Paulo Pirozelli Almeida Silva

Paul Pirozelli
Afiliação acadêmica
Professor Doutor
Especialização
Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência
E-mail
paulo.pirozelli.silva@usp.br

Histórico Acadêmico

  • 2026 Professor Doutor em Filosofia da Universidade de São Paulo.
  • 2024-25 Professor no Instituto Mauá de Tecnologia
  • 2020-24 Pós-doutorado em Inteligência Artificial pelo Center for Artificial Intelligence (USP).
  • 2018-19 Pós-doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina.
  • 2018 Doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.
    Título do trabalho: A estrutura das controvérsias científicas: a sociologia da ciência de Thomas Kuhn.
    Orientador: Prof. Dr.  Caetano Ernesto Plastino.
  • 2013 Mestrado em Filosofia pela Universidade de São Paulo.
    Título do trabalho: Thomas Kuhn e a concepção semântica de incomensurabilidade.
    Orientador: Prof. Dr.  Caetano Ernesto Plastino.
  • 2013 Licenciatura em Filosofia pela Universidade de São Paulo.
  • 2010 Graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo.
     

Pesquisas em desenvolvimento

1. Filosofia e epistemologia da inteligência artificial
Esta linha de pesquisa investiga, sob perspectiva epistemológica e de filosofia da ciência, o estatuto cognitivo e explicativo de sistemas contemporâneos de Inteligência Artificial, com ênfase em grandes modelos de linguagem (LLMs). O ponto de partida é a constatação de que, embora a IA tenha sido amplamente discutida no âmbito da ética, permanece relativamente pouco explorada quanto a aspectos propriamente epistêmicos. O projeto organiza-se, atualmente, em três eixos articulados. (1) Conhecimento em LLMs: examina a aplicabilidade das atribuições tradicionais de conhecimento (p. ex., crença verdadeira justificada), assim como de conceitos correlatos, tais como explicação, a modelos de aprendizado de máquina não regidos por regras explícitas. O objetivo é investigar em que sentido — e sob quais condições — seria legítimo atribuir conhecimento a LLMs. (2) Subdeterminação em modelos de IA: busca compreender a assimetria entre a prática das ciências naturais, onde a subdeterminação robusta raramente se materializa como problema cotidiano, e a prática da IA, onde ela se torna persistente, com consequências diretas para seleção e avaliação de modelos. (3) Iteração epistêmica e dinâmica teoria--instrumento: analisa como processos de coestabilização entre teoria e instrumentação podem produzir progresso cognitivo apesar de circularidades aparentes, tomando como referência a noção de iteração epistêmica de Hasok Chang.

2. Modelos explicativos em história da ciência
Esta linha de pesquisa investiga como devemos explicar eventos históricos na ciência, com especial atenção a episódios de escolha e mudança teórica. Trata-se de esclarecer quais são as formas legítimas que pode assumir uma explicação histórica da ciência e quais critérios normativos e metodológicos regulam sua avaliação. O projeto parte das discussões pós-positivistas em filosofia da ciência — notadamente Kuhn, Lakatos e Laudan — sobre o papel da história na compreensão da racionalidade científica, avançando até debates mais recentes que procuram integrar filosofia e história da ciência, especialmente aqueles que enfatizam práticas científicas e contextos institucionais. Um eixo central do projeto consiste em aproximar esse problema das discussões contemporâneas em filosofia da ação. Em particular, pretende-se analisar se — e em que medida — explicar um episódio na história da ciência equivale a explicar uma ação. A distinção entre razões normativas, razões motivacionais e razões explicativas fornece um arcabouço conceitual promissor para reexaminar a natureza das explicações históricas em ciência. Uma questão central é saber se a explicação adequada de uma escolha teórica deve reconstruir as razões que tornariam tal escolha racional, identificar os fatores psicológicos e contextuais que a produziram, ou articular uma combinação estruturada desses níveis. Espera-se, com isso, contribuir para uma caracterização mais precisa dos modelos explicativos em história da ciência, distinguindo entre reconstruções normativas da racionalidade científica e descrições histórico-causais, bem como esclarecer as condições sob as quais essas dimensões podem ser articuladas de maneira teoricamente consistente.