Em O animal que logo sou (2002), Jacques Derrida expõe a gravidade do tratamento concedido aos animais de outras espécies em relação ao passado. A época a qual Derrida remete a subversão das formas tradicionais de tratamento dos outros animais coincide com o período de consolidação do capitalismo como sistema econômico dominante. Nesse sentido, interessa a este projeto aproximar a análise da exploração sistemática dos animais de outras espécies com as perspectivas filosóficas críticas ao sistema capitalista, bem como tecer uma continuidade entre a exploração de vidas e corpos humanos e de outros animais. Ao repensar o absurdo invisível, silenciado ou então dissimulado, do que acontece diariamente com os outros animais, pretende-se entrelaçar as dimensões éticas e políticas para além dos limites antropocêntricos. Cabe compreender as raízes dessa exploração e as possibilidades de superação da mesma por meio do estudo do conceito de consciência, de educação como conscientização e de outros correlatos. Em suma, um devir contingencial remete à possibilidade de se pensar no lugar do outro, “à ética, à política que é preciso referir a essa experiência da compaixão” (Derrida, 2002, p. 53).
Letícia Guimarães Alambert
Curso
Mestrado
Título da pesquisa
UM DEVIR CONTINGENCIAL: PARA REPENSAR AS RELAÇÕES ENTRE VIVENTES
Resumo da pesquisa
Orientador
Maria das Graças de Souza