Abelardo e Heloísa.

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Autor: 
José Carlos Estêvão
Editora: 
Discurso / Paulus
Ano: 
2015
Edição: 
Coleção Filosofia Medieval

Pedro Abelardo e Heloísa viveram no século XII. Foram contemporâneos das primeiras escolas fi losófi cas parisienses que, mais tarde, deram nascimento à Universidade. Mas nos mostram uma Idade Média muito distante da representação comum. Em geral, a vida dos fi lósofos não tem grande interesse fi losófi co. É diferente quando o próprio fi lósofo escreve sobre sua vida. Pedro Abelardo nos deixou uma carta autobiográfi ca, chamada História das minhas calamidades, na qual narra seu percurso existencial e teórico. Abelardo dedica-se, em primeiro lugar, à lógica. Também é o primeiro autor medieval a tratar da questão dos universais cuja obra chegou até nós. De suas posições sobre lógica e sobre como se dá o conhecimento humano decorrem uma teologia (uma novidade na época) e uma ética. Isto é, não só uma nova compreensão da religião (“não se pode crer no que não se compreende”), como também das relações humanas: contra a rigidez das regras, sua ética se funda no primado da intenção e do consentimento (“não é pecado desejar a mulher do próximo, pecado é consentir nesse desejo”). O percurso pelos tratados de lógica de Abelardo, por sua teologia e por sua ética, esclarece a amorosa disputa com Heloísa, ao mesmo tempo que ela dá vida às exposições extremamente técnicas desses trabalhos. Afinal, que outro lógico usou em seus escritos exemplos como “Pedro ama sua amiga”?