Esta pesquisa investiga o conceito de Deus nas três Críticas de Kant, visando compreender suas diferentes funções e os limites que lhe são atribuídos em cada obra. Partimos da Crítica da razão pura, analisando o Ideal da razão pura e a seção “Opinião, saber e crença”, para mostrar como a ideia de Deus, inicialmente vinculada à exigência de determinação completa e dotada de adjetivações como ens originarium, ens summum e ens entium, é deslocada da esfera do juízo teórico para usos que antecipam os postulados da moralidade e o juízo teleológico. Em seguida, examinamos a Crítica da razão prática, com foco na formulação dos postulados e na exigência de assentimento prático à existência de Deus como solução da antinomia moral. Por fim, na Crítica da faculdade de julgar, analisamos a prova moral da existência de Deus e sua relação com o juízo reflexionante, o qual, argumentamos, já possui raízes na primeira Crítica. Defendemos, num diálogo com Kant e o fim da metafísica de Lebrun, que a ideia de Deus, destituída de conteúdo ontológico, adquire um significado positivo apenas em seu uso prático, e que não há, nesse sentido, nenhuma ruptura entre as Críticas de Kant.
Guilherme de Oliveira Freitas
Curso
Doutorado
Título da pesquisa
DEUS NAS CRÍTICAS DE KANT: DEMANDA E IDEAL DA RAZÃO
Resumo da pesquisa
Orientador
Maurício Cardoso Keinert