A tese busca reconstruir e avaliar a recepção da noção fregiana de sentido na filosofia da linguagem contemporânea. Apesar da grande influência das ideias de Frege, sabe-se que sua noção de sentido foi frequentemente considerada uma ferramenta teórica inapta a explicar certos fenômenos característicos da linguagem ordinária. Nossos objetivos centrais são (a) mostrar que muitas críticas àquela noção fundamentam-se sobre a dificuldade em conciliar sentidos fregianos com princípios que, na concepção dos críticos, devem reger teorias semânticas formais para linguagens naturais (i.e. descrições sistemáticas dos significados de expressões e sentenças de linguagens naturais particulares); e (b) argumentar que não é forçoso avaliar a noção fregiana de sentido sob um tal critério (dado, aliás, que Frege jamais indicou ter concebido sua noção de sentido como parte do aparato conceitual de descrições sistemáticas de linguagens naturais), e que sentidos fregianos justificam-se suficientemente por sua aptidão para atender a seu propósito original de explicar (muitas vezes de modo localizado e circunstancial) a racionalidade de nosso comportamento linguístico (e.g., a aceitação por um sujeito de um enunciado “Fa” simultânea a sua rejeição de um enunciado “Fb” quando “a” e “b” são termos co-referenciais). Além de uma introdução às questões principais de nossa pesquisa, a tese contém três capítulos, cada um dedicado à discussão de um fenômeno diferente da linguagem ordinária para cuja caracterização a noção fregiana de sentido foi vista como inadequada: (1) divergência de sentidos (i.e. o fato de que diferentes sujeitos muitas vezes associam diferentes significados às mesmas palavras), (2) indexicais e (3) nomes vazios. Em cada caso, procuramos descrever os problemas em que, de acordo com críticos, o apelo a sentidos fregianos incorre quando se trata de lidar teoricamente com o fenômeno em questão; buscamos mostrar como certos pressupostos concernentes às demandas de semânticas formais motivam tais críticas; e procuramos indicar de que maneira a noção fregiana de sentido ilumina o fenômeno em questão independentemente da viabilidade de sua incorporação em teorias semânticas que sigam os moldes privilegiados pelos críticos.
JOÃO LUCAS PIMENTA DA SILVA PINTO
Curso
Doutorado
Título da pesquisa
Dizer e entender: um estudo sobre a recepção da noção fregiana de sentido
Resumo da pesquisa
Orientador
João Vergílio Gallerani Cuter
Fomento
Fapesp
Data da defesa
19/03/2026