É com profundo pesar que escrevemos estas palavras como pequena homenagem à nossa querida Débora Aymoré que infelizmente veio a falecer. A Débora foi uma excelente filósofa na área de filosofia e história da ciência que consolidou sua formação marcada por dedicação, interesse, curiosidade e envolvimento com uma vida intelectual e filosófica expressa intensamente como estudante, pesquisadora e professora. Mas, a tudo isso somam-se qualidades pessoais que enriquecem de maneira singular essa vida intelectual. Débora era uma pessoa amável em todas as coisas que fazia. No grupo de pesquisa coordenado pelo Prof. Maurício Ramos era a primeira a fazer sugestões de atividades colaborativas e interativas entre os membros. Ao longo da elaboração de sua dissertação de mestrado apaixonou-se por Thomas Kuhn e escreveu um excelente estudo sobre difíceis questões de interpretação desse importante autor. Seu doutorado, orientado pelo Prof. Pablo Rubén Mariconda, tratou de questões ligadas ao papel dos valores sociais na biotecnologia. A pesquisa foi em parte realizada, com bolsa sanduiche, na University of Miami, orientada pelo Prof. Otavio Bueno. Sempre dedicada à pesquisa e ao aprimoramento de sua formação, realizou pós-doutorado na USP e realizava um segundo pós-doutorado na UFPR. Reveladora de sua grande originalidade filosófica foi a organização que promoveu de um evento no Amapá sobre filosofia e ficção científica. O Prof. Maurício Ramos participou desse evento e nele pôde conhecer a afetividade e a admiração que alunos e professores manifestavam pela Débora na Universidade do Estado do Amapá, na qual atuou entre 2017 e 2019. Ela também foi professora entre 2019 e 2021 na Universidade Federal do Paraná e em 2023 na Universidade Estadual de Maringá. Na UFPR continuava ligada e apoiava o grupo PET-Filosofia, ministrando cursos no PPG-Fil e coordenando o Núcleo de Estudos da Cultura Técnica e Científica. Testemunhando o amplo espectro de seus interesses filosóficos, uma das frentes da reflexão recente da Débora era voltada para o campo das epistemologias feministas e outra estava voltada para o tema da biopolítica, tendo completado a tradução do livro de Celine LaFontaine, “O corpo-mercado: a mercantilização da vida na era da bioeconomia” (no prelo). Isso nos dá apenas uma pequena ideia do trajeto acadêmico, profissional e pessoal de Débora que a consolidou como uma das grandes figuras da filosofia e da história da ciência no Brasil. Ela deixa muitas saudades e servirá de inspiração para todos aqueles que se dedicam à vida do pensamento.
Assinam este texto os Professores da Área de Teoria dos Conhecimento e Filosofia da Ciência
01/06/2026