de Leibniz. Hildesheim : G. Olms, 1961.

Deleuze, G. - A dobra: Leibniz e o barroco. Campinas : Papirus, 1991.

Ferro, N. - A confusão das coisas e o ponto de vista leibniziano. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2001.

Guéroult, M – Leibniz. Dynamique et métaphysique. Paris : Aubier-Montaigne, 1967.

Russell, B. - Filosofia de Leibniz: uma exposição critica. São Paulo: Nacional, 1968

 

- FLF0239 História da Filosofia Moderna II

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0239

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivo:

Trata-se de uma introdução ao problema central da Crítica da razão pura formulado na conhecida questão: como são possíveis os juízos sintéticos a priori? Procurar-se-á mostrar que tanto a gênese quanto a resposta a tal problema implicaram em uma “nova maneira de se pensar” os fundamentos da metafísica e, por conseguinte, em um novo caminho aberto por Kant no interior da história da filosofia.

Conteúdo:

1. O problema da metafísica

2. A revolução copernicana

3. Os juízos sintéticos a priori

4. Estética Transcendental: forma e matéria

5. As exposições metafísica e transcendental do espaço e do tempo

6. Idealismo transcendental e entendimento discursivo

7. Lógica geral e lógica transcendental

8. Dedução metafísica

9. Dedução Transcendental

10. Natureza e Liberdade

 

Bibliografia:

KANT, I. Kants gesammelte Schriften. Heraugegeben von der Königlich

Pressischen Akademie der Wissenschaft, 23v.

________. Crítica da razão pura. Trad. Fernando Costa Mattos. São Paulo: Vozes, 2012.

________ . Crítica da razão pura. Trad. Pinto & Morujão. Lisboa: Fundação

Calouste Gulbenkian, 1987.

________. “Crítica da razão pura”. In: Os pensadores-Kant I. Trad. Valério Rohden. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

________. Critica de la razón pura. Trad. de Mario Caimi. Fondo de Cultura

Economica, 2010.

________. Critica della ragion pura. Traduzione di Costantini Esposito. Milano:

Bompiani, 2004.

________. Prolegômenos a toda metafísica futura. Trad. Artur Morão. Lisboa:

Edições 70, 1987.

________. Lógica. Trad. Guido de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,

1992.

ALLISON, H. Kant’s Transcendental Idealism, revised and expanded version.

New Haven: Yale University Press, 2004.

ALMEIDA, G.A. “Consciência de si e conhecimento objetivo na ‘Dedução

Transcendental’ da Crítica da razão pura”. Analytica, vol. 1, n. 1, 1993. p. 187-

219.

ALQUIÉ, F. La critique kantienne de la métaphisique. Paris: PUF, 1968.

BRANDT, R. The Table of Judgments: Critique of Pure Reason A67-76; B92

101. Translated by Eric Watkins. Atascadero/California: North American Kant

Society Studies in Philosophy, 1995

CAIMI, M. “Pensamentos sem conteúdos são vazios”. Analytica, Rio de Janeiro, vol. 6, n. 1, 2001/2002.

COHEN, H. Kants Theorie der Erfahrung. Berlin: B. Cassirer, 1918.

DELEUZE, G. La philosophie critique de Kant. Paris: Quadrige/PUF, 1997.

GIL, F. Recepção da Crítica da Razão PuraAntologia de escritos sobre Kant

(1786- 1844). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1992.

HEIDEGGER, M. Die Frage nach dem Ding. Zu Kants Lehre von den

transzendentalen Grundsätzen . Tübingen: Niemeyer, 1962. Que é uma coisa?

Doutrina de Kant dos princípios transcendentais . Trad. Carlos Morujão. Lisboa:

Edições 70, 1992.

________. Phenomenological Interpretation of Kant’s Critique of Pure Reason.

Translated by Emad & Kenneth. Indiana University Press, 1997.

HENRICH, D. “Die Beweisstruktur von Kants transzendentaler Deduktion”. In:

PRAUSS, G. (ed.). Kant. Zur Deutung seiner Theorie von Erkennen und Handeln. Köln: Kiepenhauer und Witsch, 1973. p. 90-104.

________. Identität und Objektivität. Eine Untersuchung über Kants

transzendentale Deduktion. Heidelberg: Winter, 1976.

LEBRUN, G. Kant e o fim da metafísica. São Paulo, Martins Fontes, 1993.

________. Sobre Kant. Trad. de R. R. Torres et alli. São Paulo: Iluminuras:

1995.

LONGUENESSE B. Kant et le pouvoir de juger. Paris, PUF, 1993. Kant and the

capacity to judge . Transleted by Charles Wolfe. Princeton University Press, 1998.

________. Kant on the Human Standpoint. Cambridge University Press, 2005.

MARTIN, G. Immanuel Kant: Ontologie und Wissenschaftstheorie. Berlin: Walter de Gruyter, 1969. Kant’s Metaphysics and Theory of Science. Translated by P.G. Lucas. Manchester University Press, 1974.

REICH, K. Die Vollständigkeit der kantischen Urteilstafel. Berlin: Richard

Schoetz, 1932. The Completeness of Kant’s Table of Judgments. Translated by Kneller & Losonsky. Stanford: Stanford University Press, 1992.

ROUSSET, B. La doctrine kantienne de l’objectivité. Paris: Vrin, 1967.

TORRES FILHO, R. R. Ensaios de Filosofia Ilustrada. São Paulo: Iluminuras, 2004

VLEESCHAUWER, H. J. La déduction transcendentale dans l’ouvre de Kant. 3

vols. Antwerpen/Paris/Den Haag: 1934-37.

VUILLEMIN, J. Physique et Metaphysique kantiennes. Paris: P.U.F., 1955.

 

- FLF0248 História da Filosofia Contemporânea I

Disciplina Obrigatória

Destinada: aos alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Título: Nietzsche e a suspeita sobre a “filosofia”

Objetivos:

Existe uma maneira singela de se flertar com o arcaísmo da philosophia perennis: é acreditar que sob a diversidade dos “sistemas” existe a unidade de um mesmo tipo de discurso na filosofia. Se após Kant a filosofia não se confunde mais com uma teoria que discorre sobre regiões objetivas, este curso procurará situar o que se torna o discurso filosófico - e a própria atividade chamada “filosofia”- quando esta não se confunde mais nem com a “metafísica” nem com a “teoria do conhecimento”, abdicando até mesmo da “vontade de verdade”, - sem com isso celebrar o “nobre festim da abstinência” alardeado pelo ceticismo.

Conteúdo:

1. Crítica da “filosofia universitária” e a prisão na ilusão filosófica

2. Os mitos gêmeos da “razão” na filosofia e do “gênio” na arte

3. Perspectivismo, sentido e interpretação

4. Os operadores “verdadeiro e falso”, “saúde e doença”

5. “Criticar” e “suspeitar”

6. A pergunta pelo valor dos valores

7. Genealogia e filologia.

8. “Filosofia” ou nova imagem do pensamento?

Bibliografia:

BÁSICA

Nietzsche, Fr., Sämtliche Werke, Kritische Studien Ausgabe, herausgegeben von G. Colli und M. Montinari, Berlin, dtv de Gruyter. Tradução francesa Oeuvres Philosophiques Complètes, Paris, Gallimard

_________Obras Incompletas, São Paulo, ed. Abril, col. Pensadores

_________ Humano, Demasiado Humano, São Paulo, Cia das Letras

_________ Aurora, São Paulo, Cia das Letras

_________A Gaia Ciência, São Paulo, Cia das Letras

_________Para Além do Bem e do Mal, São Paulo, Cia das Letras

_________Genealogia da Moral, São Paulo, Cia das Letras

_________Crepúsculo dos Ídolos, São Paulo, Cia das Letras

_________Ecce Homo, São Paulo, Cia das Letras.

 

- FLF0249 História da Filosofia Contemporânea II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0248

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Título: Representação e metafísica na filosofia de Schopenhauer.

Objetivo:

O curso tem por objetivo introduzir para o aluno alguns temas básicos da

filosofia de Schopenhauer.

 

Conteùdo:

1. A concepção de filosofia

2. A noção de representação

3. O princípio de razão e suas classes

4. A representação independente do princípio de razão

5. A essência da representação e a metafísica

6. A Vontade como essência do mundo

7. A metafísica da natureza e as ciências

8. Do gênio e das ideias

9. A moral em Schopenhauer

 

Bibliografia:

Bibliografia básica.

Barboza, Jair. Infinitude subjetiva e estética. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

Cacciola, M. L. Schopenhauer e a questão do dogmatismo. São Paulo: Edusp,

1994.

Janaway, Chr. (Org.) The Cambridge Companion to Schopenhauer. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.

Janaway, Chr. Schopenhauer. São Paulo: Loyola, 2003.

Schopenhauer, A. Sämtliche Werke. Wiesbaden: Brockhaus, 1972.

Schopenhauer, A. O mundo como Vontade e como representação. Trad. Jair

Barboza. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

_____________. De la quadruple racine du príncipe de raison suffisante. Trad.

F. X. Chenet. Paris : J. Vrin, 1991.

_____________. Sobre a filosofia e seu método. Trad. Flamarion Caldeira Ramos. São Paulo: Hedra, 2010.

_____________. Sobre o fundamento da moral. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

_____________. On the fourfold root of the principle of sufficient reason. Trad.

E. F. J. Payne.Illinois: Open Court, 1995.

 

- FLF0258 Lógica I

Disciplina Obrigatória

Destinada: alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivo:

O curso será uma exposição de alguns sistemas de lógica formal.

Conteúdo:

1. Lógica Proposicional

2. Lógica de Primeira Ordem

3. Lógica de Segunda Ordem

(Talvez as respectivas extensões modais desses sistemas sejam também consideradas.)

 

Bibliografia:

A. Church, Introduction to Mathematical Logic, 2a. ed., Princeton University Press, 1956.

W. V. Quine, Methods of Logic, 4a. ed., Harvard University Press, 1982.

R. Smullyan, First-Order Logic, ed. rev., Dover, 1995. (Existe uma tradução para o português: Lógica de Primeira Ordem, Unesp, 2009.)

 

- FLF0259 Lógica II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0258

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivo:

O curso será um estudo da versão russelliana do projeto logicista, com ênfase naquilo que é seu traço mais característico: a teoria dos tipos lógicos.

Conteúdo:

1. O projeto logicista de Frege

2. O paradoxo de Russell

3. A teoria dos tipos.

4. As críticas de Ramsey e de Wittgenstein

Bibliografia:

Bibliografia básica

Frege, G. Os Fundamentos da Aritmética.

Ramsey, F.P. The Foundations of Mathematics.

Russell, B. Logic and Knowledge.

Russell, B. Introduction to Mathematical Philosophy.

Russell, B. & Whitehead, A.N. Principia Mathematica (vol. I).

Wittgenstein, L. Tractatus Logico-Philosophicus.

 

- FLF0268 História da Filosofia Medieval I

Disciplina Obrigatória

Destinada: alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: AS CONFISSÔES DE AGOSTINHO DE HIPPONA: A CONVERSÃO (III-VIII).

Objetivo:

Introdução á leitura das Confissões. Breve apanhado do estado das pesquisas sobre suas fontes, modelos e finalidades. Leitura e análise dos livros em objeto, visando salientar a relação entre narração biográfica, estilo literário e reflexão filosófica.

As Confissões são um dos livros mais lidas e comentadas da tradição ocidental. No entanto, sua leitura permanece difícil, por se tratar de um texto absolutamente sui generis, situado num terreno intermediário, que ele próprio estabelece, entre obra literária e tratado filosófico. O curso pretende oferecer ao aluno uma guia para a leitura do texto, focando os livros III-VIII, mais densos de conteúdo estritamente filosófico, por narrarem o percurso intelectual do autor, da descoberta da filosofia no Hortensius de Cícero até a conversão definitiva.
 

Conteúdo:

1. Os modelos de literatura autobiográfica pagã e cristã antes de Agostinho.

2. Hipótese sobre a ocasião e as finalidades imediatas do texto.

3. O estilo literário.

4. O percurso filosófico e literário de Agostinho até as Confissões.

5. Leitura e análise do texto.
 

Bibliografia:

Fontes:

AGOSTINHO DE HIPONA, Confissões, I-V.

Textos de referência:

BRACHTENDORF, Johannes, Confissões de Agostinho, São Paulo, Loyola, 2008.

BROWN, Peter, Santo Agostinho. Uma biografia, Rio de Janeiro, Record, 2005.

COURCELLE, Pierre, Recherches sur les Confessions de Saint Augustin, Paris, Boccard, 1950.

FONTAINE, Jacques, Introdução geral de AGOSTINO DI IPPONA, Confessioni, Milão, Fondazione Valla/Mondadori, 2001, vol. I (libri I-III).

GILSON, Étienne, Introdução ao estudo de Santo Agostinho, São Paulo, Paulus/Discurso Editorial, 2006.

MARROU, Henri-Irenée, Saint-Augustin et la fin de la culture Antique, Paris, Boccard, 1949.

SOLIGNAC, Aimé, Introdução e notas complementares de SAINT AUGUSTIN, Les Confessions, Desclée de Brouwer, 1962.

-FLF0269 História da Filosofia Medieval II

Disciplina Optativa

Destinada : alunos do curso de Filosofia e dos outros cursos da USP.

Pré-requisito : FLF0268

Carga horária : 120h

Créditos : 06

Objetivos:

Apresentação de alguns temas fundamentais da História da Filosofia Medieval.

Conteúdo:

Da intelecção à intuição. Sobre a disputa medieval acerca do conhecimento dos singulares.

1. Pedro Abelardo: crítica da realidade do universal.

2. A recepção medieval de Aristóteles.

3. Alberto Magno: abstração e supressão do sigular.

4. Tomás de Aquino e Sigério de Brabant: o conhecimento de si e a intelecção do singular.

5. Vital de Furno: a intelecção do singular enquanto existente.

6. Henrique de Gand e João Duns Escoto: conhecimento indireto do singular e intuição.

7. Guilherme de Ockham: da intelecção à intuição.

8. Nicolau de Autrécourt e a impossibilidade de conhecer.

Bibliografia:

1. Autores

ALBERTUS MAGNUS, De intellectu et intelligibili. Ed. A. Borgnet. Opera Omnia, IX. Paris, Vivès, 1890.

GUILHERME DE OCKHAM, JOÃO DUNS ESCOTO, Os Pensadores, vol. VIII: Seleção de textos. Seleção de Ph. Boehner e A. Wolter. Trad. de C. L. de Mattos e C. A. R. Nascimento. São Paulo, Abril, 1973.

GUILHERME DE OCKHAM, Lógica dos termos. [Suma de toda lógica, P. I]. Intr. de P. Müller, trad. de F. Fleck. Porto Alegre, Edipucrs / USF, 1999.

GUILLELMI DE OCKHAM Summa logicæ. Ed. Ph. Boehner, G. Gál et S. Brown. Opera philosophica, I. New York, Notre-Dame UP, 1974.

IOANNES DUNS SCOTUS, Opera omnia. Ed. Commissionis Scotisticae. Cidade do Vaticano, Typis Polyglottis Vaticanis, 1950 -.

IOANNES DUNS SCOTUS, Quaestiones super libros Metaphysicorum Aristotelis. Ed. R. Andrews et al. New York, The Franciscan Institute, 1997.

JOHN DUNS SCOTUS, Questions on the Metaphysics of Aristotle. Tr. G. J. Etzkorn and A. B. Wolter. New York, The Franciscan Institute, 1997.

JOHN DUNS SCOTUS, The Examined Report of the Paris Lecture: Reportatio I-A. Ed. e trad. de A. B. Wolter e O. V. Bychkov. Saint Bonaventure, The Franciscan Institute, 2004-2008. 2 vols.

NICHOLAS OF AUTRECOURT, His Correspondence with Master Giles and Bernard of Arezzo. Ed., intr., transl., and notes by L. M. de Rijk. Leiden, Brill, 1994.

NICOLAU DE AUTRÉCOURT, Duas cartas a Bernando de Arezzo in DE BONI, L. A., org., Filosofia medieval: textos. Porto Alegre, Ed. da PUC-RS, 20052.

PEDRO ABELARDO, Lógica para principiantes. Intr. e trad. de C. A. R. do Nascimento. São Paulo, Ed. da UNESP, 20062.

PETER ABAELARDS “Philosophische Schriften. I, Die Logica ‘Ingredientibus’”. Hrsg. von B. Geyer. Beiträge zur Geschichte der Philosophie des Mittelalters, Münster, 1919, Band XII, Heft 1.

SIGER DE BRABANT, Quaestiones in Metaphysicam. Éd. par W. Dunphy. Louvain, Publications universitaires, 1981.

SIGER DE BRABANT, Quaestiones in tertium de anima, de anima intellectiva, de aeternitate mundi. Éd. B. Bazán. Louvain, Publications Universitaires, 1972.

SPADE, P. V., ed., Five texts on the mediaeval problem of universals: Porphyry, Boethius, Abelard, Duns Scotus, & Ockham. Ed. and transl. by P. V. Spade. Indianapolis, Hackett, 1994.

THOMAS D’AQUIN [?], “De principio individuationis” in Opuscules théologiques, 6. Texte et traduction. [Vivès, 1858]. Paris, Vrin, 1984.

TOMÁS DE AQUINO [?], Sobre el principio de individuación. Intr., trad. y notas de P. Faitanin. Pamplona, Cuadernos de Anuario Filosófico. Navarra, Universidad de Navarra, 1999.

TOMÁS DE AQUINO, Suma de teologia. Primeira parte, questões 84-89. Intr. e trad. de C. A. R. Nascimento. Uberaba, Ed. da UFU, 2004.

VITAL DU FOUR, “Huit questions inédites sur les problèmes de la connaissance”. Ed. F. Delorme. Archives d’histoire doctrinale et littéraire du Moyen Age, Paris, 1927, pp. 151-337.

2. Comentadores

ADAMS, M. McC., William Ockham. Notre-Dame, UP, 1987.

AERTSEN, J. A., & SPEER, A., hrsg., Individuum und Individualität im Mittelalter. Berlin, de Gruyter, 1996.

BEDOS-REZAK, B. M., et IOGNA-PRAT, D., éds., L’individu au Moyen Âge. Individuation et individualisation avant la modernité. Paris, Aubier, 2005.

BÉRUBÉ, C., La connaissance de l’individuel au Moyen Âge. Paris, PUF, 1964

BIANCHI, L., & RANDI, E., Vérités dissonantes. Aristote à la fin du Moyen Âge. Trad. par C. Pottier. Paris, Cerf / Éditions Universitaires de Fribourg, 1993.

BRETT, A. S., Liberty, right, and nature. Individual rights in Later Scholastic Thought. Cambridge, UP, 2003.

CASSIRER, E., Indivíduo e cosmos na filosofia do Renascimento. Trad. J. Azenha Jr. e M. A. Viaro. São Paulo, Martins Fontes, [1927] 2001.

CHENU, M.-D., O despertar da consciência na civilização medieval. Trad. J. Savian Fº. São Paulo, Loyola, 2006.

GHISALBERTI, A., Guilherme de Ockham. Trad. de L. A. de Boni. Porto Alegre, Edipucrs, 19972.

GRACIA, J. J. E., & BARBER, K. F., eds., Individuation and identity in Early Modern philosophy: Descartes to Kant. Albany, SUNY, 1994.

GRACIA, J. J. E., ed., Individuation in Scholasticism: The Later Middle Ages and the Counter-Reformation: 1150-1650. Albany, SUNY, 1994.

GRACIA, J. J. E., Introduction to the problem of individuation in the Early Middle Ages. München / Wien, Philosophia, 1984.

GRELLARD, C., Croire et savoir: les principes de la connaissance selon Nicolas d’Autrécourt. Paris, Vrin, 2005.

KÖNIG-PRALONG, C., Avènement de l’aristotélisme en terre chrétienne. L’essence et la matière: entre Thomas d’Aquin et Guillaume d’Ockham. Paris, Vrin, 2005.

LYNCH, J. E., The theory of knowledge of Vital du Four. Saint Bonaventure, The Franciscan Institute, 1972.

MARENBON, J., The Philosophy of Peter Abelard. Cambridge, UP, 19992.

MAYAUD, P.-N., éd., Le problème de l’individuation. Paris, Vrin, 1991.

MORRIS, C., The discovery of the individual, 1050-1200. London, 19952.

PUTALLAZ, F.-X., La connaissance de soi au XIIIe siècle: de Matthieu d’Aquasparta a Thierry de Freiberg. Paris, Vrin, 1991.

SIMONIN, H.-D., “La connaissance humaine des singuliers matériels d’après les maitres franciscains de la fin du XIIIsiècle” in Mélanges Mandonnet: études d’histoire littéraire et doctrinale du moyen age, tome II. Paris, Vrin, 1930.

TROTTMANN, C. La vision beatifique des disputes scholastiques à sa définition par Benoît XII. Roma, École Française de Rome, 1995.

ULLMANN, W., The individual and society in the Middle Ages. Baltimore, Hopkins, 1966

 

-FLF0278 Teoria das Ciências Humanas I

Disciplina Obrigatória

Destinada : alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito : FLF0113 e FLF0114

Carga horária : 120h

Créditos : 06
 

TÍTULO: GILLES DELEUZE – CRÌTICA DA RAZÂO COMO ANÁLISE DE PATOLOGIAS SOCIAIS

I – OBJETIVOS

Este curso visa expor o intinerário filosófico dos principais momentos da experiência intelectual de Gilles Deleuze. Trata-se, sobretudo, de demonstrar como o quadro conceitual deleuzeano forma-se a partir de um diálogo cerrado entre história da filosofia, reflexão estética, crítica social e uma relação intrincada, porém sempre visível, com práticas clínicas como a psicanálise. Deste diálogo, nasce um modelo de crítica da razão que se desenvolve como análise de patologias sociais. Tal projeto se materializa de forma mais explícita em textos como O anti-Édipo e Mil platôs. Veremos o trajeto percorrido por Deleuze para fundamentar tal perspectiva. Por fim, discussões a respeito do impacto do pensamento deleuzeano nos modos de auto-compreensão do presente, principalmente no campo da política e da estética, serão objetos de estudo no último módulo de nosso curso.
 

Conteúdo:

1. Construir uma filosofia através da história da filosofia: Deleuze, leitor de Hume, Bergson, Nietzsche e Spinoza. Crítica à filosofia do sujeito através da recuperação de uma “filosofia da imanência”. O “ressentimento” como categoria de crítica filosófica.

2. Como pensar o acontecimento, como pensar o devir? Lógica do sentido: a tentativa de redefinição da gramática filosófica através da crítica da metafísica ocidental. A recuperação da categoria de simulacro e o esgotamento da representação.

3. Como sair do primado da identidade? Diferença e repetição: pensar um conceito de diferença sem negação, pensar a repetição para além da semelhança.

4. Dois regimes de problematização do primado da identidade: Deleuze e Hegel. Função estratégica do “anti-hegelianismo generalizado” de Deleuze.

5. Da crítica da metafísica ocidental à crítica do capitalismo: filosofia, teoria social e psicanálise em O anti-Édipo. A crítica da razão como análise de patologias sociais. O sentido da continuação do projeto “Capitalismo e esquizofrenia” através de Mil platôs.

6. A época do corpo ou Por que o corpo se transformou no problema central da filosofia deleuzeana? Multiplicidade não-estruturada e corpo sem órgãos. A matriz estética do pensamento deleuzeano sobre o corpo.

7. Bento Prado Jr., leitor de Deleuze: sobre as noções de “plano de imanência” e “rizoma” como recuperação do vitalismo.

8. A política deleuzeana e suas vicissitudes: o que é uma ação política, segundo Deleuze? Alain Badiou e Slavoj Zizek como críticos da “política deleuzeana”.
 

Bibliografia:

ALLIEZ, Eric; Gilles Deleuze: uma vida filosófica, Sáo Paulo: 34, 2000

ANSELL-PEARSON, Keith; Germinal life: the difference and repetition of Deleuze, New York: Routledge, 2000

BADIOU, Alain; Deleuze: o clamor do ser, Rio de Janeiro: Zahar, 1997

BERGEN, Veronique; L´ontologie de Gilles Deleuze, Paris: Harmattan, 2003

BRYANT, Levi; Difference and giveness: Deleuze´stranscendental empiricism and the ontology of immanence, Northwestern University press, 2008

DAVID- MÉNARD, Monique ; Deleuze et la psychanalyse, Paris : PUF, 2005

DELEUZE, Gilles ; Le bergsonisme

____ ; Différence et répétition

____ ; Empirisme et subjectivité

____ ; Logique du sens

____ Mil Plateaux

____ ; Nietzsche et la philosophie

____ ; Présentation de Sacher-Masoch

____ ; Proust et les signes

____ ; Spinoza et le problème de l’expression

DELEUZE, Gilles e GUATARRI, Félix ; L’anti-Œdipe

____ ; Mille Plateaux

DESCOMBES, Vincent ; Le même et l’autre : 45 ans de philosophie française, Paris : Minuit, 1986

HALLWARD, Peter; Out of this world: Deleuze and the philosophy of creation, Londres: Verso, 2006

HARDT, Michael e NEGRI, Toni ; Império,

HUGHES, Joe; Deleuze´s Difference and repetition: a reader´s guide, Londres: Continuum Press, 2009

KHALFA, Jean ; An introduction to the philosophy of Gilles Deleuze, Londres: Continuum Press, 2001

LAMBERT, Gregg ; The non-philosophy of Gilles Deleuze, Londres: Continuum Press, 2002

LYOTARD, Jean-François; « Capitalisme énergumène ». In : Des dispositifs pulsionnels, Paris : Galilée, 2004

MACHADO, Roberto; Deleuze: a arte e a filosofia, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009

PELBART, Peter; O tempo não-reconciliado, São Paulo: Perspectiva, 1998

PRADO JR., Bento; “Hume, Freud, Skinner (em torno de um parágrafo de Gilles Deleuze). In: Alguns Ensaios, São Paulo: Paz e Terra, 2000

____ ; “Plano de imanência e vida”. In: Erro, ilusão e loucura, São Paulo: 34, 2004

RAJCHMAN, John; The Deleuze Connections, MIT Press, 2000

SAFATLE, Vladimir; “Sexo, simulacro e políticas da paródia”. Revista de Psicologia UFF, 2006

SILBERTIN-BLANC, Guillaume; Deleuze et l´Anti-OEdipe: la production du désir, Paris: PUF, 2010

WILLIAMS, James; Gilles Deleuze’s Difference and repetition: a critical introduction and guide, Endiburgo University Press, 2006

ZIZEK, Slavoj ; Organs without bodies : on Deleuze and consequences, Londres, Routledge, 2004

ZOURABICHLIVI, François; Deleuze: une philosophie de l’événement, Paris : PUF, 1996

 

-FLF0279 Teoria das Ciências Humanas II

Disciplina Optativa

Destinada : alunos do Curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito : FLF0278

Carga horária : 120h

Créditos : 06

Objetivo:

Trata-se de continuar a leitura da Fenomenologia do Espírito iniciada no semestre passado. Depois de apresentar primeira seção que compõe o livro (“Consciência”), cabe agora analisar o encaminhamento da experiência fenomenológica nas seções posteriores ("Consciência de si", “Razão”, “Espírito”, “Religião” e “Saber absoluto”). Isto nos levará a apreender a especificidade de conceitos centrais para a dialética hegeliana, como: irredutibilidade do princípio de subjetividade, racionalidade do movimento histórico, interversões de processos de racionalização dependentes da posição normativa de critérios de justificação. Retomaremos ainda o problema das relações entre ontologia e teoria das negações tendo em vistas certos desdobramentos da dialética no pensamento do século XX.

Conteúdo:

01. Lendo a Dialética do Senhor e do Escravo e seus desdobramentos. Linguagem, desejo e trabalho na constituição da noção de consciência-de-si. A noção hegeliana de reconhecimento. Duas vertentes do problema da intersubjetividade a partir das leituras da Dialética do Senhor e do Escravo: a versão francesa de Kojève, Bataille e Lacan; a versão habermasiana.

Habermas, crítico de Hegel e a incompreensão a respeito da critica hegeliana a um processo de racionalização pensado a partir da posição a priori de critérios normativos de justificação da dimensão prática.

02. Lendo as figuras do ceticismo e do estoicismo. Duas maneiras de compreender o estoicismo e a estrutura da ação: Hegel e Deleuze.

03. Questões sobre a categoria hegeliana de trabalho a partir da leitura da consciência infeliz: trabalho ascético em Hegel e a crítica marxista ao conceito hegeliano de trabalho. O trabalho em Hegel como crítica a toda teoria expressivista da ação.

04. Razão categorial e razão dialética: sobre a natureza das distinções entre o transcendental e o especulativo e da crítica hegeliana às dicotomias do conceito kantiano de entendimento. A seção “Razão” e a crítica hegeliana ao processo de modernização em suas dimensões: cognitivo-instrumental, prático-finalista e jurídica.

05. A seção “Espírito” e a primeira apresentação de um conceito positivo de razão. Geist como práticas sociais legitimadas de maneira auto-reflexiva. Razão, história e a natureza da Erinnerung hegeliana.

06. Sobre o fracasso da polis grega como espaço de realização da substância ética. Antígona entre Hegel e Lacan: duas leituras sobre o conflito entre aspirações da singularidade, norma familiar e ordenamento jurídico.

07. Os impasses da norma na dimensão prática da razão. Hegel como teórico das interversões da moralidade: a linguagem do dilaceramento de O sobrinho de Rameau, a análise das clivagens da Gewissen e o advento da palavra de reconciliação. Ironia e dialética ou Por que não rir da filosofia?

08. Filosofia e teologia em Hegel. O conceito hegeliano de “religião” nos fornece uma teleologia da razão? Sobre o problema da contingência em Hegel ou Por que as feridas do Espírito são curadas sem deixar cicatrizes? O espírito do cristianismo e seu destino na modernidade.

09. “O ser do Eu é uma coisa” enquanto julgamento infinito e palavra de reconciliação. Retorno ao problema dos destinos das noções de contingência, de sensível e de temporalidade na posição do Saber Absoluto. Que tipo de síntese o Saber Absoluto opera ou O que é exatamente um conceito? Adorno, crítico da noção hegeliana de totalidade sistèmica. Teoria das negações e ontologia em Hegel e Adorno.

Bibliografia:

HEGEL, G.W.F., Fenomenologia do Espírito, Petrópolis, Vozes, 1992

___ ; Enciclopédia das ciências filosóficas, 3 vol., Belo Horizonte, Loyola, 1995

___; Phänomenologie des Geites, Hamburgo, Felix Meister, 1988

___ ; Sämtliche Werke, Leipzig, 1913

ADORNO, T., Drei Studien zu Hegel, Frankfurt, Suhrkamp, 1963

___ ; Negative Dialektik, Frankfurt, Suhrkamp, 1975

ARANTES, P.; Hegel: a ordem do tempo, São Paulo, Hucitec, 2000

___ ; Ressentimento da dialética: dialética e experiência intelectual em Hegel, São Paulo, Paz e Terra, 1996

BECKER, W., Hegels Phänomenologie des Geistes, eine Interpretation, Stuttgart/Berlin/Colônia, 1961

BOURGEOIS, B.; Etudes hégéliennes: raison et décision, Paris: PUF, 1992

BRANDOM, R., Holism and Idealism in Hegel’s Phenomenology in Hegel Studien (2001), n. 36, 57-92

___ ; Some pragmatist themes in Hegel Idealism. in BUBNER e MENSCH (org.) Die Weltgeschichte das Weltgericht, Klett-Cota, 2001

CONSTANTINO, S.; Hegel: la dialettica como linguaggio. Il problema dell’individuo nella fenomenologia dello spiritu, Milão, 1980

DELEUZE, G.; Différence et répétition, Paris: PUF, 1968

DOZ, A, La logique de Hegel et les problèmes traditionnels de l'ontologie, Paris: Vrin, 1986

DOZ, A e DUBARLE, D.: Logique et dialectique, Paris: Larousse, 1972

FAUSTO, R.; Le capital et la logique de Hegel: dialectique marxienne, dialectique hégélienne, Paris, L´Harmattan, 1997

FINK-EITEL, H.; Dialektik und Sozialethik: Kommentierende Untersuchungen zu Hegel Logik, Meisenheim: Anton Hain, 1978

GODDARD, J-C. (org.); Le transcendantal et le spéculatif, Paris: Vrin, 1999

HAAS, B.; Die freie Kunst: Beiträge zu Hegels Wissenschaft der Logik, der Kunst und des Religiösen, Berlin, Duncker und Humblot, 2003

HABERMAS, J.; Conhecimento e interesse, Rio de Janeiro, Zahar, 1982

___ ; O discurso filosófico da modernidade¸São Paulo, Martins Fontes, 1994

HENRICH, D.; Hegel im Kontext, Frankfurt: Surkhamp, 1967

HONNETH, A, Luta por reconhecimento, São Paulo, Editora 34, 2003

HÖSLE, V.; Philosophiegeschichte und objektiver idealismus, Munique, Beck, 1996

HYPPOLITE, J. Gênese e estrutura da Fenomenologia do Espírito de Hegel, São Paulo, Discurso Editoral, 1999

KOJÈVE, A.; Introduction à la lecture de Hegel, 3 ed., Paris: Gallimard, 1992

LABARRIÈRE, P-J., Structures e mouvement dialectique dans la Phénoménologie de l´esprit de Hegel, Paris, Aubier, 1968.

LACAN, J.; Le séminaire VII – l´ethique de la psychanalyse, Paris: Seuil, 1986

LEBRUN, Gérard; La patience du concept, Paris: Gallimard, 1971

___; O avesso da dialética, São Paulo: Companhia das Letras, 1986

LONGUENESSE, B.; Hegel et la critique de métaphysique, Paris: Vrin, 1981

MABILLE, B.; Hegel: l'épreuve de la contingence, Paris: Aubier, 1999

MARCUSE, H., Os fundamentos da filosofia de Hegel in Razão e revolução, São Paulo, Paz e Terra, 1984

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos, São Paulo, Boitempo, 2004

PÖGGELER, O; Études hégéliennes, Paris: Vrin,1985

PINKARD, T.; Hegel´s Phenomenology: The sociability of reason, Cambridge University Press, 1994

PIPPIN, R., Hegel’s idealism: the satisfaction of self-consciousness, Cambridge University Press, 1989

SIMON, J., Das problem der Sprache bei Hegel, Stuttgart: W. Kohlammer, 1955

SOUCHES-DAGUES, D.; Logique et politique hégéliennes, Paris: Vrin, 1985

TAYLOR, Charles; Hegel, New York: Cambridge University Press, 1977

THEUNISSEN, Michael; Sein und schein: Die kritische Funcktion der Hegelschen Logik, Frankfurt: Suhrkamp, 1980

 

-FLF0368 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência I

Disciplina Obrigatória

Destinada: alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

TÍTULO: Sobre os modelos filosóficos da ciência

Objetivos:

A disciplina objetiva fazer uma apresentação abrangente das principais etapas

do desenvolvimento da filosofia da ciência como uma disciplina especializada no interior da filosofia e da ciência, iniciando no século XIX e terminando com os trabalhos mais recentes desenvolvidos no departamento no sentido de consolidar o modelo da interação entre a ciência e os valores. Concebida inicialmente na perspectiva exclusivamente epistemológica, em respeito da

distinção entre fato e valor, a filosofia da ciência foi movendo-se gradativamente para a confluência entre a epistemologia e a ética, tendo em vista a complementaridade entre fato e valor.

 

Conteúdo:

1 John Stuart Mill versus William Whewell – recolocação da questão empirista

sobre a causalidade.

2 O fenomenalismo de Mach e o convencionalismo de Duhem – os limites da

percepção e da indução.

3 O pragmatismo de Charles Peirce e William James – quanto valem as palavras e as ações.

4 Uma epistemologia histórica a parte – Gaston Bachelard.

5 O empirismo lógico – Moritz Schlick e Rudolf Carnap e o poder da linguagem.

6 O empirismo crítico – Karl Popper e Imre Lakatos e o poder da crítica.

7 Kuhn e o aporte da história da ciência para a dinâmica do desenvolvimento

científico.

8 Terry Shinn e a contribuição da sociologia para o entendimento da ciência

contemporânea.

9 Hugh Lacey e o modelo da interação entre a ciência e os valores: confluência

entre epistemologia e ética

 

Bibliografia:

BACHELARD, G. Epistemologia. Trechos escolhidos por D. Lecourt. Rio de

Janeiro: Zahar, 1977.

_____. A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

_____. Ensaio sobre o conhecimento aproximado. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.

CARNAP, R. Empirismo, semântica e ontologia. In: Os pensadores: Schlick e

Carnap . São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 113-28.

DUHEM, P. Algumas reflexões sobre as teorias físicas. Ciência e Filosofia, 4, p. 13-37, 1989.

_____. Física e metafísica. Ciência e Filosofia, 4, p. 41-59, 1989.

_____. Algumas reflexões acerca da física experimental. Ciência e Filosofia, 4,

p. 87-118, 1989.

JAMES, W. Segunda conferencia: o que significa o pragmatismo. In: Os pensadores: James, Dewey, Veblen. São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 9-22.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1975.

_____. A tensão essencial. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

LACEY, H. Valores e atividade científica 1. São Paulo: Associação Filosófica

Scientiae Studia/Editora 34, 2008.

_____. Valores e atividade científica 2. São Paulo: Associação Filosófica Scientiae Studia/Editora 34, 2010.

LAKATOS, I. Historia de la ciencia y sus reconstrucciones racionales. Madrid:

Tecnos, 1974.

_____. O falseamento e a metodologia dos programas de pesquisa científica. In:

LAKATOS, I. & MUSGRAVE, A. (Ed.). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Cultrix, 1979. p. 109-243.

LAKATOS, I. & MUSGRAVE, A. (Ed.). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Cultrix, 1979.

MACH, E. The economy of science. In: _____. The science of mechanics. A

critical and historical account of its development. Illinois: Open Court, 1974. p 577-95.

MILL, J. S. Sistema de lógica dedutiva e indutiva. In: Os pensadores: Jeremy

Bentham e John Stuart Mill . São Paulo: Abril Cultural, 1974. p. 75-252.

PEIRCE, C. S. Ilustrações da lógica da ciência. Aparecida: Ideias & Letras, 2008.

POPPER, K. R. The logic of scientific discovery. New York: Harper & Row, 1965.

_____. Conjecturas e refutações. Brasília: Editora da Universidade de Brasília,

1972.

SCHLICK, M. O fundamento do conhecimento. In: Os pensadores: Schlick e

Carnap . São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 65-81.

_____. A causalidade na física atual. In: Os pensadores: Schlick e Carnap. São

Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 3-37.

SHINN, T. & RAGOUET, P. Controvérsias sobre a ciência. Por uma sociologia

transversalista da atividade científica . São Paulo: Associação Filosófica

Scientiae Studia/Editora 34, 2008.

 

- FLF0369 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0368

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Objetivos:

Examinar modelos de racionalidade e sua aplicação a casos paradigmáticos

de comportamento racional, tanto na vida social como na prática científica.

Analisar criticamente o modelo clássico de racionalidade científica, centrado

em regras metodológicas de decisão isolada, e utilizar os recursos da teoria

dos jogos para tentar compreender diversos aspectos da atividade dos

cientistas em interação estratégica com seus pares.

 

Conteúdo:

1. Modelo clássico de racionalidade.

2. Regras do método científico.

3. Racionalidade individual e coletiva.

4. Mecanismos de interação social.

5. Compromissos e movimentos estratégicos.

6. Conduta competitiva e cooperativa.

7. Equilíbrio, coordenação e otimização.

8. Razões, emoções e normas sociais.

9. Dispositivos de credibilidade na ciência.

10. Mudanças sociais e científicas.

 

Bibliografia:

Para as aulas expositivas:

Dixit, A. & Skeath, S. – Games of Strategy, 2nd edition, W. W. Norton & Co.

Para os seminários:

Elster J. – Explaining Social Behavior, Cambridge.

Textos complementares:

Binmore, K. – Game Theory: A Very Short Introduction, Oxford.

Camerer, C. – Behavioral Game Theory, Princeton.

Davidson, D. – Problems of Rationality, Oxford.

Kuhn, T. - A Estrutura das Revoluções Científicas, Perspectiva.

Kuhn, T. - O Caminho desde A Estrutura, Ed. Unesp.

Mele, A. & Piers, R. (Eds.) – The Oxford Handbook of Rationality, Oxford.

Nozick, R. – The Nature of Rationality, Princeton.

-FLF0388 Ética e Filosofia Política I

Disciplina Obrigatória

Destinada: alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivos :

O curso pretende examinar o legado do pensamento romano e do Renascimento italiano para a tradição republicana. Serão comentados textos fundamentais da filosofia política do momento romano - as ‘Histórias’ de Políbio, o ‘De Republica’ e o ‘De Officiis’ de Cícero - para caminharmos, depois, na direção das reflexões do Humanismo Cívico florentino e Maquiavel. O ponto de partida e a referência central deste percurso são os debates contemporâneos sobre o republicanismo.

Conteúdo :

1. A tradição do republicanismo no debate contemporâneo da filosofia política.

2. O legado grego: a reflexão sobre os regimes de governo e sobre o melhor regime.

3. Breve retrospecto sobre Platão (O “Protágoras”, “A República” e “As Leis”) e sobre os livros políticos de Aristóteles.

4. Políbio e a Constituição romana.

5. Cícero: “De Republica”

6. Cícero: “De officiis”

7. A reflexão política medieval e a questão do ‘regime misto’

8. O Humanismo Cívico e os regimes de governo

9. Maquiavel e o “tratado sobre as repúblicas”

10. A ‘Constituição para Florença’ de Maquiavel.

 

BIBLIOGRAFIA :

Aristóteles, 1998. Política. Lisboa: Vega.

Aristote, 1993. Les Politiques. Paris: Flammarion.

Aristotle, 1958. The Politics of Aristotle. London/Oxford: Oxford Univ. Press.

Cicero, 1994. The Re Public. London: Havard Univ. Press (Loeb Classical Lib.)

Cícero, 2004. Dos Deveres. São Paulo: Martins Fontes

Cicéron,1965. Les Devoirs. Paris: Les Belles Lettres

Maquiavel,2007. Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. São Paulo: Martins Fontes.

Maquiavel, 2010. Discurso sobre as formas de governo de Florença, após a morte do jovem Lourenço de Médicis. Belo Horizonte: Editora UFMG.

Platão, 2002. Protágoras. Belém: EDUFPA.

Platão, 2000. A República. Belém: EDUFPA.

Platão, 1980. As Leis. Belém: EDUFPA.

Políbios, 1985. Histórias. Brasília: Ed. Univ. de Brasília.

 

- FLF0389 Ética e Filosofia Política II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0388

Carga horária: 120h

Créditos:06
 

TÍTULO: Dois conceitos de liberdade: Hobbes e Harrington

Objetivo:

A disciplina tem a intenção de analisar a noção de liberdade nos escritos políticos de Thomas Hobbes e James Harrington. O intuito é mostrar como a concepção de cada um desses filósofos está na origem de duas maneiras distintas de entender a liberdade política na modernidade: a liberdade no sentido negativo, que vai caracterizar a idéia de liberdade no pensamento liberal, e a liberdade como não-dominação, que vai caracterizar a idéia de liberdade no pensamento republicano.
 

Conteúdo:

  1. Introdução: por que rever a noção de liberdade em Hobbes e Harrington?
  2. A liberdade negativa em Hobbes

2.1. A questão da obrigação política

2.2. A noção de liberdade nos Elementos da Lei Natural e Política

2.3. A noção de liberdade em Do cidadão

2.4. A noção de liberdade no Leviatã

2.5. Liberdade dos súditos e liberdade do Estado

  1. A liberdade republicana em Harrington

3.1. A excelência do regime republicano

3.2. A noção de liberdade na República de Oceana

3.3. Liberdade como não-dominação

3.4. Liberdade e lei

  1. Conclusão

Bibliografia:

Fontes primárias

Harrington, James. The commonwealth of Oceana and A System of Politics (ed. J. G. A. Pocock). Cambridge: Cambridge University Press, 1992.

_________. La Republica de Oceana (trad. Enrique Canedo). México: Fondo de Cultura Economica, 1996.

Hobbes, Thomas. Leviathan. London: Penguin Classics, 1985.

__________. The Elements of Law Natural and Politic. Oxford: Oxford University Press, 1994.

__________. Leviatã (trad. João Paulo Monteiro). São Paulo: Martins Fontes, 2004.

__________. Do Cidadão (trad. Renato J. Ribeiro). São Paulo: Martins Fontes, 1992.

Fontes secundárias

Andrew, Edward G. Hobbes on Conscience within the Law and without. In: Canadian Journal of Political Science / Revue canadienne de science politique, Vol. 32, No. 2 (Jun., 1999), pp. 203-225.

Blitzer, Charles. An immortal commonwealth: the political thought of James Harrington. New Haven: Yale University Press, 1960.

Carlyle, A. J. Political Liberty: a history of the conception in the middle ages and modern times. Oxford: Clarendon Press, 1941

Cotton, James. James Harrington as Aristotelian. In: Political Theory, Vol. 7, No. 3 (Aug., 1979), pp. 371-389.

Cragg, Gerald R. Freedom and Authority: a study of English thought in the early seventeenth century. Philadelphia: The Westminster Press, 1975

Cromartie, Alan. Harringtonian virtue: Harrington, Machiavelli, and the method of the moment. In: The Historical Journal, v.41, n.4, 1998, p.987-1009.

Fink, Z. S. The classical republicans: an essay in the recovery of a pattern of thought in seventeenth-century England. Northwestern University Press, 1962

Forster, Greg. Divine law and human law in Hobbes´s Leviathan. In: History of Political Thought. Vol. XXIV. No. 2, 2003, p.189-217

Freeman, David A. The science of republicanism: Hobbes and Publius. In The Social Science Journal 42, 2005, p.351-358

Fukuda, Arihiro. Sovereignty and the sword. Oxford: Claredon Press, 1997

Goldie, Mark. The civil religion of James Harrington. In: The languages of political theory in early-modern Europe, (ed. Anthony Pagden). Cambridge: Cambridge University Press, 1987, p.197-222.

Goldsmith, M. M. Hobbes’s Science of Politics. New York: Columbia University Press, 1966.

Goyard-Fabre, S. Le droit et la loi dans la philosophie de Thomas Hobbes. Paris: Klinsksieck, 1975.

King, Preston (ed.) Thomas Hobbes: critical assessments. London: Routledge, 2000.

Macpherson, C. B. The political theory of possessive individualism, Hobbes to Locke. Oxford: Oxford University Press, 1970

Oakeshott, Michael. Hobbes on Civil Association. Indianapolis: Liberty Fund, 2000.

Pettit, Philip. Liberty and Leviathan. In: politics, philosophy & economics 4(1), p.131-151.

Pocock, J. G. A. (ed.) The varieties of British political thought, 1500-1800. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

_______. James Harrington and the Good Old Cause: A Study of the Ideological Context of His Writings. In: The Journal of British Studies, Vol. 10, No. 1 (Nov., 1970), pp. 30-48

Remer, Gary. James Harrington´s new deliberative rhetoric: reflection of an anticlassical republicanism. In: History of political thought. Vol. XVI. No. 4. Winter 1995, pp. 532-557

Ribeiro, Renato J. A marca do Leviatã. São Paulo: Ática, 1978

__________. Ao leitor sem medo. São Paulo: Brasiliense, 1984

Skinner, Quentin. Liberdade antes do liberalismo. São Paulo: Unesp, 1998.

_________. The Ideological Context of Hobbes's Political Thought. In: The Historical Journal, Vol. 9, No. 3 (1966), pp. 286-317

_________. Razão e retórica na filosofia de Hobbes. São Paulo: Ed. Unesp/ Cambridge University Press, 1997.

_________. Hobbes and Republican Liberty. Cambridge: Cambridge University Press, 2008

Smith, H. F. Russell. Harrington and his Oceana: a study of a 17th century utopia and its influence in America. Cambridge: Cambridge University Press, 1914

Sorel, Tom. The Cambridge Companion to Hobbes. Cambridge: Cambridge University Press, 1997

Strauss, Leo . The Political Philosophy of Hobbes. Chicago : Chicago University Press, 1963.

Sullivan, Vickie B. Machiavelli, Hobbes, and the Formation of a Liberal Republicanism in England. Cambridge: Cambridge University Press,

2004.

Tuck, Richard. Natural rights theories. Their origin and development. Cambridge: University Press, 1995

Vaughan Geoffrey M. The audience of Leviathan and the audience of Hobbe´s political philosophy. In: History of Political Thought. Vol. XXII. No. 3, 2001, p.448-471

Worden, Blair. James Harrington and The Commonwealth of Oceana. In: Republicanism, Liberty, and Commercial Society (ed. David Wootton). California: Stanford University Press, 1994, p.82-110

Wootton, David (ed.) Republicanism, Liberty and Commercial Society, 1649-1776. Stanford: Stanford University Press, 1994.

Zarka, Yves C. (ed). Hobbes et la pensée politique moderne. Paris: PUF, 1995

 

- FLF0415 História da Filosofia Antiga III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

TÍTULO: Teorias da Justiça na Antigüidade: Platão

Objetivo:

Exame da doutrinaplatônica da justiçanosdiálogos de maturidade.

Conteúdo:

(a) Cálicles no Górgias

(b) Saber e política no Político

(c) O projetoplatônico da justiça nas Leis
 

Bibliografia:

Bibliografia sumária :

Texto grego: Platonis Opera. OCT 1900-1907, 5 vols., ed. John Burnet, várias reedições (vol. I nova ed.: 1995). Ed. Slings da República: OCT 2003.

Belles Lettres: Les Lois (3 vols.), trad. E. des Places (vol. I – VI) e A. Diès (VII – XII), Paris 1951 – 1956

Comentários :

C. D. C. Reeve. Philosopher-Kings. Princeton 1988

J. Adam. The Republic of Plato. 2 vols. Cambridge 1902

G. Vlastos. Platonic Studies. Princeton 1973

T. Irwin. Plato’s Ethics. Oxford 1995

E. Dodds. Plato: Gorgias. Oxford 1959

C. Bobonich. Plato’s Utopia Recast. Oxford 2002

A. Laks. Pour une lecture des Lois de Platon. Lille 2005

 

-FLF0441 Filosofia Geral III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Título: “A teoria humeana da experiência”

Objetivo:

Examinar os fundamentos da teoria humeana da experiência exposta no livro I do Tratado da natureza humana.
 

Conteúdo:

1. A ciência da natureza humana

2. Origem e natureza das ideias

3. Conhecimento, probabilidade e crença

4. Limites da imaginação

5. Crítica da razão

6. Uma nova compreensão da experiência
 

Bibliografia:

Hume – A treatise of human nature. Ed. Norton & Norton. 2 vols. Oxford: Clarendon Press, 2011.

– A treatise of human nature. Ed. Selby-Bigge/Nidditch. Oxford: Clarendon Press, 1978.

– Tratado da natureza humana. Tradução Débora Danowski. São Paulo: Unesp, 2003.

Ardal, P. – Passion and value in Hume’s Treatise. Edinburgh: University Press,

1966.

Baier, A. – A progress of sentiments. Reflections on Hume’s Treatise. Harvard

University Press, 1991.

Beauchamp, T.; Rosenberg, A. – Hume and the problem of causation. Oxford:

University Press, 1981.

Brahami, F. – Introduction au Traité de la nature humaine. Paris: PUF, 2003.

Brunet, O. – Philosophie et esthétique chez David Hume. Paris: A. G. Nizet, 1965.

Clero, J. – Hume. Une philosophie des contradictions. Paris: Vrin, 1999.

Deleule, D. – Hume et la naissance du libéralisme économique. Paris: Aubier,

1979.

Deleuze, G. – Empirisme et subjectivité. Paris: PUF, 1953.

– “Hume”. in: Chatêlet (org.), História da filosofia, vol. 04. Tradução Guido Antonio de Alameida. Rio de Janeiro: Zaghar, 1974.

Fogelin, R. – Hume’s skepticism in the Treatise of human nature. Londres: Routledge, 1985.

Forbes, D. – Hume’s philosophical politics. Cambridge: University Press, 1975.

Gautier, C. – Hume et les savoirs de l’histoire. Paris: Vrin, 2006.

Jones, P. – Hume’s sentiments. Their ciceronioan and french contexts. Edinburgh: University Press, 1982.

Le Jallé, E. – Hume et l’autorégulation morale. Paris: Vrin, 2005.

Lebrun, G. – “A boutade de Charing-Cross”, in: A filosofia e sua história. São

Paulo: CosacNaify, 2004.

– “David Hume no álbum de família da fenomenologia”, in: A filosofia e sua história. São Paulo: CosacNaify, 2004.

– “Berkeley ou o cético malgré lui”, in: A filosofia e sua história. São Paulo: CosacNaify, 2004.

Leroy, A. – David Hume. Paris: PUF, 1953.

Livingston, D. – Philosophical melancholy and delirium. Hume’s pathology of

philosophy . Chicago: University Press, 1998.

Malherbe, M. – La philosophie empiriste de David Hume. Paris: Vrin, 1985.

– “Un roman philosophique”, in: Hume, Système sceptique et autres systèmes, Paris: Seuil, 2002.

– “La notion de circonstance dans la philosophie de Hume”, in: Hume Studies, IX, 02, 11/1983.

Michaud, Y. – Hume et la fin de la philosophie. Paris: PUF, 1981.

Mossner, E. C. – The life of David Hume. 2ª ed. Oxford: Clarendon Press, 1990.

– The forgotten Hume. Nova York: MAS, 1967. Norton, D. F. – David Hume, common sense moralist, sceptical metaphysician. 2ª ed. Princeton: University Press, 1984.

Ribeiro de Moura. C. A. – “David Hume para além da epistemologia”, in: Crise

e racionalidade . São Paulo/Curitiba: Humanitas, 2002.

Richetti, J. – Philosophical writingLocke, Berkeley, Hume. Londres: 1983.

Smith, N. K. – The philosophy of David Hume. A critical study of its origins and

central doctrines . Londres: MacMillan, 1941.

Waxman, W. – Hume theory of conciousness. Cambridge: University Press, 1984.

– “Impressions and ideas: vivacity as verisimilitude”, in: Hume Studies, vol. XIX, no. 01, 1999.

 

- FLF0442 História da Filosofia Moderna III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Objetivos:

Estudar a questão da liberdade humana na filosofia de Leibniz.

 

Conteúdo:

1. A substância individual.

2. A presciência divina e a questão da liberdade humana.

3. A noção completa e a questão da liberdade humana.

4. A contingência: necessidade moral e necessidade hipotética.

5. Jurisprudência universal.

6. Justiça humana.

 

Bibliografia:

Adams, R. M. – Leibniz: determinist, theist, idealist. Oxford: Oxford University Press, 1994.

Belaval – Leibniz, initiation à sa philosophie. Paris: Vrin, 1962.

______ - Leibniz critique de Descartes. Paris: Gallimard, 1960.

Burgelin, P. - Commentaire du Discours de metaphysique de Leibniz. Paris: Presses Universitaires de France, 1959.

Cardoso, A. – Leibniz segundo a expressão. Lisboa: Edições Colibri, 1992.

Couturat, L. - La logique de Leibniz. Hildesheim : G. Olms, 1961.

Grua – La justice humaine selon Leibniz: Paris, PUF, 1956.

Grua – Jurisprudence universelle et théodicée selon Leibniz: Paris, PUF, 1953.

Leibniz – Discurso de metafísica e outros textos. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

______ - Discurso de metafísica; Monadologia; O que é idéia; Da origem primeira das coisas; Novos ensaios sobre o entendimento humano (trechos). Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril, 1973 (há edições posteriores).

_______ - Escritos filosóficos. Edição de Ezequiel de Olaso. Buenos Aires: Editorial Charcas, 1982.

_______ - Discours de métaphysique et correspondance avec Arnauld.Edição de G. Le Roy. Paris: Vrin, 1966.

 

- FLF0443 História da Filosofia Contemporânea III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP.

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

TÍTULO: Fenomenologia e ciências no período intermediário de Husserl

Objetivo:

Trata-se de explicitar como o tema das relações entre as ciências e a

fenomenologia é desenvolvido por Husserl em textos do período das Ideias e

posteriores, da década de 20. Destacam-se nestes textos a preocupação com

a especificidade das ciências humanas e a exploração do mundo da experiência como meio para justificar a divisão temática das ciências.
 

Conteúdo:

- O projeto inicial de uma doutrina da ciência

- A fenomenologia como ciência eidética e transcendental

- Análise constitutiva das regiões eidéticas fundantes das ciências empíricas

- Orientação naturalista e personalista

- As ciências humanas e a fenomenologia

- O retorno ao mundo da experiência
 

Bibliografia:

Textos principais

HUSSERL, E. Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Erstes Buch: Allgemeine Einführung in die

reine Phänomenologie . Husserliana (Hua) III-1. Haag: Martinus Nijhoff, 1977.

_______. Ideen zur einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen

Philosophie. Zweites Buch: Phänomenologische Untersuchungen zur

Konstitution. Hua. IV. Haag: Martinus Nijhoff, 1952.

_______. Ideen zur einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Drittes Buch: Die Phänomenologie und die Fundamente der Wissenschaften. Hua. V. Haag: Martinus Nijhoff, 1971.

_______. Logische Untersuchungen. Erster Teil. Prolegomena zur reinen Logik . Hua XVIII. Haag: Martinus Nijhoff, 1975.

_______. Natur und Geist. Vorlesungen Sommersemester 1919. Husserliana Materialien IV. Dordrecht: Kluwer, 2002.

_______. Natur und Geist: Vorlesungen Sommersemester 1927. Hua XXXII. Dordrecht: Kluwer, 2001.

_______. Phänomenologische Psychologie. Hua IX. Haag: Martinus Nijhoff,1968.

Textos de apoio 1

BERNET, R. et al. An Introduction to Husserlian Phenomenology. Evanston:

Northwestern Univ. Press, 1993.

1 Mais textos serão mencionados no correr do semestre.

FEIST, R. (org.). Husserl and the Sciences. Ottawa: Univ. of Ottawa Press, 2004.

HARDY, L. (org.). Phenomenology of Natural Science. Boston: Kluwer, 1992.

MOURA, C. A. R. de. Racionalidade e Crise. Estudos de história da filosofia

moderna e contemporânea. SP: Discurso/ UFPR, 2001.

SACRINI, M. “O projeto fenomenológico de fundação das ciências”. Scientiae

Studia , v. 7, n.4, 2009, p. 577-593.

STRÖKER, E. The Husserlian Foundations of Science. Dordrecht: Kluwer,

1997.

 

- FLF0358 Filosofia da Lógica

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP.

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivo:

Esboçar o processo de formação da filosofia madura de Wittgenstein.

Conteúdo:

Wittgenstein recomenda expressamente que sua filosofia madura seja lida contra o pano de fundo do Tractatus. A recomendação foi interpretada de diferentes modos, sugerindo desde um contraste absoluto, até uma continuidade de fundo. Por via de regra, a abordagem destas relações entre a primeira e a segunda filosofia de Wittgenstein tem sido estática. Duas estruturas são contrapostas, e pergunta-se, então, por suas semelhanças ou diferenças. Em oposição a esta tendência, o curso procurará fazer uma abordagem genética da questão. Examinarei a evolução do tratamento de dois temas centrais na filosofia de Wittgenstein – a análise do discurso que tematiza a subjetividade e a noção de necessidade lógica – do Tractatus até o Livro Azul, primeiro texto em que sua filosofia madura pode ser claramente discernida.

Bibliografia:

Fogelin, R. Wittgenstein, 2ª ed. (Routledge, Londres, 1987)

Hacker, P.M.S. Insight and Illusion (Clarendon Press, Oxford, 1986)

McGuinness, B (ed.) Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle: Conversations Recorded by Friedrich Waismann (Blackwell, Londres, 1979)

Pears, D. The False Prison. (Clarendon Press, Oxford, 1987)

Wittgenstein, L. Notebooks – 1914–1916 (Blackwell, Londres, 1961)

Wittgenstein, L. Philosophical Grammar (Blackwell, Londres, 1974)

Wittgenstein, L. Philosophical Occasions – 1912–1951 (Hackett, Indianapolis, 1993)

Wittgenstein, L. Philosophical Remarks (Blackwell, Londres, 1975)

Wittgenstein, L. Tractatus Logico-Philosophicus. (Edusp, São Paulo, 1993)

Wittgenstein, L. Wittgenstein's Lectures 1930–1932 (Blackwell, Londres, 1980)

 

- FLF0444 Lógica III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Título: Metateoremas da Lógica Clássica Proposicional e de Predicados

Conteùdo:

A. Metateoremas da Semântica Proposicional

1. Extensionalidade

2. Completude Funcional

B. Versões Axiomáticas da Lógica Proposicional

1. Bases axiomáticas

2. Correção e Completude

3. Maximalidade

C. Metateoremas da Semântica de Predicados

1. Extensionalidade

2. Dualidade, negação

D. Bases Axiomáticas e de Dedução Natural para o Cálculo de Predicados

1. Apresentação de alguns sistemas equivalentes

2. Correção e Completude

3. Outras propriedades metateóricas
 

Bibliografia:

Mates, Benson - Lógica Elementar, Cia Editora Nacional, 1969

Mendelson, E. - Mathematical Logic, Chapman & Hall, 4a ed. 1997

Kleene, S. - Introduction to Metamathematics, Van Nostrand, 1962

Shoenfield, J. - Mathematical Logic. Addison-Wesley, 1967

Church, A. - Introduction to Mathematical Logic, Princeton Umiv. Press, 10a ed. 1996

Smullyan, R. M. - First Order Logic, Dover Publications Inc., New York, 1995

 

- FLF0445 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Objetivos:

Esta disciplina tem como objetivo analisar as principais caracterizações contemporâneas do realismo científico, considerar os argumentos favoráveis e contrários a tal concepção e estabelecer uma comparação com as filosofias anti-realistas das ciências naturais.
 

Conteúdo:

1. Sentido e referência. Teorias da verdade.

2. Equivalência empírica e subdeterminação das teorias pela experiência.

3. Explicação do êxito instrumental e aproximação da verdade.

4. Dependência teórica da metodologia científica.

5. Naturalização da epistemologia.

6. Empirismo construtivo de van Fraassen.

7. Realismo de entidades de Hacking.

8. Realismo interno de Putnam.

9. Relativismo cognitivo: a construção social do conhecimento.

10. A verdade é objetivo da ciência?
 

Bibliografia:

Chalmers, A. - A fabricação da ciência.

Davidson, D. - Ensaios sobre a verdade.

Feyerabend, P. - Adeus à razão.

Haack, S. - Filosofia das lógicas.

Hacking, I. - Representing and intervening.

Kuhn, T. - A estrutura das revoluções científicas.

Kuhn, T. – O caminho desde A Estrutura.

Laudan, L. - La ciencia y el relativismo.

Leplin, J. (ed.) - Scientific realism.

Popper, K. - O realismo e o objetivo da ciência.

Putnam, H. - Razão, verdade e história.

Quine, W. - Relatividade ontológica e outros ensaios.

Quine, W. - De um ponto de vista lógico.

Rorty, R. - A filosofia e o espelho da natureza.

Rorty, R. - Pragmatismo: a filosofia da criação e da mudança.

Strawson, P. – Análise e metafísica.

van Fraassen, B. - The scientific image.

 

- FLF0449 Filosofia e História da Ciência Moderna

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

Objetivos:

Oferecer aos alunos um curso de introdução a certos aspectos epistemológicos e ontológicos relacionados ao nascimento das ciências modernas que toma como eixo central a interpretação de Ernst Cassirer desenvolvida em O problema do conhecimento na filosofia e na ciência modernas. Os aspectos a serem destacados serão (a) o nascimento dos conceitos de natureza e de conhecimento autônomos a partir da filosofia natural e da epistemologia do Renascimento, (b) as relações entre experiência e razão no nascimento da ciência moderna e (c) problemas particulares do desenvolvimento da ciência moderna no século XVIII, com algum destaque nas ciências da vida.

CONTEÚDO

1. A filosofia natural do Renascimento

2. A teoria psicológica do conhecimento do Renascimento

3. O nascimento da ciência moderna

4. A revolução astronômica e o novo papel do sujeito do conhecimento

5. Kepler e a harmonia do mundo

6. Galileu, experiência e razão

7. Descartes: a unidade do conhecimento, física e geração orgânica

8. Leibniz e o novo sistema da natureza

9. Aspectos do desenvolvimento da ciência moderna no século XVIII
 

BIBLIOGRAFIA

ADAN, C. & P. TANNERY (ed). Oeuvres de Descartes, t. XI - 2. Paris: J. Vrin, 1986.

______. Oeuvres de Descartes, t. IX - 2. Paris: J. Vrin, 1989.

AGRIPA, E. Filosofía oculta. Magia natural. Madrid: Alianza, 1992.

ALQUIÉ, F. A filosofia de Descartes. Lisboa: Presença, 1993.

CASSIRER, E. El problema del conocimiento. v.1. Cidade do México: Fondo de Cultura Económica, 2004.

______. El problema del conocimiento. v.2. Cidade do México: Fondo de Cultura Económica, 1993.

______. A filosofia do iluminismo. Campinas: Editora da Unicamp, 1992.

______. Indivíduo e cosmo na filosofia do Renascimento. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1999.

______. Obras escolhidas: Discurso do método, Meditações metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Coleção Os Pensadores).

GALILEI, G. Diálogos sobre os dois máximos sistemas do mundo ptolomaico e copernicano. São Paulo: Discurso / Fapesp, 2001. Trad. introd. e notas de Pablo Rubén Mariconda.

KEPLER, J. The harmony of the world, Filadélfia: Memoirs of the American Philosophical Society, 209, 1997.

______. El secreto del universo. Madrid: Alianza, 1992.

______. Astronomie nouvelle. Paris: Albert Blanchard, 1979.

______. L’harmonie du monde. Paris: Librairie Albert Blanchard, 1977.

LEIBNIZ, G. W. Sistema novo da natureza e da comunicação das substâncias e outros textos. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2002.

LOVEJOY, A. A grande cadeia do ser: um estudo da história de uma idéia. São Paulo: Palíndromo, 2005.

MIRANDOLA, P. G. della. Discurso sobre a dignidade do homem. Lisboa: Edições 70, 1989.

MAUPERTUIS, P.-L. M. de. Oeuvres. Hildesheim, Georg Olms, 1965. 3 v. (Fac-símile das Ouvres de Maupertuis, Lyon, 1768).

NEWTON, Leibniz. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Coleção Os pensadores).
 

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ABRANTES, P. Imagens da natureza, imagens de ciência. Campinas: Papirus, 1998.

CHALMERS, A. A fabricação da ciência. São Paulo: Edit. UNESP, 1994.

______. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

COTTINGHAM, J. Dicionário Descartes. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

EHRARD, J. L'Idée de nature en France dans la primière moitié du XVIIIe siècle. Paris: Albin Michel, 1994.

HANKINS, T. L. Science and the Enlightenment. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1995.

MARION, J.-L. Sobre a ontologia cinzenta de Descartes. São Paulo: Instituto Piaget, 1997.

MAUPERTUIS, P.-L. M. de. Essai de cosmologie [s.l.], 1751.

______. Carta XIV. Sobre a geração dos animais. Scientiae Studia, 2, 1, 2004, p. 129-34 (Trad. de M. de C. Ramos).

______. Vênus física. Scientiae Studia, 3, 1, 2005, p. 103-65 (Trad. e notas de M. de C. Ramos).

PATY, M. Une métaphysique du mouvement au temps de d'Alembert. La théorie physique du monde du Chevalier François de Vivens. In: KÖLVING, U. & PASSERON, I. (Ed.). Science, musiques, Lumières. Mélanges offerts à Anne-Marie Chouillet. Centre International d’Etude du xviiiè siècle, Ferney-Voltaire (F), 2002, p. 59-81.

PICHOT, A. Histoire de la notion de vie. Paris: Gallimar, 1993.

PYLE, A. J. Animal generation and the mechanical philosophy: some light on the role of biology in the scientific revolution. History and Philosophy of Life Sciences, 9, 2, p. 225-54, 1987.

RAMOS, M. de C. Origem da vida e origem das espécies no século XVIII: as concepções de Maupertuis. Scientiae Studia, 1, 1, 2003, p. 43-61.

______. Geração orgânica, acidente e herança da Carta XIV de Maupertuis. Scientiae Studia, 2, 1, 2004, p. 99-128.

______. A Vênus física de Maupertuis: antigas idéias sobre a geração reformadas pelo mecanicsmo newtoniano. Scientiae Studia, 3, 1, 2005, p. 79-101.

ROGER, J. Les sciences de la vie dans la pensée du XVIIe. siècle: la generation des animaux de Descartes à l'Encyclopédie. Paris: Armand Colin, 1993.

ROSSI, P. Os filósofos e as máquinas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

 

- FLF0461 Filosofia da Linguagem

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Objetivo:

Em 1930, Wittgenstein começa a dar aulas em Cambridge, após permanecer vários anos afastado da filosofia. Por essa época, seu pensamento está atravessando uma crise, que culminará no completo abandono do modelo de análise lógica da linguagem proposto no Tractatus. Esse abandono determinará, por sua vez, o surgimento de sua filosofia madura.

Desse primeiro curso dado por Wittgenstein, restam apenas as anotações feitas por alguns alunos. Ao todo, somam apenas quarenta páginas impressas, correspondentes aos três períodos letivos anuais de Cambridge. As anotações são bastante fragmentárias e imperfeitas, mas estão cercadas por uma enorme quantidade de manuscritos produzidos exatamente nesse período, e disponíveis hoje tanto na Wiener Ausgabe quando na edição eletrônica Bergen.

Meu curso será uma tentativa de, a partir desse material impresso, reconstruir as aulas ministradas por Wittgenstein durante os dois primeiros períodos letivos daquele ano. Eis os principais tópicos que serão abordados:

Conteúdo:

1. Apresentação panorâmica do Tractatus Logico Philosophicus

2. A conferência sobre a forma lógica

3. O curso de 1930

A. A nova concepção de filosofia

B. As modificações na teoria da figuração

C. O papel central do conceito de medida

D. O novo tratamento do infinito

E. O novo tratamento dos números
 

Bibliografia:

BIBLIOGRAFIA ESSENCIAL

Obs.: Indico abaixo as traduções inglesas, que geralmente são as melhores. Outras traduções, além dos originais em alemão, estão disponíveis na biblioteca.

Wittgenstein, L. Tractatus Logico-Philosophicus

“Some Remarks on Logical Form”

Philosophical Remarks

Wittgenstein and the Vienna Circle

The Big Typescript

Wittgenstein’s Lectures 1930-32

Wittgensteins Nachlass (Bergen Electronic Edition)

 

- FLF0462 Teoria das Ciências Humanas III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

TÍTULO: Introdução à experiência intelectual de Michel Foucault: da arqueologia do saber à genealogia do poder

Objetivo:

Trata-se de apresentar a experiência intelectual de Michel Foucault a partir de alguns de seus momentos centrais. Esta apresentação não visa apenas fornecer o esquema do processo de constituição dos conceitos que nortearão o desenvolvimento da obra de Michel Foucault com seu sistema intrincado de diálogos com o panorama intelectual de seu tempo, embora não se trate de furtar-se a tal tarefa. O objetivo maior aqui é mostrar como a formação de novos objetos de reflexão filosófica (a loucura, a clínica, o estatuto das ciência humanas, a sexualidade, o biopoder) é indissociável de uma questão de método referente aos modos de relação entre a filosofia e os saberes, textos e práticas que lhe são normalmente exteriores. Questão que leva Foucault a sistematizar noções como “arqueologia” e “genealogia”, elevando-as a alternativas ao fazer filosófico. Desta forma, este curso visa apresentar algumas linhas de força centrais para a compreensão do que convencionou-se chamar de “pós-estruturalismo”.
 

Conteúdo:

1) Como Foucault chegou à História da loucura? O impacto da epistemologia francesa de Canguilhem, Bachelard e Cavaillès na constituição do método em História da loucura.

2) A razão e seu outro: a reflexão sobre a clínica como setor privilegiado da crítica da razão moderna e de seus processos de racionalização. A querela Foucault/Derrida a respeito do cogito cartesiano no interior da História da loucura.

3) Como Foucault chegou à As palavras e as coisas? Filosofia e estruturalismo no interior da experiência intelectual francesa. A noção de episteme como suspensão das dicotomias entre história e estrutura. O “método” arqueológico é um historicismo trancendental?

4) Em direção a uma arqueologia das ciências humanas : o conceito foucauldiano de modernidade e o primado do sujeito como duplo empírico-transcendental. Constituindo a temática da “morte do sujeito” através da pergunta: O que é um autor?

5) Como Foucault chegou à História da sexualidade? A recuperação de Nietzsche e a transformação da crítica da razão em geneaologia do poder. Racionalização e dominação no último Foucault.

6) Dar dignidade filosófica ao problema da sexualidade. Como o corpo se transformou em fator central da política? Foucault e os gender studies. Sexualidade e biopolítica : práticas discursivas sobre o corpo enquanto dispositivos de controle.

7) Pode a noção de “cuidado de si” servir de fundamento para a reconstituição uma razão que não se inverta mais em dominação de si? Foucault e o recurso à imanência no pós-estruturalismo francês. O pós-estruturalismo ou A crítica da razão à procura de um plano de imanência.

Bibliografia:

Bibilografia Básica

FOUCAULT, Michel; L’archéologie du savoir, Paris : Gallimard

____ ; Dits et écrits, vol I e II, Paris : Gallimard

____ ; Histoire de la folie, Paris : Gallimard

____ ; Histoire de la sexualité, vol. I, II e III, Paris : Gallimard

____ ; Maladie mentale et psychologie, Paris : PUF

____ ; La naissance de la biopolitique, Paris : Gallimard

____ ; Les mots et les choses, Paris : Gallimard

____ ; La naissance de la clinique, Paris : PUF

As traduções brasileiras podem ser utilizadas, assim como a copilação “Microfísica do poder”
 

Bibliografia de apoio

AGAMBEN, Giorgio; Homo sacer, Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2002

BUTLER, Judith; Problemas de gênero, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004

CANGUILHEM, Georges; O normal e o patológico, Rio de Janeiro: Forense Universitária

____ (org.); Michel Foucault philosophe, Paris: Seuil, 1989

DAVIDSON, Arnold ; Foucault and his interlocutors, University of Chicago Press, 1997

DELEUZE, Gilles; Foucault, Paris: Minuit, 1997

DERRIDA, Jacques ; Cogito et histoire de la folie in Écriture et différence, Paris : Seuil,

____ ; « Être juste avec Freud », L »histoire de la folie à l’âge de la psychanalyse in Penser la folie : essais sur Michel Foucault, Paris : Galilée, 1992

DEWS, Peter; Logics of disintegration: post-structuralist thought and the claims of critical theory,, Londres: Verso, 1996

DOSSE, François; História do estruturalismo,

DREYFUS e RABINOW, Paul; Michel Foucault: un parcours philosophique, Paris : Gallimard, 1984

FRASER, Nancy; Michel Foucault: a “young conservative”? in KELLY, Michael (org.); Critique and power, MIT Press, 1994

HABERMAS, Jürgen; O discurso filosófico da modernidade, São Paulo: Martins Fontes

HACKING, Ian; L’archéologie de Foucault in HOY, Couzens (org.), Michel Foucault : lectures critiques, Bruxelas : De Boeck, 1989

HONNETH, Axel; Critique of power, MIT Press

GUTTING, Gary; Michel Foucault’s archaeology of scientific reason, Cambridge University Press, 1989

JAY, Martin, Downcast eyes: the denigration of vision in twentieth-century French thought, Stanford: University of California Press, 1994

KUSCH, Martin; Foucault’s strata and fields : an investigation into archaeological and genealogical science studies, Dordrecht: Kluwer, 1991

LÉVI-STRAUSS, Claude; Anthropologie structurale I et II, Paris, Plon, 1972

OWEN, David; Maturity and modernity: Nietzsche, Weber, Foucault and the ambivalence of reason, Nova York: Routledge, 1994

RAJCHMAN, John; Erótica da verdade: Foucault, Lacan e a questão da ética, Rio de Janeiro: Jorge Zahar

RORTY, Richard; Foucault and epistemology in SMART, Barry; Michel Foucault: critical assessments, Londres: Routledge, 1994

VEYNE, Paul; Comment on écrit l’histoire, Paris : Seuil

- FLF0463 Ética e Filosofia Política III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

 

TÍTULO: Republicanismo e liberdade política

Objetivo:

A disciplina tem a intenção de elucidar a concepção republicana de liberdade política, presente em autores como Maquiavel e Nedham, que tem sido retomada nas últimas décadas por escritores como Skinner e Pettit. Em geral, o pensamento liberal vê nesta concepção uma mutação da “liberdade dos antigos” (tal como foi definida por Constant) ou da “liberdade positiva” (tal como foi definida por Berlin), o que representaria uma ameaça à liberdade individual. Ao invés de proteger a independência dos indivíduos, a concepção republicana sacrificaria os direitos individuais, colocando em risco a própria liberdade. O objetivo da disciplina é discutir as diferenças entre a perspectiva liberal e republicana de liberdade política e avaliar a pertinência do uso da concepção republicana na contemporaneidade.
 

Conteúdo:

  1. Introdução: o retorno ao republicanismo
  2. O paradigma liberal

2.1. Liberdade dos antigos e liberdade dos modernos: Benjamin Constant

2.2. Liberdade positiva e liberdade negativa: Isaiah Berlin

  1. A concepção republicana de liberdade

3.1. Eleutheria e Libertas

3.2. Liberdade e Conflito: Maquiavel

3.3. Liberdade e Estado livre: Marchamont Nedham

3.4. A liberdade neo-romana: Quentin Skinner

3.5. A liberdade como não-dominação: Philip Pettit

  1. Conclusão: repubicanismo e liberdade política
     

Bibliografia:

Fontes primárias

Berlin, Isaiah. Quatro Ensaios sobre a liberdade. Brasília: UNB, 1981

Constant, Benjamin. Da liberdade dos antigos comparada à dos modernos. In: Filosofia Política 2. Porto Alegre: LPM, 1985.

Machiavelli, Niccolò. Opere. Milano: Riccardo Ricciardi, 1963.

Nedham, Marchamont. The excellencie of a free state. London, 1656.

Pettit, Philip. Republicanism: a teory of freedom and government. Oxford: Oxford University Press, 1997.

________. Negative Liberty, Liberal and Republicanism. In: European Journal of Philosophy, 1, 1993, p.15-38

________. Keeping Republican Freedom Simple: On a Difference with Quentin Skinner. In: Political Theory 2002, v.30, n.3, p.339-356.

Skinner, Quentin. Liberdade antes do liberalismo. São Paulo:

Unesp/Cambridge, 1998.

________. The Paradoxes of Political Liberty. In: The Tanner Lectures on Human Values, 1984, p.227-250.

________. Rethinking Political Liberty. In: History Workshop Journal, n.61, 2006, p.156-170

Fontes secundárias

Arendt, Hannah. O que é liberdade, In: Entre o Passado e o Futuro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.

Bignotto, Newton. Origens do republicanismo moderno. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2001.

_______.(org.) Pensar a República. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2002.

Brennan, Geoffrey. Against reviving republicanism. In: Politics Philosophy Economics, 2006, v. 5, n.2, p. 221-252

Cardoso, Sérgio (org.) Retorno ao republicanismo. Belo Horizonte: Ed. UFMG. 2004.

Christman, John. Saving Positive Freedom. In: Political Theory, Vol. 33, No. 1, 2005), p. 79-88.

Edge, Matt. Athens and the spectrum of liberty. In: History of Political Thought, v. XXX, n.1, 2009, p.1-45

Ghosh, Eric. From republican to liberal liberty. In: History of Political Thought,

v. XXIX, n.1, 2008, p. 132-167

Goldsmith, M.M. Republican liberty considered. In: History of Political Thought, v.XXI, n.3, 2000, p.543-559

Hobbes, Thomas. Leviathan. London: Penguin Classics, 1985

Honohan, Iseult. Civic Republicanism. London: Routledge, 2002

_________(ed.) Republicanism in Theory and Practice. London: Routledge, 2006

Kapust, Daniel. Skinner, Pettit and Livy: the conflict of the orders and the ambiguity of republican liberty. In: History of Political Thought, V. XXV, n. 3, 2004, p. 377-401

Kurt Raaflaub. The Discovery of Freedom in Ancient Greece. Chicago: The University of Chicago Press, 2004.

Kramnick, Isaac. Republican Revisionism Revisited. In: The American Historical Review, Vol. 87, No. 3 (Jun., 1982), pp. 629-664 C 310

Laborde, C. and Maynor, J. (ed). Republicanism and Political Theory. London: Blackwell Publishing, 2008.

List, Christian. Republican freedom and the rule of Law. In: Politics Philosophy Economics, 2006, v.5, n.2, p. 201-220

Maddox, Graham. The limits of neo-roman liberty. In: History of Political Thought, v.XXIII, n.3, 2002, p.418-431

Markell, Patchen. The Insufficiency of Non-Domination. In: Political Theory, 2008, v.36, n.1, p. 9-36.

Novaes, Adauto (org.) O avesso da liberdade. São Paulo : Companhia das Letras, 2002

Palti, Elias J. Review Essay: Quentin Skinner, Liberty before Liberalism. In: Philosophy Social Criticism, 2000, v. 26, n.2, p.131-137.

Pocock, John. The machiavellian moment: florentine political thought and the atlantic republican tradition. Princenton: Princenton University Press, 1975

Rousseau, Jean-Jacques. Oeuvres complètes. Paris: Gallimard, 1995

Sptiz, Jean-Fabien. La liberté politique. Paris: PUF, 1995.

Skinner, Quentin. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Taylor, Charles. What’s wrong with negative liberty? In: Contemporary Political Philosophy: an anthology (ed. Phillip Pettit). Oxford: Blackwell Publishers Ltd., 1997.

Viroli, Maurizio. Republicanism. New York : Hill and Wang, 2002.

Wirszubski, C. Libertas as a Political Idea at Rome. Cambridge: Cambridge University Press, 1960.

 

- FLF0464 Filosofia da Arte

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06
 

TÍTULO: Razão e forma: estética musical, estruturas de racionalidade e forma

Crítica

Objetivos:

O curso visa, por um lado, explorar as relações possíveis entre problemas de

racionalidade e decisões a respeito da estrutura da forma musical. Esta é uma

maneira de insistir que a história das formas musicais é um setor privilegiado,

embora comumente esquecido, da história da razão . Pois podemos pensar a

forma musical a partir de problemas como : modos de síntese, de unidade,

modos de intuição no espaço e no tempo, definição de padrões de identidades

e diferença, de relação à contradição, organização de hierarquias, entre outros. A forma musical é uma construção que se submete a padrões de logicidade interna. Tal logicidade tece relações com noções gerais de racionalidade e validade.

Por outro lado, tais problemas de estrutura de racionalidade servem como guia

para discutirmos a experiência crítica e seu modo de funcionamento no interior

da forma musical. A verdadeira obra musical é sempre imagem do que a sociedade é ainda incapaz de pensar. Quebra da teoria do reflexo, ela é imagem de uma comunidade por vir, se quisermos utilizar um termo importante

de Jacques RancièrePor isto, ela fornece parâmetros para pensarmos a experiência crítica em seu ponto de maturação.

Faremos estes dois movimentos apelando a uma história alargada da experiência musical moderna, ou seja, sem deixar de mostrar como temáticas

fundamentais da música do século XIX continuam a trabalhar a música do século XX e XXI. Esta é uma maneira de expormos mais claramente a perenidade de certos problemas estéticos em um quadro próprio à modernidade filosófica (e não apenas ao modernismo estético).

PS: O conhecimento musical não é condição sine qua non para acompanhar o

curso. As análise estritamente musicais serão enquadradas em discussões

estéticas mais amplas.

 

Conteúdo:

- Coordenadas iniciais para o projeto de compreensão da música como setor

da história da razão. Max Weber como teórico da modernidade musical.

- O problema da autonomia da forma e sua real conotação política. Por que a

forma realmente crítica é aquela que radicaliza sua autonomia? Relações entre autonomia, expressão e sublime.

Primeiro módulo: em torno da expressão

- Expressão subjetiva e gestualidade musical: o exemplo das mutações dos

Estudos para piano, de Chopin à Ligeti.

- Ironia como modo privilegiado de expressão da subjetividade moderna. A

primeira Escola de Viena e os usos musicais da ironia. Stravinsky e a crítica adorniana. O neo-tonalismo contemporâneo e o cinismo como categoria estética.

- A noção de estilo tardio e a forma em contradição: o exemplo dos Quartetos de cordas, em Beethoven, Bartok e Schoenberg.

Segundo módulo: em torno do sublime

- A experiência trágica é os impasses da unidade da forma musical. O cromatismo como forma trágica em Wagner. A dimensão trágica em Mahler.

- Dos usos modernos da noção de sublime: Webern e Morton Feldman:teórico da sublimidade do silêncio. Stockhausen : misticismo e forma.

- O indeterminado em música. Como a forma tematiza o informe. Acontecimento e indeterminação em John Cage.

Terceiro módulo: em torno da autonomia

- Som e palavra. Três compositores diante da linguagem poética em seu

ponto de dissolução. Ravel, Debussy e Boulez diante de Mallarmé.

- Mímesis e imagem. O problema da mimesis na filosofia da música de Theodor Adorno e sua leitura do uso de procedimentos miméticos em Alban Berg

- A música diante da pura forma do tempo. A tematização do tempo como estrutura básica da afirmação da autonomia musical. O problema do tempo

musical em Debussy. A contração do tempo em Steve Reich. A tematização do tempo na música espectral

Quarto módulo: figuras da forma crítica

- A crítica como retorno à origem. Naturalismo musical na querela entre Rousseau e Rameau. O estoicismo musical de John Cage

- A crítica como desvelamento do processo de produção da aparência estética: uma leitura da experiência dodecafônica da Segunda Escola de Viena

- A crítica estética como crítica da economia libidinal.

Bibliografia:

ADORNO, Theodor; Berg : o mestre da transição mínima, São Paulo: Unesp,

2008

___; Filosofia da nova música, São Paulo: Unesp,. 2012

___; Introdução à sociologia da música, São Paulo: Unesp, 2011

___ ; Musikalische Schriften I-III, Frankfurt: Suhrkamp, 2003

BADIOU, Alain ; Cinq leçons sur l ecas Wagner, Paris : Nous, 2010

___ ; O século, Aparecida : Idéias e letras, 2005

BAYER, Francis; De Schoenberg à Cage: essai sur la notion d’espace sonore

dans la musique contemporaine, Paris : Klincksieck, 1981

BOULEZ, Pierre ; Apontamentos de aprendiz, São Paulo : Perspectiva, 1995

___ ; Penser la musique aujourd’hui, Paris : Gallimard, 1963

BOULEZ, Pierre e CAGE, John; Correspondance et documents, Basel: Schott,

2002

CAGE, John ; Silence,Wesleyan University Press : Middletown, 1973

___ ; Musicage, Wesleyan University Press : Middletown, 1996

DAHLHAUS, Carl; Between romanticism and modernism, University of California Press, 1990

___ ; L’idée de musique absolue: une esthétique de la musique romantique, Genebra : Contrechamps, 1997

___ ; Schoenberg and the new music, Cambridge University Press, 1984

DUARTE, Rodrigo e SAFATEL, Vladimir (org.) Enasios sobre música e filosofia, São paulo: Humanitas, 2008

FELDMAN, Morton; Give my regards to eight street, Cambridge: exact Changes, 2000

GOEHR, Lydia; Elective affinities: musical essays on the history of aesthetic

theory, New York: Columbia University Press, 2008

KIVY, Peter ; Introduction to a philosophy of music, Oxford University Press,2002

LAI, Antonio; Genèse et révolution des langages musicaux, Paris : Harmattan,2006

LEIBOWITZ, René; Schoenberg and his school, New York: Da capo, 1975

LYOTARD, Jean-François ; Des dispositifs pulsionnels, Paris : Galilée, 1994

LIGETI, Gyorg ; Neuf essais sur la musique, Genebra : Contrechamps, 2001

OLIVE, Jean-Paul ; Un son désenchanté : musique et théorie critique, Paris: Klincksieck, 2008

RANCIÈRE, Jacques; Malaise dans l’esthétique, Paris : Galilée, 2007

REICH, Steve; Writings on music, University of Claifornia Press, 2010

ROSEN, Charles ; Sonata forms, Londres : WW Norton, 1990

___ : Le style classique: Haydn, Mozart, Beethoven; Paris: Gallimard, 1994

SAFATLE, Vladimir; Cinismo e falência da crítica, São Paulo: Boitempo, 2008

___ ; Fetichismo e mimesis na filosofia adorniana da música, In: Revista Discurso, n. 37

___ ; Destituição subjetiva e dissolução do Eu na obra de John Cage, In: Rivera, Tania e SAFATLE, Vladimir; Sobre arte e psicanálise, São Paulo: Escuta, 2006,

___; Nietzsche e a ironia em música, Caderno Nietzsche, n. 21

SCHOENBERG, Arnold ; Tratado de harmonia, São Paulo : Unesp, 1999

___ ; Style and Idea, University of California Press, 1984

SUBOTNIK, Rose; Developing variations: style and ideology in western music,

University of Minessota Press, 1991

STRAVINSKY, Igor ; Poética musical em seis lições, Rio de Janeiro: Jorge

Zahar, 1996

WEBER, Max; Fundamentos racionais e sociológicos da música, São Paulo:

Edusp, 1998

- FLF0465 Estética III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: Arte e vida na modernidade artística.

 

Objetivo:

O objetivo do curso é caracterizar o imaginário da modernidade artística (do

fim do século XIX aos anos 1970 do século XX), que pode ser caracterizado

pela crença que os artistas de vanguarda depositaram nos poderes transformadores da arte, no sentido da estetização da vida. Procura, em outros

termos, analisar as diferentes versões do “fim da arte” (ou da “morte da arte)”

entendidas como baralhamento entre arte e vida: 1) na origem da modernidade

artística (o dandismo): 1850-1900; 2) no período das vanguardas históricas (construtivas ou “negativas”): 1900-1930; 3) na época das vanguardas tardias

ou da dita contracultura (happenings): 1945-1970). 4) na arte de vanguarda (vontade construtiva geral) no Brasil, do concretismo (1952) à arte de guerrilha

(de 1969-1973) que se apropriaram da teoria da gestalt, da fenomenologia de

Merleau-Ponty e do existencialismo sartreano entre outros referenciais.

 

Conteúdo:

I – As origens da modernidade artística: 1822-1900.

a. A noção de tempo histórico descontínuo e a perspectiva do presente como

ponto de vista inevitável: "Il faut être absolutment moderne" (Charles Baudelaire); b) a questão da emancipação: arte e negatividade (a dialética negativa como sinônimo de revolta cultural); c). Exame da relação entre arte e

vida (o dandismo) a partir dos seguintes textos: 1. “A janela de esquina do meu

primo” (1822), de E. T. A. Hoffmann; 2.. “O Homem da multidão” (1840), de Edgar Allan Poe; 3. “O dandismo e George Brummell” (1845) de J. B. D´ Aurevilly; 4. “O Pintor da vida moderna” (1869) de Charles Baudelaire; 6. “Às

avessas” (1884) de J- K Huysmans; c. Walter Benjamin e as “Passagens”: “Paris do Segundo Império”: a boêmia; o flâneur e a modernidade.

II – O projeto das vanguardas históricas: 1900-1930.

a) O projeto moderno de estetização da vida e a “teoria crítica” segundo Peter

Bürger: a questão da “autonomia da arte”; arte e negatividade. b) A

caracterização da obra de arte de vanguarda: a relação entre obra de arte orgânica e obra de arte não orgânica (montagem): Gyorg Lukács; Theodor Adorno e Walter Benjamin; c) A caracterização das vanguardas artísticas segundo Octavio Paz: a busca do “novo”; a mudança perpétua; o culto ao transitório; o elogio da estranheza radical; a ruptura com a tradição e a instauração de uma “tradição da ruptura”; a paixão crítica marcada pela dupla negação: da tradição e de si mesma; a aceleração do tempo histórico: a cisão

entre o presente, o passado e o futuro, numa concepção de tempo dividido,

num presente fugaz, sem um passado regulador, e voltado para um futuro, -

região do inesperado e da esperança (a “utopia”); a “crença” nas idéias de evolução, de progresso, de aperfeiçoamento, ou seja, de tempo sucessivo,

homogêneo, cumulativo e “vazio”; o interesse pelas “alteridades”: a arte negra,

pré-colombiana e oceânica; o cosmopolitismo político, econômico e artístico; a

“desmedida” confiança nos poderes transformadores da técnica e da arte (a

relação entre arte e revolução) etc.

III: As vanguardas tardias e a dita contracultura: 1945-1970.

a) Da action-painting à desmaterialização da arte: a caracterização da modernidade tardia: o expressionismo abstrato norte-americano (Jackson Pollock; Willem De Kooning; Arshile Gorky); a “pop art” (Andy Warhol, Roy

Lichtenstein, James Rosenquist); Enviromments, Happenings e Performances;

a arte minimal (Donald Judd; Carl André, Sol LeWitt; body-art; land art e earth

art; video-art (Nan June Paik); arte conceitual (Joseph Kosuth, Art-Language);

hiperrealismo; (Richard Estes, Chuck Close). b) Os situacionistas (Guy Debord, Raoul Vaneiguem); c) A arte como “acontecimento”: Roland Barthes;Jean François Lyotard e Félix Guattari.

IV: O projeto de estetização da vida no Brasil: 1952-1973.

a. o concretismo e a Teoria da Gestalt; b. o neoconcretismo e a apropriação da

fenomenologia de Merleau-Ponty (via Ferreira Gullar e Mario Pedrosa); c. a

arte de guerrilha e os impasses do projeto conceitualista no Brasil (1969-1973);

d. exame de caso: o espaço de Lygia Clark: das superfícies moduladas (da

fenomenologia) aos objetos relacionais (ao pós-estruturalismo).

 

Bibliografia:

ADORNO, Theodor W. ´Prismas: crítica cultural e sociedade´, São Paulo, Ática, 1998.

________, Teoria Estética. Lisboa, Martins Fontes, 1970.

________.& HORKHEIMER, M. “Indústria Cultural”. In: Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985.

APOLLINAIRE, G., Pintores cubistas. Porto Alegre, L&PM, 1997.

ARAGON, L. O camponês de Paris. Rio de Janeiro, Imago, 1996.

ARGAN, G. Arte Moderna. São Paulo, Companhia das Letras, 1992.

D´AUREVILLY, J. B. O dandismo e George Brummell. In Manual do dândy: a

vida como estilo. Belo Horizonte. Autêntica, 2009.

BARTHES, Roland. “Como viver Junto”. São Paulo, Martins Fontes, 2003.

BAUDELAIRE, C. (org. Teixeira Coelho). A Modernidade de Baudelaire. Rio de

Janeiro, Paz e Terra, 1988.

___________, “O pintor da vida moderna”. Belo Horizobte: Autêntica, 2010.

BENJAMIN, Walter, Charles Baudelaire: Um Lírico no Auge do Capitalismo

(obras escolhidas III).São Paulo, Brasiliense, 1989.

_________, Magia e Técnica, Arte e Política (obras escolhidas). Trad. Sérgio

Paulo Rouanet. São Paulo, Brasiliense, 2ª ed., 1986.

BOURRIAUD, Nicolas. “A arte moderna e a invenção de si”, São Paulo, Martins Fontes, 2011.

BÜRGER, Peter. “Teoria da Vanguarda”, São Paulo, 2008.

CABANNE, P. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. São Paulo.

Perspectiva, 1987.

FABBRINI, Ricardo N. “O Espaço de Lygia Cçark”. São Paulo, Atlas, 1994.

FASCINA, F. (org). Modernidade e Modernismo. São Paulo, Cosac & Naify,

1998.

________, Primitivismo, Cubismo, Abstração. São Paulo, Cosac & Naify, 1998.

Primitivismo, Cubismo, Abstração. São Paulo, Cosac & NAify, 1998.

FAVARETTO, Celso F. “A invenção de Hélio Oiticica”. São Paulo, Edusp.,1992.

GALARD, Jean, “La Beauté a outrance: réflexions sur l’abus esthétique”. Paris,

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Edusp, 1997.

GENETTE, Gérard, " L´Oeuvre de l´art: Immanence e Transcendence", São

Paulo, Seuil, 1994.

GREEMBERG, C. “Arte e cultura”. São Paulo: Ática, 1996.

GUATTARI, Felix, “Revolução Molecular: pulsações polítivcas do desejo”. São

Paulo, Brasiliense, 1981.

HOFFMANN, E. T. A. “A janela de esquina do meu primo”. São Paulo. Co-sac

& Naify, 2010.

HUYSSEN, Andreas, "Memórias do Modernismo", Rio de Janeiro, UFRJ, 1997.

HUYSMANS, J-K., “Às Avessas”, São Paulo, Companhia das Letras,

KANDINSKY, W. “Do espiritiual na arte”. São Paulo, Martins Fontes, 2000.

LYOTARD, F. “Peregrinações: lei, forma e acontecimento”. São Paulo, Estação

Liberdade, 2000.

MARCUSE, H. A Dimensão Estética. São Paulo, Martins Fontes, 1981.

MONDRIAN, P. “Neoplasticismo na pintura e na arquitetura”, São Paulo, Cosac Naify, 2008.

OEHLER, Dolf. “Quadros parisienses: Estética antiburguesa (1830-1848)”, São

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PAZ, Octavio. “Os filhos do barro: Do romantismo à vanguarda”. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984.

POE, Edgar Allan. “Histórias Extraordinárias”. São Paulo. Companhia das Letras, 2008.

RANCIÈRE, Jacques, “Malaise dans l’ esthétique”. Paris, Galilée, 2004.

- FLF0468 História da Filosofia Medieval III

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

T ÍTULO: Legitimação da linguagem: filosofia e literatura em Agostinho

Objetivo:

 

Estudar o uso filosófico de recursos literários na obra de Agostinho.

 

Conte údo:

Trata-se de investigar como o Autor manejou possibilidades de expres-são literária para examinar problemas, polemizar, desenvolver argumen-tos e teses, assim como para obter persuasão e transformação do leitor.

 

Bibliografia:

 

Bernard, R. W. IN FIGURA. Terminology Pertaining to Figurative Exegesis in the Works of Augustine of Hippo, tese (Princeton, 1984).

Courcelle, P. Les lettres grecques en occident, de Macrobe a Cassiodore. Paris: E. de Boccard, 1943.

Enos, R. L. et alii (eds.) The Rhetoric of Saint Augustine of Hippo. Waco: Baylor University Press, 2008.

Finaert, J. L'évolution littéraire de saint Augustin, Paris: Les Belles Lettres, 1939.

Pollman & Vessey (eds.), Augustine and the Disciplines, Oxford University Press, 2005.

MacCormack, S. The Shadows of Poetry, Vergil in de Mind of Augustine. University of California Press, 1998.

Markus, R. Signs and Meanings, World and Text in Ancient Christianity, Liverpool University Press, 1996.

Marrou, H.-I. Saint Augustin et la fin de la culture antique, Paris: E. de Boccard, 1958, 4ª edição.

Perrone, L. Il genere delle Quaestiones et Responsiones nella letteratura cristiana antica fino ad Agostino, in Agostino d'Ippona, De diversis quaestionibus octoginta tribus, Lectio Augustini, Settimana agostiniana pavese. 1996, Città nuova editrice, 1996.

- FLF0469 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência IV

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TEMA: RACIONALIDADE CIENTÍFICA

Objetivos:

Examinar modelos de racionalidade e sua aplicação a casos paradigmáticos de comportamento racional, tanto na vida social como na prática científica. Analisar criticamente o modelo clássico de crença ou decisão racional, baseado em regras metodológicas, e utilizar recursos da teoria dos jogos para compreender a natureza dos movimentos estratégicos e o processo de escolha social e científica.

 

Conteúdo:

1. Modelo clássico de racionalidade.

2. Regras do método científico.

3. Racionalidade individual e coletiva.

4. Mecanismos de interação social.

5. Compromissos e restrições.

6. Conduta competitiva e cooperativa.

7. Equilíbrio, coordenação e otimização.

8. Razões, emoções e normas sociais.

9. Dispositivos de credibilidade na ciência.

10. Mudanças sociais e científicas.
 

Bibliografia :

Brown, H. – Rationality, Routledge.

Elster, J. – Ulises y Las Sirenas, Fondo de Cultura Económica.

Elster, J. – Sour Grapes, Cambridge.

Elster, J. – Peças e Engrenagens das Ciências Sociais, Relume-Dumará.

Elster, J. – Ulisses Liberto, Unesp.

Popper, K. - Conjecturas e Refutações, Ed. UnB.

Hollis, M. & Lukes, S. – Rationality and Relativism, The MIT Press.

Kuhn, T. - A Estrutura das Revoluções Científicas, Perspectiva.

Kuhn, T. - O Caminho desde A Estrutura, Ed. Unesp.

Lakatos, I. e Musgrave, A. - A Crítica e o Desenvolvimento do Conhecimento, Cultrix/Edusp.

Feyerabend, P. - Contra o Método, Francisco Alves.

Laudan, L. et al. - “Mudança Científica”, em Estudos Avançados da USP, n° 19 (1993).

Newton-Smith, W. - Racionalidad de la Ciencia, Paidos.

Nozick, R. – The Nature of Rationality, Princeton.

Putnam, H. – Razão, Verdade e História, Dom Quixote.

Gower, B. - Scientific Method: A Historical and Philosophical Introduction, Routledge.

Rorty, R. – Philosophy and the Mirror of Nature, Blackwell.

Wilson, B. (ed.) – Rationality, Harper.
 

- FLF0472 Filosofia da Fìsica

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do Instituto de Física

Pré-requisito: Física Moderna I e Física V

Carga horária: 30h

Créditos:02

Objetivos:

O curso consiste de uma introdução à filosofia da física, voltada principalmente para a física clássica, mas também para as questões contemporâneas. A proposta é que se discutam os conceitos fundamentais das teorias físicas e da metodologia experimental, salientando os debates entre diferentes interpretações de uma teoria física. O curso busca desenvolver no aluno de física as competências de reflexão conceitual, discussão organizada, leitura atenta e redação cuidadosa. O enfoque de cada um dos temas será principalmente conceitual e filosófico, mas será feita uma introdução histórica a cada um deles.

Conteúdo:

1. Paradoxos de Zenão.

2. Filosofia mecânica.

3. Concepções realista e descritivista de “força”.

4. Experimento do balde e espaço absoluto.

5. Princípios de mínima ação.

6. Axiomatização da mecânica clássica.

7. Contexto da descoberta do eletromagnetismo.

8. A ontologia do eletromagnetismo.

9. Termodinâmica e energética.

10. Mecânica estatística e irreversibilidade.

11. Demônio de Maxwell e física da computação.

12. Nascimento da Teoria da Relatividade.

 

Bibliografia:

Principal:

Pessoa Jr., O. (2006), Filosofia da Física – Notas de Aula.

Auxiliar:

Assis, A.K.T. (1998), Mecânica Relacional, Coleção CLE 22, CLE-Unicamp.

Boltzmann, L. (2004) Escritos Populares, trad. A.A.P. Videira, Ed. Unisinos, São Leopoldo. Original: 1905.

Brush, S. (1976), The Kind of Motion that We Call Heat. Amsterdã: North-Holland.

Chibeni, S.S. (1999), “A Fundamentação Empírica das Leis Dinâmicas de Newton”, Revista Brasileira de Ensino de Física 21, 1-13. On-line: http://www. sbfisica.org/rbef/Vol21/Num1/v21_1.pdf

Cohen, I.B. & Westfall, R.S. (orgs.) (2002), Newton: Textos, Antecedentes, Comentários, Ed. UERJ/Contraponto, Rio de Janeiro.

Descartes, R. (2005), Princípios de Filosofia, trad. Heloísa Burati, Rideel, São Paulo. Orig. em latim: 1644.

Dijksterhuis, E.J. (1986), The Mechanization of the World Picture, Princeton U. Press. Orig. em holandês: 1950.

Dugas, R. (1988), A History of Mechanics. Nova Iorque: Dover.

Hesse, Mary (1964), “Resource Letter PhM-1 on Philosophical Foundations of Classical Mechanics”, American Journal of Physics 32, 905-11.

Huggett, N. (2004), “Zeno’s Paradoxes”, Stanford Encyclopedia of Philosophy, http://plato.stanford.edu/entries/paradox-zeno/ [18 pp.]

Kragh, H. (1999), Quantum Generations. Princeton U. Press.

Leff, H.S. & Rex, A.F. (orgs.) (1990), Maxwell’s Demon: Entropy, Information, Computing, Princeton University Press.

Mach, E. (1960 ), The Science of Mechanics, Open Court, La Salle (EUA). Orig. em alemão: 1883.

Nagel, E. (1961), The Structure of Science, Harcourt, Brace & World, Nova Iorque.

Norton Wise, M. (1979), “The Mutual Embrace of Electricity and Magnetism”, Science 203, pp. 1310-8.

Simon, H.A. (1970), “The Axiomatization of Physical Theories”, Philosophy of Science 37, 16-26.

Sklar, L. (1992), Philosophy of Physics. Oxford U. Press.

Sklar, L. (1993), Physics and Chance. Cambridge U. Press.

Torretti, R. (1999), The Philosophy of Physics. Cambridge U. Press.

Truesdell, C. (1968), Essays in the History of Mechanics, Springer, Berlim, pp. 84-137.

Whittaker, E. (1951), A History of the Theories of Aether and Electricity. Londres: T. Nelson.

- FLF0473 Filosofia da Biologia

Disciplina Obrigatória

Destinada: alunos do Curso de Biologia

Pré-requisito: sem

Carga horária: 60h

Créditos: 04

 

Objetivos:

O curso visa introduzir os graduandos da área de biomédicas a uma caracterização filosófica do conceito de ciência fazendo uma discussão de aspectos epistemológicos particulares das ciências biológicas. Essa introdução servirá de base para introduzir uma reflexão propriamente ética sobre a ciência e seus produtos.

Programa

Parte I: Filosofia da Ciência

1) Sobre a caracterização da ciência

2) Imparcialidade, autonomia e neutralidade da ciência

3) Explicações científicas: explicações por leis e explicação teórica

4) Reducionismo, teleologia e explicações funcionais em biologia

5) Evolução e história

Parte II: Ética e Biologia

1.Os valores e a ética: moral, ética e meta-ética

2. Éticas conseqüencialistas e deontológicas

3. Bioética e filosofia da vida

4.Medicina e genética: problemas éticos especiais decorrentes das biotecnologias

 

Bibliografia:

Parte I

COLLINGWOOD. Idea de la Naturaleza. Mexico, Fondo de Cultura Economica, 1950. Páginas 159-168.

HEMPEL, C. G. Filosofia da Ciência Natural. Rio de Janeiro: Zahar, 1966.

HULL, D. Filosofia da Ciência Biológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo, Perspectiva, 1975.

LACEY, H. A ciência e o bem-estar humano: uma nova maneira de estruturar a atividade científica. In: SANTOS, B. de S. (ed.) Conhecimento prudente para uma vida decente: um discurso sobre as ciências revisitado. Porto, Afrontamento, 2001.

LACEY, H. As formas nas quais as ciências são e não são livre de valores. Crítica, 6, 21, 2000, p. 89-111.

LACEY, H. Valores e Atividade Científica. São Paulo, Discurso, 1998.

MARICONDA, P. & LACEY, H. A águia e os estorninhos: Galileu sobre a autonomia da ciência. Tempo Social, 13, 2001, p. 49-65.

MAYR, E. Desenvolvimento do Pensamento Biológico. Brasília, UNB, 1998.

MORGENBESSER, S. (org.). Filosofia da Ciência. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1975. Textos escolhidos: Suppes, P. O que é uma teoria científica?. Nagel, E. Ciência, natureza e objetivo. Hempel, C. G. Explicação científica. Hanson, N. R. Observação e interpretação.

NAGEL, E. The Structure of Science. Cap. 12 - Mechanistics Explanations and Organismic Biology. New York, Harcourt, Brace & World, 1961.

OLIVEIRA, M. B. Considerações sobre a neutralidade da ciência. Trans/form/ação, 26, 1, 2003, p. 161-72.

POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo, Cultrix, 1975.

POPPER, K. Conhecimento Objetivo. Belo Horizonte, Itatiaia, 1975.

SCHAFFNER, K. F. Discovery and explanation in biology and medicine. Chicago, The University of Chicago Press, 1993.

Parte II

FAGOT, A. A introdução na medicina de técnicas oriundas da genética ocasionou uma ruptura ontropológica? Scientiae Studia, 2, 2, 2004, p. 161-77.

FRANKENA, W. K. Ética. Rio de Janeiro, Zahar, 1975.

LACEY, H. Valores e Atividade Científica. São Paulo, Discurso, 1998.

MARICONDA, P. R. & RAMOS, M. de C. Transgênicos e ética: a ameaça à imparcialidade científica. Scientiae Studia, 2, 1, 2003, p. 245-61.
SINGER, P. Ética prática. São Paulo, Martins Fontes, 1994.

HABERMAS, J. El futuro de la naturaleza humana. Ediciones Paidos Iberica, 2002.

MONOD, J., Pour une éthique de la connaissance. Textes réunis par B. Fantini, Histoire des sciences. Paris, La Découverte, 1988.

- FLF0477 Epistemologia das Ciências Humanas

Disciplina Obrigatória

Destinada: Alunos dos Instituto de Psicologia

Pré-requisito: sem

Carga horária: 60h

Créditos: 03

Título: Dualismo e materialismo na fundamentação das clínicas da subjetividade

Objetivo: Trata-se de discutir o problema do regime de objetividade próprio aos fenômenos subjetivos tal como ele aparece em alguns momentos centrais da reflexão epistemológica no século XX. A oscilação entre uma perspectiva dualista e um materialismo reducionista na compreensão dos processos causais em questão nas clínicas da subjetividade servirá como ponto de partida. Isto nos levará a uma questão mais ampla, a saber: a reflexão epistemológica sobre as ciências humanas deve conservar a categoria de sujeito?

Conteúdo:

 

  • Georges Politzer e a Crítica aos fundamentos da psicologia como ponto de inflexão no debate sobre a objetividade dos fenômenos subjetivos. A crítica ao subjetivismo dualista e ao materialismo reducionista através da compreensão do fato psicológico como “drama”. O abandono das categorias vinculadas à noção de vida interior em prol da intersubjetividade como parâmetro de racionalidade das clínicas da subjetividade.

· Os desdobramentos do programa de uma psicologia concreta no pensamento francês : a “psicologia” do primeiro Lacan. O problema da “causalidade psíquica” e a tentativa de ultrapassar o dualismo de uma perspectiva somática.

· Algumas tentativas de fundar a racionalidade das clínicas da subjetividade através da noção de auto-reflexão tributária da hermenêutica: entre Ricoeur e Habermas.

· Uma outra crítica aos fundamentos da psicologia: Gilbert Ryle e O conceito de mente. O behaviorismo lógico e a crítica à introspecção. Fatos psicológicos como disposição de comportamento e o problema da descrição de estados intencionais.

· Radicalizando o materialismo reducionista: Daniel Dennet e a defesa da obsolescência do conceito de consciência. Abordando estados intencionais como estados cerebrais.

· É possível pensar a racionalidade das clínicas da subjetividade a partir da irredutibilidade epistêmica da categoria de sujeito? Retorno ao caso Lacan.

Bibliografia

 

DENNET, Daniel, Consciousness explained, Brown, Little, 1991

GRANGER, Gilles-Gaston; Para uma estilísitca das ciências do homem in Filosofia do estilo, São Paulo, Perspectiva, 1974

___ ; Pensée formelle et sciences de l’homme, Paris, Aubier, 1963

GRÜNBAUM, Adolf ; Les fondements de la psychanalyse,Paris : PUF, 2000

HABERMAS, Jürgen; Conhecimento e interesse, Rio de Janeiro, Zahar, 1982

LACAN, Jacques; Autres écrits, Paris,: Seuil, 2001

___ ; Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998

___ ; O seminário II : o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985

___ ; O seminário XI : os quatro conceitos fudamentais da psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1975

POLITZER, Georges, Critique des fondements de la psychologie, Paris, Rieder, 1928

PRADO JR., Bento; Alguns ensaios, São Paulo, Paz e Terra, 2002

RICOEUR, Paul; Le conflit des interprétations, Paris, Seuil, 1969

___ ; De l’interprétation, Paris : Seuil, 1965

RYLE, Gilbert, The concept of mind, Londres, Penguin, 1990

SEARLE, John; A redescoberta da mente, São Paulo, Martins Fontes, 1997

___ ; O mistério da consciência, São Paulo, Paz e Terra, 1998

 

- FLF0478 Questões de Ensino de Filosofia

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: Educação e política

Objetivo:

Examinar alguns textos de filósofos sobre a relação entre educação e política.

Estimular o debate sobre as questões relativas ao ensino da Filosofia no

Ensino Médio.
 

Conteúdo:

Parte Expositiva

1- As Luzes e a questão da educação: Diderot e Rousseau

2- O projeto de instrução pública de Condorcet durante a Revolução Francesa.

3- Hanna Arendt e a “crise da educação”

4- Adorno:”educação e emancipação”

5- Meszaros: A Educação para além do Capital

 

Bibliografia:

Fontes

Diderot, Denis :

Mémoires pour Catherine II , Paris, Garnier, 1966.

Rousseau, J. J. :

Émile, ou de l´éducation , Paris, Gallimard, Bibliothèque de la Pléiade. Edição

brasileira pela Martins Fontes.

Verbete « Economia política », in Verbetes políticos da Enciclopédia, São Paulo, Discurso/Edunesp, 2005.

Du contrat social , Paris, Gallimard, Bibliothèque de la Pléiade. Edição brasileira na coleção « Os pensadores », da Editora Abril.

Condorcet:

Esboço de um quadro histórico dos progressos do espírito humano , Campinas,

Edunicamp. Cinq mémoires sur l´instruction publique, Paris, Garnier Flamarion, 1994.

Edição brasileira em preparação.

Rapport et projet de décret sur l´organization génerale de l´instruction publique ,

in L´instruction publique en France pendant la Révolution, Paris, Klincsieck, 1990.

Hanna Arendt:

La crise de la culture , Paris, Gallimard, 1972.

Qu´est-ce que la culture , Paris, Seuil, 1995.

O que é política , Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.

Theodor Adorno:

Educação e emancipação , São Paulo, Paz e Terra, 2003

I. Meszaros – A educação para além do capital.

Bibliografia crítica

Boto, Carlota, “O Emilio como categoria do pensamento rousseauniano”, in

Almeida Marques, José Oscar (org), Verdades e mentiras -30 ensaios em torno de j. J. Jacques Rousseau, Ijuí, Editora da Unijuí, 2005.

Crampe-Casnabet, Michèle, Condorcet lecteur des lumières, Paris, PUF, 1985.

Duarte, André, O pensamento à sombra da ruptura, São Paulo, Paz e Terra,

2000.

Jardim de Moraes, Eduardo, Bignotto, Newton (orgs), Hanna Arendt – diálogos, reflexões, memórias, Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2001.

Politique de Condorcet , présenté par Charles Coutel, Paris, Payot, 1996.

 

- FLF0479 Filosofia Geral II

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

TÍTULO: Da técnica à tecnologia

Objetivo:

Examinar as transformações no pensamento sobre a técnica focalizando suas

relações com as condições sociais, econômicas e políticas em quatro momentos: a Grécia Clássica, a Renascença, o Século XVII e a Filosofia Contemporânea.

Conteúdo:

1. A Mètis e o Prometeu de Ésquilo: técnica e mito

2. O lugar da técnica na sociedade grega clássica (Vernant e Heidegger)

3. O modelo dos dissói logói: a interpretação da tekné por Castoriadis

4. Técnica e mímesis em Platão e em Aristóteles

5. Arte e natureza: a magia natural na Renascença neoplatônica

6. Em defesa das artes mecânicas: o discurso renascentista de Varchia

7. Arte e natureza: da técnica à tecnologia: Bacon e o homo faber fortunae suae

8. Arte e natureza: da técnica à tecnologia: Galileu e o telescópio

9. Arte e natureza: da técnica à tecnologia: Descartes e o maquinismo universal

10. Técnica e trabalho: Marx sobre a manufatura e grande indústria

11. Da máquina ao autômato: a revolução informática e as novas características do

objeto técnico

12. O mundo virtual

13. Sociedade do conhecimento: o novo modo de inserção da ciência e da tecnologia

no modo de produção capitalista.

Bibliografia:

Séris, J.P. La technique. Paris, Presses Universitaires de France, 1994

Simondon, G. Du mode d’existence des objets techniques. Paris, Aubier, 1989

Daumas, M. (org.) Histoire générale de la technique. 5 volumes. Paris, Presses

Universitaires de France, 1979

Ferguson, E.S. History of technology. Cambridge, Harvard University Press,

1988

Guillerme, J. Technique et technologie. Paris, hachette, 1973

Gille, B. Histoire des techniques. Paris, Gallimard, 1978

Klemn, F. Technick: eine geschichte ihrer Probleme. Carls Winter Verlag,

Heidelberg, 1966

3

Russo, F. Introduction à l’histoire des techniques. Paris, Blanchard, 1986

Singer, C., Holyard, E.J., Hall, A. R. A historiy of thecnology. 5 volumes.

Oxford,Oxford University Pressa, 1958

Leroi-Gourham, A. Evolução das técnicas. 2 volumes. Lisboa, Edições 70,

1984

Canguilhem, G. (org.) Introduction à l’histoire des sciences. 2 volumes. Paris,

Hachette, 1971

Witkowski, N. (org.) L’ état des sciences et des techniques. Paris, La

Découverte, publicação annual iniciada em 1992

Stigler, B. La technique et le temps. Paris, Galilée, 1994.

 

- FLF0481 História da Filosofia Moderna IV

Disciplina Optativa

Destinada: alunos do curso de Filosofia e de outros cursos da USP

Pré-requisito: FLF0113 e FLF0114

Carga horária: 120h

Créditos: 06

Título: “A natureza orgânica na filosofia crítica de Kant”

Objetivo:

Trata-se de examinar, em textos diversos de Kant, o progressivo deslocamento da noção de natureza orgânica dos domínios da história natural para os de uma reflexão que esboça o que se poderia chamar, provisoriamente, de “filosofia do organismo”. Nesse trajeto, torna-se cada vez mais claro o estatuto problemático da noção de organismo, pela acentuação do contraste entre a forma orgânica apreendida pela faculdade de julgar em seu exercício reflexionante e as leis de caráter mecanicista pelas quais o entendimento apreende a experiência em geral. Por boas razões, Kant afirma na Crítica do Juízo que “jamais haverá um Newton” dos seres vivos. Resta saber em que medida, para o filósofo, uma ciência que é privada do mesmo estatuto que a física poderia progredir na compreensão do organismo como objeto tomado em si mesmo e como parte de relações que constituem um meio. O problema não diz respeito apenas à filosofia transcendental, anuncia uma miríade de questões com que têm de se haver, em nossos dias, a filosofia da ciência, a biologia ou a antropologia.
 

Conteúdo:

  1. Raça, natureza e história.
  2. Crítica da história natural como ciência da totalidade.
  3. Um uso possível para princípios teleológicos.
  4. Reflexão e finalidade.
  5. Razão e teleologia.
  6. A natureza como sistema.
     

Bibliografia :

Kant – Kritik der Urteilskraft. Suhrkamp: 1974.

– Critique de la faculté de juger. Tradução Philonenko. Paris: Vrin, 1992.

– Crítica da faculdade do juízo . Tradução Marques & Rodehn. Lisboa: Casa da Moeda, 1992.

– “Das diferentes raças humanas”, in: Political writings, ed. Reiss, Cambridge: University Press, 1997; Opuscules sur l’histoire, ed. Piobetta, Paris: Flammarion, 1990.

– “Resenha de Herder, Ideías sobre a filosofia da história da humanidade”, in: Political writings, ed. Reiss, Cambridge: University Press, 1997; Opuscules sur l’histoire, ed. Piobetta, Paris: Flammarion, 1990.

– “Definição do conceito de raça humana”, in: Political writings, ed. Reiss, Cambridge: University Press, 1997; Opuscules sur l’histoire, ed. Piobetta, Paris: Flammarion, 1990.

– “Do uso de princípios teleológicos em filosofia”, in: Political writings, ed. Reiss, Cambridge: University Press, 1997; Opuscules sur l’histoire, ed. Piobetta, Paris: Flammarion, 1990.

– Geografia física. Tradução coletiva. Paris: Aubier Montaigne, 1999.

– Opus postumum. Ed. F. Duque, Madri: Editora Nacional, 1983; Ed. E. Förster, Cambridge: University Press, 1999.

Adickes – Kant als Naturforscher. 2 vols. Berlim: 1925.

Auxter, T. – Kant’s moral teleology. Mercer University Press, 1982.

Canguilhem, G. – La connaissance de la vie. Paris: Vrin, 1966.

Foucault, M. – As palavras e as coisas. Tradução Salma T. Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

Goldstein, K. – The organism. 2ª edição. Nova York: Zone Books, 2000.

Huneman, P. – Métaphysique et biologie. Kant et la constitution du concept d’organisme. Paris: Kimé, 2008.

Jacob, F. – A lógica da vida. Tradução Ângela Loureiro de Souza. Rio de Janeiro: Graal, 1983.

Lebrun, G. – Kant e o fim da metafísica. Tradução Carlos Alberto de Moura. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

– Kant sans kantisme. Paris: Fayard, 2009.

Lehmman, G. – Beträge zur Geschichte und Interpretation Kants. Berlim: Walter de Gruyter, 1969.

Lévi-Strauss, C. –“Raça e história”, in: Antropologia estrutural. Tradução Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: CosacNaify, 2008.

– “Race et culture”, in: Le regard eloignée. Paris: Plon, 1983.

MacFarland, J. D. – Kant’s concept of teleology. Edimburgo: University Press, 1970.

Marques, A. – Organismo e sistema em Kant. Lisboa: Presença, 1987.

Philonenko, A. – Études kantiens. Paris: Vrin, 1982.

Pichot, A. – Histoire de la notion de vie. Paris: Gallimard, 1993.

Roger, J. – Les sciences de la vie dans la pensée fraçaise du XVIIIe siècle. 3ª edição. Paris: Albin Michel, 1963.

Rousset, B. – La doctrine kantienne de l’objectivité. Paris: Vrin, 1967.

Torres Filho, R. R. – “O simbólico em Schelling”, in: Ensaios de filosofia ilustrada, 2ª edição. São Paulo: Iluminuras, 2004.

Vaysse, J.-M. – Kant et la finalité. Paris: Ellipses, 1999.

Weil, E. – Problèmes kantiens. Paris: Vrin, 1970.

Zuckert, R. – Kant on beauty and biology. Cambridge: University Press, 2007.

Zumbach, C. – The transcendent science. Kant’s conception of methodological biology. Haia: Martinus Nijhoff, 1984.

- FLF0485 Estágio Supervisionado da Licenciatura

Objetivos

Propiciar aos estudantes a oportunidade de realizar estágios, atividades práticas e projetos na área de Filosofia. Propiciar aos alunos o desenvolvimento de sua formação pedagógica visando contribuir para habilitá-lo a tratar dos temas filosóficos no nível do ensino médio

Programa

A cada semestre, como estágio supervisionado, o aluno deve realizar as atividades previstas na disciplina tais como acompanhamento e adaptação do conteúdo das diversas disciplinas do curso de Filosofia ao ensino médio; monitoria supervisionada por docente em Instituições educacionais e culturais (como escolas, museus) e em eventos culturais (mostras, exposições); trabalho supervisionado em laboratório didático; acompanhamento de visitas realizadas por escolas de ensino médio a Instituições culturais, entre outras, segundo a resolução CNE/CP 2/2002. O aluno deve fazer um plano detalhado das atividades que serão desenvolvidas no estágio e apresentá-lo ao professor responsável pela disciplina. Ao fim do estágio o aluno deve apresentar um relatório detalhado das atividades desenvolvidas, assim como uma exposição dos resultados atingidos e sua eventual discrepância face ao inicialmente planejado.

Avaliação

 

Método

Avaliação do relatório de estágio apresentado.

Critério

Relatório aceito e avaliado com média igual ou superior a 5,0 (cinco)

Recuperação

Correção das falhas apontadas no relatório, quando for o caso da aceitação parcial do relatório.