Esta pesquisa investiga a aparente contradição no conceito de “sensibilidade” no Sonho de D'Alembert e no Paradoxo sobre o comediante, de Denis Diderot. Enquanto a primeira obra postula a sensibilidade como um princípio fundamental, a segunda defende a sua ausência como condição para a genialidade artística. A pesquisa explora maneiras de abordar essa tensão conceitual. Por meio de uma análise detida do texto do Paradoxo, apoiada na leitura do segundo diálogo do Sonho, buscaremos demonstrar que a ausência de sensibilidade no ator não representa uma contradição à universalização desse conceito, mas, antes, a sua afirmação como uma faculdade centralizadora e controladora dos demais “apetites” do corpo, hierarquicamente superior a eles. Argumentamos que O Paradoxo sobre o comediante utiliza a figura do ator como a figura do gênio, corpo cuja excelência reside precisamente em performar o despotismo da consciência sobre a pluralidade de forças fisiológicas tipificadas como sensibilidades locais. Em apêndice à dissertação, ofereceremos uma tradução com aparato crítico do Paradoxo sobre o comediante, baseada em edições críticas cujo acesso foi recentemente disponibilizado no Brasil.
Caio Morello Labate
Curso
Mestrado
Título da pesquisa
MODELOS FISIOLÓGICOS E O CONCEITO DE SENSIBILIDADE NO PARADOXO SOBRE O COMEDIANTE, DE DENIS DIDEROT: LEITURA E TRADUÇÃO
Resumo da pesquisa
Orientador
Isabel Coelho Fragelli