ANDRÉ SAITO CASAGRANDE

Curso
Mestrado
Título da pesquisa
A legitimidade do filósofo-rei platônico
Resumo da pesquisa

Esta dissertação investiga o problema da legitimidade do filósofo-rei na República de Platão, propondo uma leitura que recusa compreender o diálogo como a defesa de uma doutrina política acabada. Sustenta-se que a legitimidade do filósofo-rei deve ser entendida a partir do caráter hipotético e investigativo do método platônico, tal como ele se desenvolve no próprio diálogo. Argumenta-se que a figura do governante legítimo emerge progressivamente ao longo do exame da justiça, em resposta às limitações epistêmicas que se tornam visíveis no percurso conduzido por Sócrates e seus interlocutores. A análise dos Livros II a IV mostra que as sucessivas figuras de governante – do guerreiro ao guardião dotado de inclinação filosófica – funcionam como índices do progresso da investigação, antecipando de modo proléptico a tematização explícita da dialética nos Livros VI e VII. Nesse sentido, a construção da Kallípolis é interpretada como um procedimento metodológico análogo à dialética por hipóteses, no qual suposições provisórias são postas e progressivamente superadas em busca de fundamentos mais sólidos. Defende-se, assim, que o argumento pela legitimidade do filósofo-rei deve ser compreendido em duas chaves distintas: uma que estabelece o conhecimento do Bem como condição necessária e suficiente para o melhor governo; e outra que, reconhecendo o caráter conjectural dessa proposta, sustenta que ela não repousa na posse efetiva de um conhecimento não-hipotético por parte de Sócrates, mas na exigência metodológica de tal conhecimento como condição de possibilidade de um governo justo. Segundo essa leitura, a proposta platônica deve ser entendida menos como um programa político realizável e mais como a explicitação dos limites da opinião e das condições racionais sob as quais a autoridade política poderia ser legitimada.

Orientador
Roberto Bolzani Filho
Data da defesa
19/03/2026