Este trabalho se dedica à investigação das relações entre o livre mercado e a instabilidade do mundo contemporâneo a partir da crítica da matriz teórica do liberalismo evolucionista. Desenvolvida por meio de uma reconstrução conceitual e de uma crítica imanente, a reflexão se organiza em três capítulos. No primeiro, o liberalismo evolucionista do filósofo vitoriano Herbert Spencer é reconstruído a partir de fontes primárias, de modo a esclarecer a relação entre os pilares de sua teoria social e o futuro harmonioso que ela prevê para a humanidade. No segundo, as conclusões de sua doutrina são confrontadas com seus próprios fundamentos, exercício que identifica quatro inconsistências internas da teoria spenceriana acerca da ordem de mercado, as quais colocam em xeque a compatibilidade entre suas premissas e suas conclusões: a emergência de monopólios não estatais, o crescimento desordenado de determinados agentes privados, a retroalimentação entre mercado e Estado que leva à hipertrofia estatal e a erosão moral e intelectual do indivíduo. Por fim, o terceiro capítulo estende essa crítica à obra de Friedrich von Hayek e argumenta que sua reformulação do liberalismo evolucionista no século XX reproduz contradições que, no presente, contribuem para explicar fenômenos como a captura do Estado pelas grandes corporações. A dissertação sustenta que o mercado autorregulado produz, por vias endógenas, processos de coerção e instabilidade incompatíveis com os fins normativos que orientam o liberalismo evolucionista.
MARCO DANTAS DA ROCHA
Curso
Mestrado
Título de la investigación
Do livre mercado à instabilidade sistêmica: crítica do liberalismo evolucionista
Resumo da pesquisa
Orientador
Rolf Nelson Kuntz
Fomento
CAPES
Data da defesa
20/08/2026